Autor: Giancarlo Galdino

O filme de suspense de terror na HBO Max que usa sangue para falar de vazio existencial Divulgação / Destination Films

O filme de suspense de terror na HBO Max que usa sangue para falar de vazio existencial

Jovens orbitam num campo de emoções selvagens, a oscilar entre euforia, brandura e medo, numa fome inconsciente de poder captar o mundo que os rodeia. Guardadas as devidas proporções, é disso que trata “O Palhaço no Milharal”, um slasher típico, mas estilizado, sobre ameaças fantasiosas e bem concretas. Aqui, Eli Craig volta a exercitar a vocação tragicômica que o consagrou em “Tucker e Dale Contra o Mal” (2010), propondo um circo de horrores cujo picadeiro é ocupado por gente de pouca idade e muitas dúvidas.

Na Netflix: 108 minutos em estado de alerta — e você nem percebe que está prendendo a respiração

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Uma enfermeira inglesa, Lib Wright, chega a um cenário de miséria e fome para vigiar Anna O’Donnell, celebrada como milagre. A proximidade entre as duas transforma o que parecia etéreo em palpável, enquanto a confusão entre guardar a fé e servir propósitos nada ingênuos cresce ao redor. Baseado no romance de Emma Donoghue, o filme reúne misticismo, religião e a pergunta sobre como Deus se apresenta — e como certos homens O veem.

O faroeste definitivo está na Netflix — e não é só um filme: é um acontecimento na história do cinema Divulgação / Paramount Pictures

O faroeste definitivo está na Netflix — e não é só um filme: é um acontecimento na história do cinema

Na América dos anos 1870, “Era uma Vez no Oeste” revela a calma sem pressa de Sergio Leone ao destrinchar dilemas, juras de morte, terras sem dono e planos de vingança. O roteiro de Dario Argento e Sergio Donati avança como corda esticada, enquanto Ennio Morricone pontua violência iminente e respiros quase românticos. Jill McBain, de Claudia Cardinale, atrai o cerco de fazendeiros e aventureiros e dita a força do Homem da Gaita e de Frank no tiroteio final.

O filme da Netflix que te dá “efeito colateral”: raiva, lágrima e alívio no mesmo minuto Diego Lopez Calvin / Netflix

O filme da Netflix que te dá “efeito colateral”: raiva, lágrima e alívio no mesmo minuto

Em “Árvore de Sangue” (2018), Rebeca e Marc escrevem um livro a quatro mãos sobre seus ancestrais numa casa de campo, deixando política e ideologia de lado. Cicatrizes semelhantes, um terceiro elemento e uma aura mística removem o verniz de romantismo. A história recua à Espanha de 1939, com Olmo, Victor e a ex-roqueira Macarena entre romance intrincado, dependência química e pensamentos psicóticos. A fotografia preciosista realça pradarias e abre lacunas, mas a novela busca autenticidade e simbolismo.

Humano, triste e brilhante: o filme premiado da Netflix que é um tesouro escondido Divulgação / Netflix

Humano, triste e brilhante: o filme premiado da Netflix que é um tesouro escondido

Em “Inspire, Expire” (2018), Ísold Uggadóttir acompanha Lára, que tenta se reerguer do vício e consegue estágio remunerado como guarda de fronteira na Islândia. Entre cinza e azul esbranquiçado, a Península de Reykjanes se alinha à narrativa como um quarto protagonista. No supermercado, 8.120 coroas viram humilhação e dignidade sobrevalorizada. Na imigração, Lára cruza com Adja, franco-guineense que quer fugir para o Canadá, e vê o medo num abrigo de imigrantes ilegais.