Eberth Vêncio

Feliz natal, estranho

Feliz natal, estranho

Doutor Elias era um médico popular viciado em livros de romance e em emergências. Certa feita, durante um plantão no dia de Natal, caminhava pelo corredor apinhado de gente quando parou para conferir mais uma vez a respiração de um grandalhão que aguardava a sua vez para fazer radiografias. Ossos quebrados, sabem como é. Enquanto checava o moribundo embriagado que dormitava, a despeito da leva de costelas partidas, foi interceptado por uma criança que puxou o seu jaleco pela parte detrás.

Histórias de um mundo infantil e louco

Histórias de um mundo infantil e louco

Sentia-se mais animado, finalmente. Aquela cena matinal, escabrosa, dos policiais cavoucando o quintal do vizinho, em busca do corpo da menina desaparecida arruinara completamente o seu dia. Isso até surgir aquela criaturinha que falava pelos cotovelos. Foi como se um raio de sol tivesse penetrado por uma pequena fissura e clareado um breu de miséria e de desencanto no qual ele se encontrava aprisionado.

Meus heróis morreram de artrose

Meus heróis morreram de artrose

A esperança é uma espécie de fanatismo. Do tipo causa perdida. Eu não sei como perder e não sei pelo que esperar. Portanto, nada quero de mais daquele que transpira e que se insinua pelas plagas mundanas. A morte é um fenômeno natural da matéria animal humana que muito me inspira.