Autor: Helena Oliveira

Arnold Schwarzenegger em sua comédia mais caótica e nostálgica disponível na Netflix Divulgação / Twentieth Century Fox

Arnold Schwarzenegger em sua comédia mais caótica e nostálgica disponível na Netflix

“Um Herói de Brinquedo” é uma farsa natalina disfarçada de comédia familiar, uma daquelas produções em que o riso vem acompanhado de uma pontada de vergonha alheia e um tanto de melancolia. O filme, lançado nos anos 1990, parecia inocente ao colocar Arnold Schwarzenegger no papel de um pai desesperado para encontrar o brinquedo mais desejado do Natal, o famigerado Turbo Man. Mas, sob a superfície reluzente de luzes e canções festivas, o que se revela é um retrato objetivo, e cruelmente atual, do capitalismo travestido de espírito natalino.

O conto mais açucarado do cinema é, na verdade, uma crítica amarga ao consumismo — na HBO Max Divulgação / Warner Bros

O conto mais açucarado do cinema é, na verdade, uma crítica amarga ao consumismo — na HBO Max

“A Fantástica Fábrica de Chocolate” é o tipo de filme que revela o quanto o imaginário infantil pode ser um território de sombras disfarçado em confeitaria. O universo de Tim Burton, ao revisitar o clássico de Roald Dahl, não tem a doçura nostálgica que muitos esperam, mas um sabor agridoce, feito da mistura entre a inocência de um garoto pobre e a excentricidade de um homem que nunca amadureceu. O que parecia ser apenas uma viagem a um mundo de guloseimas torna-se uma parábola sobre o desejo, a moral e o medo de crescer.

Clássico dos irmãos Coen mostra que a estupidez humana é mais perigosa que o mal — no Prime Video Divulgação / Film1

Clássico dos irmãos Coen mostra que a estupidez humana é mais perigosa que o mal — no Prime Video

Alguns filmes nascem para provar que a estupidez humana pode ser mais assustadora que a maldade. “Fargo” é um deles. O crime aqui não vem de um impulso diabólico, mas de uma soma de equívocos, covardias e pequenas ambições que se transformam em catástrofe. Os irmãos Coen criam um universo gelado e absurdo, onde cada gesto de cordialidade esconde um potencial de destruição. A neve cobre tudo como um lençol que tenta ocultar o grotesco, e o riso surge sempre no instante errado, como se o espectador, cúmplice involuntário, não soubesse se está diante de uma comédia ou de um pesadelo contado em voz calma.

Filme sobre escravidão mais impactante do século ainda é impossível de assistir sem se despedaçar, no Prime Video Divulgação / Lionsgate

Filme sobre escravidão mais impactante do século ainda é impossível de assistir sem se despedaçar, no Prime Video

“12 Anos de Escravidão” é um daqueles filmes que invade a consciência, rompe o conforto do espectador e obriga a confrontar uma ferida histórica que o cinema muitas vezes tratou com eufemismo. Steve McQueen não busca redenção nem catarse, mas o desconforto absoluto, aquele que paralisa o corpo e silencia a sala. A história de Solomon Northup, homem livre sequestrado e vendido como escravo, não é apenas uma narrativa de injustiça; é a representação de uma civilização inteira construída sobre a negação da humanidade alheia.

Comédia romântica na Netflix com Melissa McCarthy é o colapso tecnológico mais fofo que você vai ver Divulgação / New Line Cinema

Comédia romântica na Netflix com Melissa McCarthy é o colapso tecnológico mais fofo que você vai ver

Comédias sobre inteligência artificial tendem a cair em dois extremos: a distopia tecnológica ou o otimismo ingênuo. “Superinteligência” tenta ocupar um meio-termo improvável, onde o apocalipse digital é apenas o pano de fundo para um romance de gente comum, com suas inseguranças e contradições. Melissa McCarthy é o fio condutor dessa fábula contemporânea, uma mulher comum escolhida por uma entidade artificial para representar o destino da humanidade, uma escolha tão absurda quanto simbólica.