“Sicario: Dia do Soldado” acompanha a escalada de uma guerra que já não distingue inimigos com clareza. Com Benicio Del Toro, Josh Brolin e Isabela Moner, sob a direção de Stefano Sollima, o filme parte de uma ordem simples e explosiva: reagir à possibilidade de terroristas cruzarem a fronteira usando a estrutura dos cartéis. A decisão libera métodos antes interditados, acelera operações e cria um conflito central direto, agir sem limites enquanto o custo político e humano fica fora do enquadramento.
Matt Graver (Josh Brolin) recebe autorização para conduzir uma resposta dura e imediata. Ele organiza equipes, define alvos e assume que não haverá respaldo público se algo der errado. O objetivo é provocar instabilidade entre facções rivais, forçando erros. O obstáculo surge na própria natureza da missão, executada fora de registros oficiais. O efeito é claro: acesso ampliado no campo e perda de proteção institucional.
Para executar o plano, Graver chama Alejandro Gillick (Benicio Del Toro), operador experiente, acostumado a atuar onde regras formais não chegam. Alejandro aceita porque conhece o território e porque a missão lhe devolve poder de ação. O problema é que cada passo depende de silêncio absoluto e coordenação mínima. O resultado imediato é eficiência tática, acompanhada de um risco crescente que não pode ser transferido.
Um alvo que muda tudo
A estratégia envolve o sequestro de Isabel Reyes (Isabela Moner), filha de um líder do tráfico. Ela deixa de ser apenas parte do plano e passa a concentrar todas as tensões da operação. Mantê-la sob custódia exige deslocamentos constantes, contatos locais e improviso. O obstáculo não é só externo, mas logístico e humano. O efeito mensurável aparece rápido: prazos encurtam e a exposição aumenta a cada quilômetro percorrido.
A fronteira surge como espaço ativo, feito de estradas, postos e zonas cinzentas onde permissões mudam conforme o interlocutor. Sollima mantém negociações políticas fora de quadro e alonga o tempo nos deslocamentos, o que retarda informações essenciais. A operação segue, mas com menos previsibilidade, e a autoridade dos agentes passa a depender mais da força do que de acordos.
Quando o controle escapa
Um revés no caminho quebra a sensação de domínio. Decisões precisam ser refeitas em movimento, sem consulta e sem garantia de apoio. Alejandro assume a proteção direta de Isabel, não como gesto heroico, mas porque perder o ativo significa perder posição. Ele não diz, mas suas escolhas indicam que a missão deixou de ser apenas operacional e passou a ter consequências pessoais imediatas.
A comunicação falha, recursos diminuem e alianças locais se mostram instáveis. O filme encurta a margem ao cortar apoios e interromper fluxos de informação. O efeito é concreto: menos opções, mais pressão e decisões tomadas sob risco direto, sem tempo para correções.
Humor seco, custo real
Há espaço para um humor áspero quando ordens começam a ser revistas à distância, tarde demais para quem está no terreno. A tentativa de recuo não produz alívio. O efeito prático é o oposto: confirma que decisões informais não podem ser arquivadas quando a situação foge ao controle.
O filme se concentra nas consequências imediatas das escolhas feitas ao longo do caminho. Cada ação reposiciona os personagens, redefine quem tem acesso, quem perde autoridade e quem passa a operar no limite. “Sicario: Dia do Soldado” avança mantendo a tensão prática de uma operação que continua em curso, com riscos ativos e nenhuma solução confortável à vista.
★★★★★★★★★★




