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Ty Hackett (Columbus Short) volta da guerra do Iraque e tenta sustentar o irmão mais novo trabalhando numa transportadora de valores nos Estados Unidos. Endividado após a morte dos pais, ele aceita participar de um roubo organizado pelos próprios colegas, que prometem realizar o golpe sem ferir ninguém. Essa garantia bastante duvidosa coloca o veterano em apuros em “Assalto ao Carro Blindado”, suspense de 2009 dirigido por Nimród Antal.

O emprego deveria ajudar Ty a recuperar alguma estabilidade. Ele precisa pagar as despesas da casa e cuidar de Jimmy (Andre Kinney), um adolescente que também enfrenta a ausência dos pais. O salário, porém, mal acompanha as cobranças. Enquanto tenta assumir o papel de responsável pela família, o rapaz convive com a ameaça de perder a moradia e de não conseguir manter o irmão sob seus cuidados.

Antal dedica tempo a essas dificuldades antes de apresentar a proposta criminosa. A preparação pesa um pouco a mão nas desgraças do protagonista, mas estabelece o que ele pode perder. Ty precisa de dinheiro para conservar uma vida bastante modesta. Quando surge a oferta de uma fortuna, sua resistência passa a disputar espaço com contas que continuam vencendo.

Um convite de quem inspira confiança

Na transportadora, Ty conta com o apoio de Mike Cochrane (Matt Dillon), um homem próximo da família e experiente no serviço. Mike conhece sua situação financeira e ocupa um lugar confortável para oferecer conselhos. Dillon aproveita essa familiaridade para construir um personagem cuja autoridade depende tanto do convívio quanto da segurança com que fala.

É Mike quem apresenta o plano de desviar 42 milhões de dólares transportados em dois carros-fortes. Os funcionários ficariam com o dinheiro e alegariam ter sofrido um assalto. Como conhecem os procedimentos da empresa, acreditam possuir as informações necessárias para enganar os responsáveis pela carga.

A proposta tem um apelo perverso para Ty. Todos os dias, ele ajuda a proteger quantias capazes de resolver suas dificuldades, mas volta para casa sem conseguir pagar as próprias despesas. Mike se aproveita dessa proximidade entre o dinheiro disponível no trabalho e a falta dele na vida do colega. Para completar o recrutamento, oferece a promessa de que ninguém sairá machucado.

Ty aceita sob essa condição. O problema é que Mike está garantindo o comportamento de vários homens armados, além de presumir que nada imprevisto acontecerá durante um roubo milionário. Há contratos de telefonia com garantias mais convincentes.

Colegas de trabalho, parceiros de crime

O grupo inclui Baines (Laurence Fishburne), Quinn (Jean Reno), Palmer (Amaury Nolasco) e Dobbs (Skeet Ulrich). Eles compartilham a rotina profissional e conhecem o transporte de valores, o que dá alguma credibilidade à preparação do golpe. Essa experiência, entretanto, oferece pouca segurança sobre o que cada um fará quando o dinheiro estiver ao alcance.

Fishburne confere a Baines uma presença intimidadora, enquanto Dillon mantém Mike próximo o suficiente de Ty para tornar a adesão do novato compreensível. A relação entre os dois sustenta boa parte do interesse. O homem que oferece ajuda também pede ao protagonista que arrisque o emprego, a liberdade e a convivência com o irmão.

Os demais participantes recebem menos atenção. Reno, Nolasco e Ulrich ajudam a dar personalidade à equipe, mas o roteiro oferece pouco espaço para conhecer suas vidas ou distinguir suas razões para aderir ao assalto. A distribuição é desigual. Ty carrega uma história familiar detalhada, enquanto alguns colegas parecem existir quase exclusivamente para completar o número de envolvidos.

Essa diferença deixa o grupo menos interessante do que o elenco permitiria. Ainda assim, a presença dos atores acrescenta peso às relações de trabalho. São homens que precisam confiar uns nos outros para cumprir o expediente e que decidem estender essa confiança a um crime de grandes proporções.

A segurança vira um problema

Antal tira proveito dos veículos blindados e dos ambientes industriais para restringir a movimentação dos personagens. Portas pesadas, compartimentos fechados e passagens estreitas tornam cada deslocamento relevante. Os equipamentos usados para proteger a carga também impõem dificuldades a quem pretende se apropriar dela.

Nessas situações, “Assalto ao Carro Blindado” ganha força. O diretor mantém a atenção em tarefas concretas e permite acompanhar o que os participantes precisam fazer. O suspense depende da proximidade entre os homens, das armas disponíveis e da dificuldade de preservar um acordo quando cada pessoa tem algo diferente a perder.

A fragilidade está na confiança excessiva dos assaltantes. Profissionais habituados a procedimentos de segurança deveriam considerar mais possibilidades antes de apostar numa operação tão arriscada. Algumas escolhas pedem uma boa dose de tolerância do espectador. A competência demonstrada no trabalho nem sempre acompanha o planejamento criminoso.

Um protagonista com algo a perder

Columbus Short sustenta Ty sem transformá-lo num herói invulnerável. Sua atuação combina o cansaço de quem enfrenta despesas acumuladas com o desconforto de aceitar uma proposta que contraria suas convicções. O passado militar ajuda a explicar sua capacidade de agir sob pressão, mas é a responsabilidade por Jimmy que torna suas escolhas mais próximas.

Há certa previsibilidade na construção desse homem decente cercado por parceiros menos confiáveis. O roteiro insiste tanto em suas dificuldades que quase prepara uma defesa antecipada para sua participação no roubo. Short, contudo, preserva alguma humanidade no personagem ao manter a preocupação com o irmão acima da expectativa de enriquecimento.

As limitações do plano permanecem visíveis, assim como o desperdício de parte do elenco. Mesmo assim, a situação de Ty sustenta o suspense. Ao aceitar o convite de Mike, ele coloca em risco o salário, a casa e a liberdade de voltar para o irmão depois do expediente.


Filme: Assalto ao Carro Blindado
Diretor: Nimród Antal
Ano: 2009
Gênero: Ação/Crime/Drama/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
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