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Dirigido por Ryūhei Kitamura, “A Protetora” começa com Ali Gorski (Ruby Rose) tentando deixar para trás uma missão militar marcada por perdas. De volta a Nova York, ela aceita um trabalho aparentemente modesto, o de porteira em um edifício sofisticado. A função parece simples, quase burocrática, mas logo coloca Ali no centro de uma invasão armada. O prédio guarda obras de arte valiosas, e um grupo de criminosos entra no local disposto a levar tudo, mesmo que isso custe vidas.

A escolha de colocar uma ex-militar na portaria é o primeiro acerto do filme. Ali não está ali por acaso, embora tente parecer apenas mais uma funcionária em busca de salário e rotina. Ela conhece protocolos, lê ameaças com atenção e sabe que um corredor pode virar armadilha em poucos segundos. Essa bagagem pesa quando Victor Dubois (Jean Reno), o chefe da quadrilha, chega ao edifício com homens armados, ordens precisas e uma paciência bem menor do que sua elegância sugere.

O assalto chega ao prédio

O plano dos criminosos gira em torno de obras de arte escondidas no edifício. Dubois (Jean Reno) não invade o lugar para assustar moradores por capricho. Ele quer acesso, silêncio e tempo. O problema é que a operação depende de funcionários, portas, elevadores e informações internas. Borz Blasevic (Aksel Hennie), que circula pelo prédio com familiaridade, torna a ameaça mais perigosa. Quando alguém de dentro conhece os hábitos do lugar, a segurança deixa de ser parede e passa a ser ilusão cara.

A tensão cresce quando a família de Jon Stanton (Rupert Evans) entra no caminho dos criminosos. Jon vive no edifício com os filhos, Max Stanton (Julian Feder) e Lily Stanton (Kíla Lord Cassidy), e carrega uma ligação pessoal com Ali. Essa relação dá ao filme um motivo mais forte do que a simples disputa por quadros. Ali precisa proteger pessoas que conhece, inclusive crianças que não têm qualquer preparo para lidar com armas, sequestro e gente violenta dentro de casa. O assalto deixa de ser apenas roubo e vira cerco.

Ali conhece o terreno

A partir do momento em que percebe o tamanho da ameaça, Ali (Ruby Rose) usa o próprio prédio a seu favor. Ela circula por escadas, corredores, passagens e áreas de serviço, sempre tentando ganhar segundos contra homens melhor armados. O filme funciona melhor quando aposta nesse espaço fechado. Não há grandes discursos, nem pose de heroína invencível. Ali apanha, improvisa, perde vantagem e volta a agir porque parar significaria entregar Jon (Rupert Evans), Max (Julian Feder) e Lily (Kíla Lord Cassidy) ao controle de Dubois.

Essa dinâmica dá a “A Protetora” um ar de ação à moda antiga, com gosto de filme feito para quem aceita alguns exageros em troca de ritmo e pancadaria em ambiente fechado. Há uma graça discreta na desproporção entre o luxo do edifício e a confusão que toma conta dele. O hall elegante, os apartamentos caros e os elevadores impecáveis viram cenário para tiros, perseguições e brigas pouco compatíveis com condomínio de alto padrão. Síndico nenhum sairia ileso dessa ata.

Jean Reno comanda a ameaça

Victor Dubois (Jean Reno) é o vilão que prefere controlar a situação antes de sujar as mãos, mas o roteiro o coloca diante de uma adversária que atrapalha seus planos de forma constante. Ele sabe o que procura e tenta manter seus homens dentro de uma lógica de roubo calculado. Só que cada ação de Ali atrasa a quadrilha, aumenta o risco de exposição e deixa o grupo mais agressivo. Quanto mais o edifício resiste, menos Dubois consegue sustentar a pose de criminoso refinado.

Borz Blasevic (Aksel Hennie) acrescenta uma camada mais incômoda à invasão. Ele não é apenas um capanga perdido no prédio. Sua presença mostra que a ameaça já estava infiltrada antes de as armas aparecerem. Isso ajuda a história a ganhar corpo, porque Ali não enfrenta somente força bruta. Ela também precisa lidar com traição, informação vazada e gente que sabe circular pelo mesmo espaço. Em um filme de ação simples, esse detalhe faz diferença e dá ao cerco um peso mais doméstico.

Ação simples, efeito eficiente

O filme sabe que sua força está na combinação entre uma protagonista treinada, um prédio cheio de esconderijos e uma família sem saída fácil. Ryūhei Kitamura trabalha com essa estrutura de maneira objetiva, alternando perseguições, brigas e momentos de ameaça aos reféns. Nem todas as cenas têm a mesma energia, e alguns diálogos chegam com certa rigidez. Ainda assim, a história mantém o interesse porque o perigo sempre tem endereço, porta e alguém tentando sobreviver atrás dela.

Ruby Rose segura o papel com presença física e pouco enfeite. Ali Gorski (Ruby Rose) não precisa convencer o público por frases heroicas. Ela convence quando age sob pressão, quando usa o treinamento militar para proteger os outros e quando transforma a portaria, símbolo de entrada e controle, no ponto onde a quadrilha começa a perder domínio. Jean Reno empresta autoridade a Dubois, enquanto Aksel Hennie faz de Borz uma figura desagradável na medida certa.

“A Protetora” entrega ação, suspense e um drama familiar simples, sem pedir ao espectador mais do que a disposição para acompanhar Ruby Rose correndo por corredores, enfrentando criminosos e tentando manter crianças vivas em um prédio tomado por ladrões de arte. Quando a história abraça essa simplicidade, funciona melhor. Ali entra pela portaria como funcionária recém-contratada e sai como a pessoa que impede o roubo de virar uma tragédia ainda maior.


Filme: A Protetora
Diretor: Ryūhei Kitamura
Ano: 2020
Gênero: Ação/Aventura/Crime/Drama/Suspense
Avaliação: 3/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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