Autor: Helena Oliveira

O filme tailandês mais intenso do ano acaba de estrear na Netflix Divulgação / Netflix

O filme tailandês mais intenso do ano acaba de estrear na Netflix

Há algo de irresistível na mitologia dos fora da lei. São figuras que atravessam fronteiras entre o crime e a lenda, entre o fascínio popular e a condenação moral. “Tee Yai: Nascido Para o Mal”, dirigido por Nonzee Nimibutr, revisita esse território ambíguo com um olhar que mistura reverência e desencanto. O filme não quer apenas reviver a história de um criminoso célebre da Tailândia dos anos 1980, mas questionar o próprio mecanismo que transforma um homem em mito, e o mito em mercadoria.

Vencedor de dois Oscars, clássico do noir com elenco estelar é um dos melhores filmes dos últimos 30 anos e está no Prime Video Divulgação / New Regency Productions

Vencedor de dois Oscars, clássico do noir com elenco estelar é um dos melhores filmes dos últimos 30 anos e está no Prime Video

“Los Angeles: Cidade Proibida” começa como uma confissão sussurrada atrás de portas trancadas, um segredo compartilhado entre o crime e o glamour. É o retrato de uma cidade que aprendeu a transformar a própria corrupção em espetáculo. Na Los Angeles dos anos 1950, cada rosto iluminado por refletores carrega uma sombra proporcional, e é nessa penumbra que o filme se instala.

Arnold Schwarzenegger em sua comédia mais caótica e nostálgica disponível na Netflix Divulgação / Twentieth Century Fox

Arnold Schwarzenegger em sua comédia mais caótica e nostálgica disponível na Netflix

“Um Herói de Brinquedo” é uma farsa natalina disfarçada de comédia familiar, uma daquelas produções em que o riso vem acompanhado de uma pontada de vergonha alheia e um tanto de melancolia. O filme, lançado nos anos 1990, parecia inocente ao colocar Arnold Schwarzenegger no papel de um pai desesperado para encontrar o brinquedo mais desejado do Natal, o famigerado Turbo Man. Mas, sob a superfície reluzente de luzes e canções festivas, o que se revela é um retrato objetivo, e cruelmente atual, do capitalismo travestido de espírito natalino.

O conto mais açucarado do cinema é, na verdade, uma crítica amarga ao consumismo — na HBO Max Divulgação / Warner Bros

O conto mais açucarado do cinema é, na verdade, uma crítica amarga ao consumismo — na HBO Max

“A Fantástica Fábrica de Chocolate” é o tipo de filme que revela o quanto o imaginário infantil pode ser um território de sombras disfarçado em confeitaria. O universo de Tim Burton, ao revisitar o clássico de Roald Dahl, não tem a doçura nostálgica que muitos esperam, mas um sabor agridoce, feito da mistura entre a inocência de um garoto pobre e a excentricidade de um homem que nunca amadureceu. O que parecia ser apenas uma viagem a um mundo de guloseimas torna-se uma parábola sobre o desejo, a moral e o medo de crescer.

Clássico dos irmãos Coen mostra que a estupidez humana é mais perigosa que o mal — no Prime Video Divulgação / Film1

Clássico dos irmãos Coen mostra que a estupidez humana é mais perigosa que o mal — no Prime Video

Alguns filmes nascem para provar que a estupidez humana pode ser mais assustadora que a maldade. “Fargo” é um deles. O crime aqui não vem de um impulso diabólico, mas de uma soma de equívocos, covardias e pequenas ambições que se transformam em catástrofe. Os irmãos Coen criam um universo gelado e absurdo, onde cada gesto de cordialidade esconde um potencial de destruição. A neve cobre tudo como um lençol que tenta ocultar o grotesco, e o riso surge sempre no instante errado, como se o espectador, cúmplice involuntário, não soubesse se está diante de uma comédia ou de um pesadelo contado em voz calma.