Autor: Marcelo Costa

Este suspense na Netflix é um espetáculo para os olhos e para a mente — e quase ninguém viu Divulgação / Twentieth Century Fox

Este suspense na Netflix é um espetáculo para os olhos e para a mente — e quase ninguém viu

Há filmes que parecem sonhados com os olhos abertos. “A Cura”, de Gore Verbinski, não se apressa em parecer verossímil; o realismo nunca foi seu objetivo. Há algo nos tons azulados, nas paisagens imóveis e nas janelas embaçadas que evoca uma memória ancestral de castelos e doenças, onde o tempo hesita e as promessas se dissolvem. O filme não é sobre lógica. É sobre atmosfera. Sobre desconforto. Sobre uma beleza paralisante, que não consola. E, sobretudo, sobre a suspeita persistente de que aquilo que nos oferecem como bem-estar talvez seja, secretamente, outra forma de prisão.

Os 7 livros que mudaram a cabeça de Nietzsche

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Nietzsche não nasceu pronto. Sua filosofia cortante, muitas vezes violenta, não brotou do nada. Foi sendo formada, página a página, na tensão entre admiração e repulsa, entre leitura e reação. Sete livros se alojaram fundo em sua cabeça. Alguns ele rompeu, outros abraçou, outros ainda transformou em combate. Este não é um inventário de influências, mas uma travessia pelas ideias que fermentaram o pensamento mais indomável da modernidade. Porque todo pensamento, mesmo o mais original, nasce de algum atrito com o que já foi dito.

5 filmes recomendados por Denis Villeneuve que estão na Netflix — e vão te prender no sofá a semana inteira

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Quando Denis Villeneuve aponta para um filme, não parece estar indicando o que ver, mas o que sentir. Entre obras densas, tensas ou simplesmente precisas em seu silêncio, cinco títulos disponíveis na Netflix se alinham com a sensibilidade do diretor: uma seleção marcada menos por gênero do que por atmosfera. São histórias que não se impõem — e talvez por isso fiquem. Filmes que recusam atalhos e pedem algo raro: atenção não apressada. E quando isso acontece, o sofá deixa de ser um repouso e vira, também, um lugar de escuta.

Uma década depois, finalmente: a obra-prima de Christopher Nolan chega à Netflix Brasil Divulgação / Warner Bros. Entertainment

Uma década depois, finalmente: a obra-prima de Christopher Nolan chega à Netflix Brasil

“Interestelar”, de Christopher Nolan, vai além da ficção científica: é uma elegia cósmica sobre vínculos humanos corroídos pelo tempo e pela ausência. Em um mundo sufocado por poeira e descrença, a esperança escapa para o espaço, não como conquista, mas como luto. A atuação de Jessica Chastain emociona pela contenção, e Anne Hathaway traz a provocação de um amor quântico. Com trilha litúrgica de Hans Zimmer, fotografia melancólica e ciência como metáfora, o filme revela que o verdadeiro abismo não é espacial — é emocional.

7 livros tão fascinantes e desconcertantes que você vai querer ler duas vezes

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Há livros que não terminam quando acabam. Ficam pulsando, como algo que não foi digerido direito. Ecoam em silêncios inesperados, reaparecem em pensamentos aleatórios. São leituras que provocam mais do que explicam, que incomodam mais do que consolam. E quando tudo parece ter se assentado, voltam. Ler uma vez não basta. Não por falta de atenção, mas porque algo ali continua vivo, pedindo retorno. São obras que ferem com beleza e confundem com precisão. Livros que exigem releitura não para entender, mas para suportar.