Autor: Giancarlo Galdino

Prime Video: você ri, mas não confia em ninguém — Anna Kendrick e Blake Lively em modo “ninguém presta” Divulgação / Amazon Prime Video

Prime Video: você ri, mas não confia em ninguém — Anna Kendrick e Blake Lively em modo “ninguém presta”

“Outro Pequeno Favor” aposta num crime quase óbvio e num mistério que volta ao universo de “Um Pequeno Favor” (2018). Paul Feig tenta repetir, em escala industrial, a eficácia de “Missão Madrinha de Casamento” (2011) e flerta com o jogo detetivesco de “Garota Exemplar” (2014). No centro, Stephanie Smothers administra canal doméstico e tempo livre na escola do filho, até a trama desembocar em Capri, com doppelgängers, psicopata e disputa de cena entre Anna Kendrick, Blake Lively e Allison Janney.

Se você gosta de faroeste com clima de thriller, o Prime Video tem um que sufoca Divulgação / RLJE Films

Se você gosta de faroeste com clima de thriller, o Prime Video tem um que sufoca

Partindo da regra de que um bom faroeste precisa de retaliação e acerto de contas, o texto lê “Assassinato em Yellowstone” como um western de energia crescente, com suspense e figuras marcadas pelo passado. Entre o ex-escravizado Cícero, o xerife Jim Ambrose e o reverendo Thaddeus Murphy, a narrativa cresce com crime, mistério e demônios pessoais. A citação de Shakespeare, em “Júlio César”, vira síntese do projeto: sobreviventes em busca de propósito num lugar que dá fortuna e cobra caro.

Prime Video trouxe um filme que parece terapia… só que conduzida por alguém que te odeia Divulgação / Universal Pictures

Prime Video trouxe um filme que parece terapia… só que conduzida por alguém que te odeia

Entre Toscana e o norte gelado da Inglaterra, “Não Fale o Mal” arma um jogo de aparências em que o desconforto cresce devagar e explode sem piedade. A crítica destaca como James Watkins intensifica as sugestões do original dinamarquês, aproximando o filme de thrillers noventistas e de “A Mão que Balança o Berço”. Com situações sociais agressivas, humor torto e violência latente, o texto aponta um elenco que disputa atenção até o terceiro ato e conclui com uma lição amarga.

A filha de Ridley Scott dirigiu um filme na HBO Max que dá vontade de olhar por cima do ombro Divulgação / Scott Free Productions

A filha de Ridley Scott dirigiu um filme na HBO Max que dá vontade de olhar por cima do ombro

Em “A Seita”, o apocalipse chega devagar. Enquanto isso, a diretora Jordan Scott esmera-se em averiguar os tantos mecanismos que agem sobre nossa combalida humanidade, sempre atrás de qualquer coisa que lhe confira sentido. O futuro é cercado de promessas enganosas, personificadas na difícil relação de um pai e uma filha, ainda mais desgastada quando um evento infeliz do passado concorre para um infortúnio de agora. Honrando o sobrenome, a filha caçula de Ridley Scott tira boas cenas de um roteiro banal. E tudo flui.

Um faroeste sem deserto — e com mais culpa do que pólvora (na Netflix) Divulgação / SPWA

Um faroeste sem deserto — e com mais culpa do que pólvora (na Netflix)

Entre falésias de Donegal e a violência dos anos 1970, “Na Terra de Santos e Pecadores” acompanha Finbar Murphy, matador cansado que tenta aposentar-se sem escapar do IRA. Robert Lorenz conduz a história com mão de produtor acostumado a Clint Eastwood, aposta em Liam Neeson e deixa o passado voltar em 1974 com um atentado que muda a caça. O texto aponta a frustração com a promessa religiosa do título, mas registra como o elenco e os detalhes de cena seguram o espectador até a conclusão.