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Zakhar Berkut (Robert Patrick) precisa proteger sua comunidade nas montanhas dos Cárpatos, no século 18, quando um exército mongol avança sobre a região. Ao lado da mulher, Rada (Alison Doody), ele busca apoio para defender os moradores e impedir a conquista da aldeia. O pedido de ajuda, porém, envolve um nobre que pretende estabelecer suas próprias condições. Em “O Voo do Falcão”, dirigido por Akhtem Seitablaev e John Wynn, a ameaça de invasão se mistura a uma disputa de autoridade e a um romance que complica uma aliança necessária.

A premissa tem os ingredientes conhecidos da aventura medieval. Há uma comunidade em perigo, um comandante empenhado em conquistar terras e jovens apaixonados com problemas maiores do que conseguir alguns minutos a sós. O interesse está na maneira pela qual esses assuntos se cruzam. Enquanto Zakhar procura proteção para os moradores, seu filho se aproxima da filha do homem de quem todos esperam auxílio. O risco de perder a casa passa a conviver com o risco de desagradar ao possível aliado.

A ajuda tem suas condições

Zakhar e Rada enviam os filhos, Ivan (Rocky Myers) e Maksim (Alex MacNicoll), à procura de Tugar Volk (Tommy Flanagan), um nobre rico que pode colaborar na defesa da região. Os irmãos precisam convencê-lo a apoiar os aldeões contra as forças mongóis. A diferença entre os dois grupos já torna essa aproximação delicada. Para a família Berkut, a prioridade é preservar a comunidade. Tugar chega à conversa acostumado aos privilégios de sua posição.

Essa dependência dá algum peso ao drama. Os moradores precisam de ajuda antes que os invasores cheguem, mas pedir proteção também significa ficar sujeito às exigências de quem dispõe de mais recursos. Tugar ocupa esse espaço desconfortável entre o aliado desejado e o homem que deseja ser obedecido. Sua participação interessa porque a ameaça externa, por mais grave que seja, não apaga as desigualdades entre aqueles que deveriam enfrentá-la juntos.

O roteiro ganha força quando mantém essas necessidades próximas. Zakhar tem pessoas para proteger, os filhos recebem uma missão e o nobre pode oferecer o apoio necessário. São objetivos fáceis de acompanhar. O problema está em acomodar vontades tão diferentes numa colaboração da qual depende a segurança de uma aldeia inteira.

Um namoro desagrada ao pai

Maksim se aproxima de Myroslava (Poppy Drayton), filha de Tugar, depois que os dois sobrevivem a uma situação perigosa. A experiência compartilhada favorece uma atração que o pai da jovem reprova. Ele promete defender os moradores contra os mongóis, mas proíbe o relacionamento. Aceita ajudar a família do rapaz, desde que essa proximidade não chegue à própria filha.

É uma contradição que dispensa grandes discursos. Tugar quer participar das decisões sobre a defesa da região e também determinar com quem Myroslava pode se envolver. Para Maksim, a visita em busca de auxílio traz uma dificuldade adicional. O homem cuja cooperação ele precisa preservar é também aquele que pretende afastá-lo da jovem.

O romance segue um caminho familiar, com paixão contrariada e diferenças sociais atravessando as escolhas do casal. Falta surpresa nesse arranjo, mas sua ligação com o pedido de proteção dá ao namoro uma importância que ultrapassa os dois apaixonados. Uma briga entre pai e filha pode prejudicar a relação entre famílias que precisam colaborar. Em circunstâncias menos perigosas, seria assunto doméstico. Com tropas a caminho, sobra pouca margem para desavenças.

Um conquistador também precisa responder

Do outro lado está Burunda Khan (Tserenbold Tsegmid), comandante mongol que avança para o oeste em busca de novas terras. Ele dispõe de um exército e ameaça uma população ocupada em defender o lugar onde vive. A desigualdade entre essas forças estabelece o perigo sem exigir que o espectador conheça a história da região.

Burunda, entretanto, também enfrenta perguntas dos próprios guerreiros sobre os motivos e a estratégia da campanha. Esse detalhe acrescenta algum atrito à figura do chefe militar. Dar ordens não o livra de responder aos homens que terão de cumpri-las. Enquanto Zakhar depende da cooperação de um nobre, o invasor precisa sustentar suas escolhas dentro das próprias fileiras.

A oposição entre os líderes é bastante marcada. Um procura preservar sua comunidade, o outro pretende conquistar territórios. Tugar acrescenta uma terceira preocupação, ligada à defesa de sua autoridade e de seus privilégios. São personagens apresentados por funções reconhecíveis, o que facilita a compreensão, embora limite as ambiguidades. O interesse cresce quando suas exigências atingem pessoas com menos poder para decidir.

Entre a família e a aldeia

Sob a direção de Seitablaev e Wynn, a aventura tem seu ponto mais interessante nessa sobreposição de responsabilidades. Maksim precisa ajudar os pais, atender às necessidades dos moradores e lidar com a proibição de Tugar. Myroslava se vê diante de um pai que tenta interferir em sua vida afetiva enquanto oferece apoio à família do rapaz. O perigo militar torna cada atrito mais difícil de deixar para depois.

A construção é convencional, sobretudo no romance e na distribuição dos papéis entre o líder comunitário, o nobre autoritário e o conquistador. Ainda assim, há uma boa questão por trás do pedido de socorro. Até onde uma comunidade consegue escolher seus aliados quando precisa deles para sobreviver?

Zakhar procura apoio porque há famílias expostas ao avanço dos soldados. Maksim busca a colaboração de Tugar, mas se envolve com Myroslava e recebe uma proibição. Entre a defesa da aldeia e as exigências do nobre, o jovem passa a depender da ajuda de quem quer mantê-lo longe da própria filha.


Filme: O Voo do Falcão
Diretor: Akhtem Seitablaev e John Wynn
Ano: 2019
Gênero: Ação/Drama/História
Avaliação: 3.5/5 1 1
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