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Em Londres, em 1862, o meteorologista James Glaisher (Eddie Redmayne) embarca em um balão pilotado por Amelia Wren (Felicity Jones) para estudar a atmosfera e buscar informações que ajudem a prever o tempo. Ele quer provar que suas pesquisas merecem a atenção dos colegas. Ela aceita voltar aos céus depois de perder o marido em um acidente de balonismo. Essa parceria sustenta “Os Aeronautas”, aventura de 2019 dirigida por Tom Harper, na qual uma expedição científica coloca duas pessoas diante de perigos para os quais nenhum entusiasmo oferece proteção suficiente.

James acredita que observar as condições atmosféricas em grandes altitudes pode trazer avanços à meteorologia. O problema começa antes da decolagem. Seus colegas recebem as propostas com descrença, e ele precisa obter dados para defender o trabalho. Disposição não lhe falta. Já a habilidade para convencer os outros deixa um pouco a desejar. Redmayne dá ao personagem uma seriedade quase irritante, adequada a um homem tão concentrado nos instrumentos que às vezes parece esquecer quem está ao seu lado.

Uma piloto com razões para hesitar

Amelia conhece os riscos que James ainda trata com excessiva confiança. Experiente no balonismo, ela carrega o sofrimento pela morte do marido e hesita em retomar os voos. Aceitar a expedição exige enfrentar essa lembrança, além de assumir a responsabilidade por um passageiro que conhece a teoria, mas depende dela para sair do chão.

Felicity Jones dá à piloto uma energia que torna sua presença agradável desde o começo. Amelia gosta de conquistar a plateia, tem desenvoltura e sabe transformar uma decolagem em espetáculo. Essa disposição, porém, convive com um receio que a atriz deixa surgir sem grandes demonstrações. A personagem consegue sorrir para o público enquanto enfrenta dúvidas que James, ocupado com a pesquisa, nem sempre leva em consideração.

John Trew (Himesh Patel), amigo do meteorologista, participa da aproximação entre os dois. Sua presença ajuda a apresentar a importância do projeto e a insistência de James, embora o centro da história permaneça com os passageiros do balão. A preparação estabelece uma diferença essencial entre eles. Para o pesquisador, subir representa a oportunidade de provar suas ideias. Para Amelia, significa retornar ao lugar onde viveu uma perda.

Dois temperamentos dentro da mesma cesta

Na partida, James se incomoda com a atenção que Amelia dedica aos espectadores. Ele quer começar as observações. Ela sabe que o balonismo também depende do interesse de quem acompanha a apresentação. A impaciência dele diante da desenvoltura dela rende uma graça discreta. É difícil formar uma dupla quando um dos envolvidos já chega achando que o outro está perdendo tempo.

Essa diferença ganha importância depois da decolagem. James precisa dos instrumentos e de boas condições para registrar informações. Amelia acompanha o voo e avalia os perigos. Dentro de uma cesta pequena, nenhum dos dois tem o luxo de ignorar o parceiro. O cientista pode dominar o assunto que deseja pesquisar, mas a piloto possui o conhecimento necessário para mantê-los no ar.

Jones e Redmayne tornam essa convivência convincente, sobretudo quando deixam a discordância aparecer em gestos e reações. A aproximação entre os personagens nasce da necessidade de trabalhar juntos. Há espaço para simpatia e afeto, mas o interesse está na confiança que precisam construir enquanto a distância do chão aumenta. Cada um terá de aceitar que o outro sabe algo que lhe falta.

As lembranças interrompem a viagem

Harper alterna a subida com passagens anteriores ao voo. Nessas lembranças, aparecem a resistência enfrentada por James e as razões da hesitação de Amelia. São informações importantes para compreender os personagens, embora a escolha nem sempre favoreça o ritmo. Quando a aventura nos céus começa a prender a atenção, uma volta ao passado pode dissipar parte da expectativa.

As cenas em terra também trabalham diferenças de personalidade bastante conhecidas. James é o pesquisador obstinado, pouco à vontade fora de seu campo. Amelia possui experiência, desenvoltura e uma ferida emocional. Os atores dão humanidade a esse desenho, mas algumas passagens poderiam ser mais breves. A convivência dentro do balão costuma dizer mais sobre os dois do que as conversas preparatórias.

A força da aventura cresce quando Harper permanece no ar. A paisagem é bonita, mas a beleza nunca apaga a fragilidade dos passageiros. Há pouco espaço, proteção limitada e uma enorme distância de qualquer ajuda. O diretor aproveita essa combinação para tornar desconfortável até uma tarefa simples. Basta acompanhar os movimentos de Amelia para lembrar que ali um passo mal calculado pode custar muito.

Quanto mais alto, maior o risco

James continua interessado nas observações enquanto o frio e o ar rarefeito começam a cobrar esforço dos corpos. A possibilidade de obter informações inéditas alimenta sua insistência. Amelia precisa considerar outra questão, igualmente concreta. Até onde eles podem continuar sem comprometer a segurança?

É nesse desacordo que Redmayne fica mais interessante. A determinação do cientista passa a conviver com uma vulnerabilidade que seus instrumentos não resolvem. Jones sustenta a atenção nos cuidados necessários para prosseguir, dando à piloto competência sem transformá-la em alguém imune ao medo. Amelia teme o que pode acontecer e, ainda assim, precisa trabalhar.

“Os Aeronautas” fica mais dinâmico nessas decisões do que nas passagens que procuram valorizar a importância da expedição. A pesquisa tem seu mérito, mas são os passageiros expostos ao frio que tornam a aventura envolvente. Harper obtém tensão ao acompanhar o esforço de Amelia e a insistência de James, preservando o interesse pelo que ainda pode acontecer. Quando as condições pioram, o meteorologista precisa levantar os olhos dos instrumentos e prestar atenção em quem segura as cordas.


Filme: Os Aeronautas
Diretor: Tom Harper
Ano: 2019
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
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