Autor: Giancarlo Galdino

O suspense do Prime Video que te prende do primeiro minuto ao último (com Hugh Grant) Divulgação / A24

O suspense do Prime Video que te prende do primeiro minuto ao último (com Hugh Grant)

“Se Deus não existe, tudo é permitido”. De alguma maneira, a célebre frase de Dostoiévski alude às palavras de Jesus ditas a Pedro e registradas por Mateus sobre sermos livres para fazer o que diz nossa humana vontade, desde que saibamos que pagaremos um preço. Mais um longa urdido na ótima parceria entre Scott Beck e Bryan Woods, roteiristas do incensado “Um Lugar Silencioso” (2018), dirigido por John Krasinski, “Herege” mantém a qualidade habitual, porém com ainda mais substância.

Na Netflix: o suspense do trem que transforma 96 minutos em pânico Divulgação / Golden Village Pictures

Na Netflix: o suspense do trem que transforma 96 minutos em pânico

Revisitar o passado pode render lições. Traiçoeira, a memória transforma erros em fantasmas que sempre voltam, queiramos ou não. Essa é a premissa empregada pelo taiwanês Hung Tzu-Hsuan em “96 Minutos”, um thriller sobre o poder das decisões naqueles momentos cruciais. Hung prefere concentrar-se nos conflitos internos de seu protagonista a enfileirar cenas pirotécnicas, dando à trama uma permanente sensação de claustrofobia.

Acabou de estrear na Netflix: Luca Guadagnino adapta William S. Burroughs em viagem onírica, tropical e inquietante Divulgação / A24

Acabou de estrear na Netflix: Luca Guadagnino adapta William S. Burroughs em viagem onírica, tropical e inquietante

A cada filme, Luca Guadagnino prova que é um dos diretores mais subversivos do cinema atual. A disrupção de Guadagnino é assumidamente panfletária em “Queer”, um de seus trabalhos mais criativos e maduros, em que brinca de ir misturando gêneros e histórias, com um toque confessional. Imagens homoeróticas, o kitsch e a inquietação social enfrentam aqui o rescaldo fascista dos anos 1950 numa batalha inglória e vesana, numa busca renhida por liberdade. Uma das razões que explicam um enredo tão ácido.

Aclamado como um dos melhores dos últimos anos, a ação com Ryan Gosling é um espetáculo visual e acaba de chegar à Netflix Divulgação / Universal Pictures

Aclamado como um dos melhores dos últimos anos, a ação com Ryan Gosling é um espetáculo visual e acaba de chegar à Netflix

A crítica vê em “O Dublê” entretenimento puro e uma homenagem a quem se arrisca nos bastidores. Ex-dublê, David Leitch transforma sua trajetória em comédia romântica de ação frenética ao lado de Ryan Gosling, comparado a Clint Eastwood. O texto lembra ainda seus filmes “Trem-Bala” e “Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”, acompanha a queda e o retorno de Colt Seavers e destaca a aura pop ao som de “I Was Made for Lovin’ You”.

O faroeste da Netflix que faz Yellowstone parecer passeio no shopping Divulgação / Film 44

O faroeste da Netflix que faz Yellowstone parecer passeio no shopping

O texto parte da premissa do faroeste como acerto de contas e lê “Terra Indomável” como resposta imediata à moda do western em séries. Entre fórmulas do gênero, tesouro invisível e violência, a narrativa ganha densidade ao situar a fronteira no rastro de guerras e desigualdades, registrando hecatombes como o Massacre dos Montes Meadows. O destaque vai ao realismo, à presença de povos originários em seus idiomas, à consultoria cultural indígena e às atuações elogiadas, coroando uma avaliação máxima.