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Lançado em 2023 e dirigido por Ben Wheatley, “Megatubarão 2” acompanha Jonas Taylor (Jason Statham), Jiuming Zhang (Jing Wu) e Meiying (Shuya Sophia Cai) numa missão até uma fossa oceânica cercada por criaturas pré-históricas e interesses criminosos. O grupo parte da base Mana One para investigar as profundezas, mas a viagem perde o caráter científico quando sabotadores bloqueiam a volta e transformam a pesquisa numa corrida pela sobrevivência.

Jonas continua ligado a operações contra crimes ambientais e também assume a responsabilidade por Meiying, filha de sua antiga companheira. A adolescente cresceu perto de laboratórios, barcos e histórias sobre megalodontes, por isso demonstra uma segurança que deixa Jonas permanentemente inquieto. Jiuming, irmão de Suyin, trabalha na Mana One e supervisiona Haiqi, uma megalodonte criada sob observação. Ele acredita que consegue manter algum controle sobre o animal, embora Jonas trate essa confiança com a cautela de quem já viu tubarões gigantes destruírem planos muito melhores.

A missão reúne cientistas e técnicos em submersíveis capazes de atravessar a camada que separa o oceano conhecido da fossa. Meiying embarca escondida, atitude que aumenta o peso da viagem para Jonas e Jiuming. O primeiro tenta protegê-la de tudo, enquanto o segundo aposta no preparo da jovem. Essa diferença entre os dois ajuda a história a respirar, pois Jason Statham e Jing Wu formam uma dupla agradável, séria quando precisa e levemente competitiva quando sobra espaço para uma piada.

O mergulho muda de rumo quando a equipe descobre uma operação clandestina de mineração. Os responsáveis pelo esquema querem impedir que a informação chegue à superfície e atacam os submersíveis. Sem comunicação estável, com veículos danificados e pouco tempo disponível, Jonas precisa guiar o grupo por uma área dominada pela pressão da água, pela escuridão e por animais que sobreviveram milhões de anos longe da presença humana.

A fossa vira uma armadilha

A parte mais interessante de “Megatubarão 2” está nesse trecho subaquático. Ben Wheatley trabalha com corredores estreitos, trajes pressurizados, portas bloqueadas e visibilidade restrita. O perigo não depende apenas do tamanho dos monstros. A falta de oxigênio, a distância da base e a dificuldade de comunicação deixam cada escolha mais arriscada. Quando uma máquina para ou uma passagem fecha, a equipe perde tempo e recursos que não podem ser recuperados.

Jonas assume a liderança porque conhece aquele ambiente e sabe que permanecer junto aos destroços oferece poucas chances. Jiuming usa o conhecimento científico para abrir caminhos e manter o grupo em movimento. Meiying, apesar das ordens, participa das decisões e mostra que não está ali apenas para ser resgatada. Shuya Sophia Cai dá firmeza à personagem, sem transformá-la numa heroína adulta em corpo adolescente. Ela continua vulnerável, mas também possui experiência suficiente para agir quando os adultos falham.

Na superfície, Mac (Cliff Curtis) e DJ (Page Kennedy) tentam descobrir o que ocorreu com a expedição. Os dois conhecem Jonas desde o primeiro filme e cumprem uma função importante na Mana One, buscando comunicação, identificando sabotagens e lidando com inimigos que já estão dentro da própria base. Cliff Curtis trabalha com sobriedade, enquanto Page Kennedy oferece leveza sem transformar a crise numa sequência de piadas.

Monstros e criminosos dividem espaço

O roteiro mistura duas ameaças. De um lado estão as criaturas pré-históricas, que seguem instintos e ocupam um território invadido pelos humanos. Do outro estão os responsáveis pela mineração, interessados em dinheiro e dispostos a eliminar testemunhas. A combinação funciona melhor quando os dois perigos pressionam Jonas ao mesmo tempo. Quando o filme se concentra apenas nos criminosos, porém, perde parte da força, já que os vilões têm pouca personalidade e objetivos bastante previsíveis.

Jason Statham mantém o mesmo tipo de presença que marcou o primeiro longa. Jonas resolve problemas físicos absurdos com uma expressão séria, recurso que torna as cenas mais divertidas. Ele salta, mergulha, pilota veículos e enfrenta animais enormes sem demonstrar espanto por muito tempo. A graça está nessa disciplina quase profissional diante do impossível. Jing Wu acompanha bem o ritmo e oferece a Jiuming uma confiança que às vezes parece coragem e, em outras, imprudência.

Haiqi também ganha importância porque escapa do controle e se torna uma ameaça difícil de localizar. A relação de Jiuming com a criatura mostra o limite de sua crença na ciência. Ele conhece o comportamento do animal, mas não pode obrigá-lo a seguir comandos num ambiente aberto. A fuga muda o equilíbrio da missão e acrescenta outro risco à equipe, que já lida com sabotadores, megalodontes selvagens e espécies desconhecidas.

Quando o perigo chega à praia

Depois da tensão na fossa, “Megatubarão 2” muda de escala e leva a ação para uma ilha turística. A produção troca o confinamento por praias cheias, embarcações, pontes e visitantes que não sabem o que se aproxima. O resultado é mais barulhento e menos controlado, com vários ataques ocorrendo quase ao mesmo tempo. Wheatley assume o absurdo e permite que Statham enfrente situações que desafiam qualquer noção razoável de segurança.

Essa segunda metade entrega o espetáculo esperado por quem procura tubarões gigantes, monstros marinhos e cenas de destruição. Também deixa evidente que o filme prefere movimento a aprofundamento. Personagens secundários entram e saem sem grande desenvolvimento, enquanto os vilões servem principalmente para empurrar Jonas de um perigo a outro. Ainda assim, a energia cresce quando humanos e criaturas disputam o mesmo espaço, pois a ilha oferece poucas rotas de fuga e muita gente para proteger.

“Megatubarão 2” é uma aventura exagerada, mas consciente do tipo de entretenimento que pretende oferecer. A primeira parte aposta no suspense das profundezas, enquanto a segunda libera o caos em terra firme. Ben Wheatley não transforma o material em algo sofisticado, porém organiza bem a passagem entre terror subaquático, ação e comédia. Jason Statham segura o filme com carisma e seriedade, Jing Wu acrescenta uma parceria eficiente e Shuya Sophia Cai dá ao perigo um vínculo emocional. Quando Jonas precisa escolher entre perseguir criminosos, proteger Meiying e impedir novos ataques, o longa mantém a história em movimento até a última corrida pela praia.


Filme: Megatubarão 2
Diretor: Ben Wheatley
Ano: 2023
Gênero: Ação/Aventura/Ficção Científica/Suspense/Terror
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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