Autor: Carlos Castelo

A vida de cão do meu gato

A vida de cão do meu gato

Otto Lara Resende tem uma crônica de 1992 chamada “Zano”. É sobre um gato que fugiu de sua casa. Reli-a recentemente numa coletânea e resolvi contar a minha história sobre felinos. Muitos autores interessam-se por esses animais gloriosos e misteriosos. Só que eu, é curioso, até então só havia escrito sobre cães e peixes beta. De fato, felídeo, em casa, só houve um.

A noite que Chico Buarque cantou para mim

A noite que Chico Buarque cantou para mim

Abro a porta e vejo um sujeito de costas para mim. Ele estava indo para outra ponta do salão para se servir de uma garrafa de vinho que estava sobre uma mesinha. Encheu o copo com o vinho e se virou. Era Chico Buarque de Hollanda. Sozinho, no camarim do “Avenida”. Fiquei sem voz, é óbvio. E ele, pelo visto, também, surpreso por alguém estar invadindo sua buarquiana privacidade.

O resto é mar. E contas a pagar

O resto é mar. E contas a pagar

A bossa nova me atrai menos por suas notas dissonantes, seus trinados minimalistas, do que por suas incongruências e paradoxos. Um deles é o Guilherme Arantes ser classificado como bossanovista. A outra é a bancarrota financeira de seu principal criador, o baianíssimo João Gilberto.

Que tiro foi esse

Que tiro foi esse

Foi um carnaval estranho. Eu fui convidado para pular numa cidadezinha do Meio Norte por uma garota que conheci em Londres, quando estudava idiomas. Nunca ia imaginar que o pai da moça era deputado, muito menos que a localidade fosse tão rústica.

Viajou, fotografou, filmou e não viu nada

Viajou, fotografou, filmou e não viu nada

Recentemente estive nos Lençóis Maranhenses. E, no caminho paras as dunas, acabei notando a aproximação de um Toyota de agência-de-email-marketing. O carro ia para o mesmo local do meu jipe, mas apinhado de turistas. Detalhe: quase todos de Terceira Idade, caminhando para a Quarta. O que presenciei deveria ser interpelado por um tribunal de direitos humanos da ONU.

Segura na mão de Deus, mas não muito

Segura na mão de Deus, mas não muito

Amanda foi das poucas garotas que cogitei me amarrar. Já tinha até ficado com outras mais chamativas. Mas quando acontece a tal da química, não tem acordo: a pessoa é aquela e ponto. Certos disso iniciamos uma conversa séria sobre viver sob o mesmo teto. Eu sabia o que queria, no meu pensamento então era casar logo. No padre, no civil, tudo bonitinho. Só que a Amanda achava besteira.

O bullying que mudou minha vida

O bullying que mudou minha vida

Como alguém vira humorista? Não sei como os outros transformam-se nos bobos da corte da sociedade, mas posso lhes contar o meu processo. Estávamos num ônibus de excursão indo, com colegas da quinta série, para a nossa primeira viagem sem os pais. O futuro era alvissareiro, o ônibus das meninas viajava na frente do nosso e não havia aula de Educação, Moral e Cívica nas próximas horas.