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Em Los Angeles, o escritor Jackson Curtis (John Cusack) tenta salvar os filhos quando terremotos anunciam uma catástrofe capaz de destruir o planeta. A história se passa no ano que dá nome a “2012”, aventura de ficção científica lançada em 2009 e dirigida por Roland Emmerich. Enquanto Jackson procura uma saída para sua família, autoridades trabalham em segredo para garantir a sobrevivência de uma parcela da população. Ele precisa descobrir para onde fugir antes que ruas, aeroportos e cidades inteiras desapareçam.

Jackson está separado de Kate Curtis (Amanda Peet), tem dois filhos e ganha a vida dirigindo uma limusine. Sua carreira literária está longe de pagar as contas, e a convivência familiar também não anda bem. Kate vive com Gordon Silberman (Tom McCarthy), que participa da rotina das crianças e ocupa um espaço doloroso para o ex-marido. Antes de enfrentar o fim do mundo, Jackson já tem dificuldades suficientes tentando ser um pai presente.

John Cusack dá ao personagem uma simpatia meio atrapalhada, importante para sustentar uma aventura tão exagerada. Jackson não possui treinamento especial nem conhecimento científico. É um sujeito com problemas domésticos que, de repente, precisa tomar decisões das quais dependem as vidas dos filhos. Seu medo aproxima o espectador de uma destruição que, pelo tamanho, poderia deixar qualquer pessoa indiferente.

O aviso fica entre autoridades

A ameaça já vinha sendo investigada por Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor), um cientista que identifica alterações perigosas no interior da Terra. Na explicação proposta pela ficção, uma atividade solar incomum provoca o aquecimento do núcleo e compromete a estabilidade da crosta terrestre. Adrian leva a descoberta ao governo americano, que começa a preparar uma operação internacional de resgate.

O presidente Thomas Wilson (Danny Glover) participa dos preparativos, enquanto Carl Anheuser (Oliver Platt), chefe de gabinete da Casa Branca, se ocupa das decisões administrativas. Grandes embarcações, chamadas de arcas, são construídas para resistir ao desastre. O projeto, porém, permanece escondido da população. Quem conhece os planos tem tempo para se preparar. Os demais continuam trabalhando, viajando e fazendo compromissos para um futuro que talvez não exista.

Esse segredo dá à aventura uma preocupação mais interessante do que a simples contagem de prédios destruídos. Adrian quer salvar vidas, mas precisa trabalhar com autoridades que estabelecem critérios de acesso aos abrigos. Ejiofor transmite o desconforto de quem possui informações suficientes para reconhecer o perigo e pouca liberdade para decidir o destino das pessoas. Quando ele tenta interferir nos preparativos, esbarra na frieza de Anheuser, interpretado por Platt sem qualquer esforço para conquistar simpatia.

Um passeio termina em desconfiança

Jackson começa a suspeitar da gravidade da situação durante uma viagem com os filhos a Yellowstone. O que deveria ser uma oportunidade de aproximação familiar ganha um clima estranho diante das restrições de acesso e da presença de militares. Ali, ele conhece Charlie Frost (Woody Harrelson), um radialista convencido de que o mundo está prestes a acabar.

Charlie anuncia a catástrofe com um entusiasmo que seria mais adequado à divulgação de um festival de música. Harrelson aproveita essa inadequação para dar alguma leveza ao encontro, sem tornar confiável tudo o que o personagem diz. Jackson tem bons motivos para desconfiar daquele homem, mas os acontecimentos começam a dar peso aos seus avisos. Ouvir uma previsão absurda é uma coisa. Ver sinais dela durante um passeio com as crianças é outra bem menos confortável.

Emmerich usa essa descoberta para aproximar as duas partes da história. Nos gabinetes, os responsáveis pelo resgate discutem informações e preparativos. Fora deles, um pai reúne pistas incompletas e tenta descobrir o que fazer. Jackson não pode esperar por uma explicação oficial quando a segurança dos filhos já está ameaçada.

A cidade deixa de oferecer passagem

Quando os terremotos atingem Los Angeles, Jackson reúne a família e tenta chegar a um avião. O caminho se torna uma sucessão de ruas destruídas, construções desabando e desvios cada vez menos possíveis. A velha limusine entra numa situação para a qual nenhum fabricante pensaria em oferecer garantia.

Emmerich aposta no exagero sem economizar. Cada fuga acrescenta um perigo maior, e a distância entre os personagens e a morte frequentemente cabe em poucos segundos. Há diversão nessa ousadia, especialmente para quem aceita a proposta de uma aventura de catástrofe. Mas a repetição cobra seu preço. Depois de tantas escapadas improváveis, algumas cenas perdem força porque Jackson parece contar com uma reserva inesgotável de sorte.

A destruição também permite enxergar melhor a relação entre os adultos. Kate precisa proteger as crianças, Gordon participa da fuga e Jackson tenta assumir responsabilidades que antes cumpria com dificuldade. Amanda Peet dá consistência ao medo materno, embora receba menos espaço do que poderia. Quando ela reage aos riscos enfrentados pelos filhos, a urgência ganha uma dimensão que nenhum prédio caindo consegue oferecer sozinho.

Sobreviver exige conseguir acesso

A existência das arcas oferece esperança, mas saber que há um abrigo não garante passagem. Jackson precisa encontrar transporte, manter todos juntos e alcançar uma operação da qual sua família nunca foi convidada a participar. O esforço do escritor corre em paralelo às discussões de Adrian, que enfrenta decisões capazes de deixar muita gente para trás.

Laura Wilson (Thandiwe Newton), filha do presidente, integra esse ambiente de pessoas próximas ao poder. Sua presença ajuda a trazer uma preocupação pessoal para reuniões dominadas por cálculos e ordens. Ainda assim, o roteiro distribui tantos personagens e situações que algumas relações recebem atenção insuficiente. Emmerich costuma reservar mais tempo para outra fuga espetacular do que para uma conversa que daria maior espessura àquelas pessoas.

“2012” diverte mais quando assume sua vocação para o absurdo e mantém Jackson ocupado com necessidades reconhecíveis. Ele precisa buscar os filhos, conseguir um veículo, alcançar um avião e descobrir um lugar seguro. A explicação científica pede bastante tolerância, e o sentimentalismo pesa em algumas passagens. Cusack, porém, preserva a humanidade daquele pai assustado. Enquanto presidentes e cientistas discutem a sobrevivência da espécie, Jackson tenta garantir que seus filhos possam embarcar.


Filme: 2012
Diretor: Roland Emmerich
Ano: 2009
Gênero: Ação/Aventura/Ficção Científica
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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