Autor: Amanda Silva

Reese Witherspoon na Netflix é o remédio certo pra um dia de energia baixa Divulgação / Rede Globo

Reese Witherspoon na Netflix é o remédio certo pra um dia de energia baixa

Dirigido por Andy Tennant e lançado em 2002, “Doce Lar” dura 109 minutos e segue o conforto do gênero, sem promessa de surpresa. A história coloca uma designer instalada em Nova York diante de uma volta ao interior do Alabama para resolver um divórcio e liberar um novo casamento. Entre viagem, encontros que se repetem e conversas que não encerram, o filme alonga a tarefa e cobra energia da protagonista. Quando a trama desacelera e deixa a atriz reagir com corpo e silêncio, a sessão fica mais firme.

Na Netflix, um ganhador do Oscar tratado como “filme do século” — e um dos romances mais importantes do cinema Divulgação / Focus Features

Na Netflix, um ganhador do Oscar tratado como “filme do século” — e um dos romances mais importantes do cinema

Bob Harris chega a Tóquio para gravar um comercial de uísque e paga com o corpo desregulado pelo horário. Charlotte acompanha o marido fotógrafo, descrito como workaholic, e passa longos períodos sozinha porque ele a deixa assim o tempo todo. Os dois entram na mesma rotina de insônia e se esbarram por acaso no bar de um hotel de luxo, com copo, balcão, cadeira e mesa virando ponto de espera. A amizade se forma rápido e a conta aparece sempre no mesmo lugar, no tempo: noite depois de noite sem dormir, energia baixa de dia e mais horas paradas dentro do hotel.

Pouca gente viu, mas é um dos filmes mais bonitos dos últimos 2 anos — e está no Prime Video Divulgação / Sony Pictures Classics

Pouca gente viu, mas é um dos filmes mais bonitos dos últimos 2 anos — e está no Prime Video

Em “Camponeses”, Jagna, uma jovem polonesa, é obrigada a casar com um fazendeiro muito mais velho e rico, mesmo com vontade de trilhar o próprio caminho no cenário difícil do final do século 19. A vila onde vive gira em fofocas e disputas, com uma população profundamente patriarcal e orgulhosa da terra, e isso cobra horas sempre que ela tenta sair do lugar previsto para ela. Dirigido por DK Welchman e Hugh Welchman, o filme é a segunda animação pintada a óleo da dupla e divide a trama ao longo de um ano, em quatro partes correspondentes às estações, mantendo o calendário como referência enquanto a personagem tenta abrir espaço.

O filme da HBO Max que faz a fila virar vilã: quando “formar família” parece um processo infinito Divulgação / Oh My Gomez! Films

O filme da HBO Max que faz a fila virar vilã: quando “formar família” parece um processo infinito

Camila Sosa Villada vive um período de grande sucesso e decide organizar uma casa com o noivo, advogado recém-formado, num plano que só anda quando os dois sentam, conferem e voltam a sair. A adoção entra como checklist, com requisito que precisa bater, documento que precisa aparecer e retorno marcado quando falta uma linha, com tempo consumido em espera e repetição do trajeto. O conservadorismo citado na história se traduz em recusa e demora, com o casal ouvindo “não” e voltando em outro dia. Quando seguem para a casa natal dela, a rotina muda de endereço, com mala, carro e horas que somem na estrada antes mesmo de qualquer conversa começar.

Chegou ao Prime Video: a história real tão absurda que parece ficção (e é viciante) Divulgação / Sony Pictures Releasing

Chegou ao Prime Video: a história real tão absurda que parece ficção (e é viciante)

Em uma cidade litorânea inglesa dos anos 1920, cartas anônimas cheias de ofensa e grosseria viram assunto de rua, viram caso de polícia e acabam em tribunal. “Pequenas Cartas Obscenas”, dirigido por Thea Sharrock, encadeia esse alvoroço com foco em gente que precisa acordar cedo, trabalhar, cuidar de filho e ainda sobrar energia para se defender em público. A cada nova carta, alguém atravessa a rua, bate à porta de um vizinho e entrega parte do intervalo de almoço só para confirmar o boato do dia.