Autor: Giancarlo Galdino

Mães Paralelas na Netflix: por que o drama de Almodóvar com Penélope Cruz desconcerta e comove Divulgação / Sony Pictures

Mães Paralelas na Netflix: por que o drama de Almodóvar com Penélope Cruz desconcerta e comove

Em “Mães Paralelas”, Pedro Almodóvar troca o delírio habitual por um naturalismo mais austero, sem perder cor e sensibilidade. A força do filme vem do encontro entre Janis, fotógrafa vivida por Penélope Cruz, e Ana, jovem mãe interpretada por Milena Smit, cujas vidas se cruzam no hospital e seguem entrelaçadas. O roteiro avança por reviravoltas, dilemas éticos e abandono familiar, enquanto evoca feridas da Espanha pós-Guerra Civil. Resultado: melodrama preciso, lírico e desconcertante. E Penélope domina a cena como musa.

O filme “boicotado” que sumiu dos cinemas — agora no Prime Video Divulgação / Lionsgate

O filme “boicotado” que sumiu dos cinemas — agora no Prime Video

São mais e mais raros os que se dispõem a romper os muros da prisão ideológica e dialogar, conferindo um significado mais humano à política. “Pássaro Branco: Uma História de Extraordinário” volta a uma quadra de terror da História para entender a razão que leva um garoto a arriscar seu futuro por causa de uma brincadeira que deixa um rastro de dor tão forte que clama pela intervenção de alguém que sofreu na carne a pior desonra.

Um dos melhores filmes de espionagem de todos os tempos está na Netflix e vale cada milésimo de segundo do seu tempo Divulgação / Nick Briggs

Um dos melhores filmes de espionagem de todos os tempos está na Netflix e vale cada milésimo de segundo do seu tempo

“O Anjo do Mossad” parte da curiosidade inevitável que todo filme de espionagem desperta para perseguir as zonas cinzentas de Ashraf Marwan, figura ainda hoje envolta em controvérsia. Ariel Vromen explora a carência emocional do protagonista sem perder de vista o tabuleiro político do Egito dos anos 1970, entre Nasser, Sadat e Israel, enquanto o suspense se arma entre Cairo e Londres. Mesmo com fios soltos, a trama pulsa e entrega pistas valiosas.

Um filme na Netflix que parece teatro — e vira cinema na sua frente David Lee / Netflix

Um filme na Netflix que parece teatro — e vira cinema na sua frente

Da ribalta ao cinema, “American Son” mantém a força do palco ao encenar, numa delegacia de Miami, a tensão racial que atravessa Estados Unidos e Brasil. A noite de chuva incessante, a fotografia pesada de Kramer Morgenthau e o elenco reduzido criam a atmosfera claustrofóbica que afasta a sensação de teatro filmado. No centro, Kendra espera por Jamal, confrontando insinuações, burocracia e um desfecho anunciado, que expõe o caos institucional.

Esse filme da Netflix não pede sua atenção — ele toma Divulgação / Bubble Studios

Esse filme da Netflix não pede sua atenção — ele toma

Do registro propagandístico da coroação de Nicolau II ao impacto de Eisenstein, o texto lembra que o cinema russo nunca foi simples — e encontra em “Major Grom Contra o Dr. Peste” mais um capítulo dessa vocação polissêmica. Oleg Trofim conduz uma distopia neorrealista sem proselitismo, apoiada no carisma bruto de Tikhon Zhiznevskiy e na dinâmica com Yulia Pchelkina, entre perseguições, violência, humor e um romance apenas sugerido, que areja uma narrativa linear.