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A ciência ainda não inventou uma fórmula para a juventude eterna, para a saúde infinita ou para a imortalidade. A humanidade pode apenas sonhar com isso. No entanto, a tecnologia se encarregou de guardar em dispositivos o máximo possível da existência humana. Telefones preservam mensagens de voz, aplicativos armazenam fotos e vídeos, além de mensagens e diários com nossos momentos mais importantes ao longo da vida.

Uma pessoa acaba de morrer, mas um story publicado há menos de 24 horas ainda mostra seus momentos finais antes de ser tocada pelo beijo eterno. A morte é quase sempre inesperada. Abrupta. Mesmo quando dá seus sinais, como a idade avançada ou a falta de saúde, é difícil aceitá-la, digeri-la, compreendê-la. Sair deste plano para outro, deixando para trás o corpo, é algo cruel para quem fica e precisa se redescobrir em um mundo sem aquela pessoa. A vida não para. O movimento da existência é constante. Mas, quando perdemos alguém, é difícil seguir no mesmo ritmo. Precisamos parar, respirar, entender, assimilar, sobreviver.

Uma irmã que continua presente

Em “Mensagens para Isabelle”, Zoey Deutch interpreta Jill, uma jovem chef de cozinha que se muda para San Francisco para tentar deslanchar profissionalmente, deixando para trás a irmã mais nova, Isabelle (Ciara Bravo), que luta há anos contra um câncer. Um dia, a pior das notícias chega. Isabelle, que era mais que uma irmã, mas uma amiga e confidente de Jill, não resiste e morre. Jill tenta se manter firme em busca dos seus sonhos enquanto precisa se reconstruir em um mundo onde a pessoa com quem ela mais se conectava não existe mais.

Sem conseguir superar a ausência, o consolo mora nas mensagens deixadas na caixa postal do telefone de Isabelle. Jill fala sobre seu trabalho, seus dias, seus encontros com rapazes. Meses se passam e ela ainda não se desapegou da ideia de compartilhar a rotina com a irmã falecida.

O desconhecido do outro lado da linha

Do outro lado da linha, não está mais Isabelle. O número passa a ser de Wes (Nick Robinson), um corretor imobiliário que comprou um telefone e começa a receber mensagens constantes de uma desconhecida em sua caixa postal. Sem saber ao certo quem são Jill e Isabelle, nem o que representam uma para a outra, Wes começa a ouvir os áudios com desabafos pessoais da chef de cozinha. Ele nunca atende as ligações e nem comunica Jill sobre a mudança da linha. Apenas permite que ela continue deixando suas mensagens, enquanto as escuta secretamente.

Um dia, Wes decide aparecer em um lugar mencionado por Jill em uma das mensagens deixadas na caixa postal. Ele a conhece pessoalmente e se apaixona. O relacionamento cresce, mas ele ainda não tem coragem de revelar a Jill que escuta seus desabafos para a irmã. Quando ela descobre a verdade, confronta Wes, e o relacionamento corre risco. Afinal, pode existir amor onde não há honestidade? Wes a conhecia muito antes de ela conhecê-lo e sabia detalhes de sua vida pessoal que não deveriam ter sido expostos. O que fazer diante disso?

Um romance sobre luto, escuta e vulnerabilidade

“Mensagens para Isabelle” é mais do que uma comédia romântica. Wes se apaixona por Jill por alguns motivos. Não apenas por achá-la atraente. As mensagens de Jill a Isabelle permitiram que ele a enxergasse como ela realmente é. Compreendeu suas paixões, ambições, medos e frustrações. Também viu nela a fragilidade de alguém que se permitiu amar verdadeiramente outra pessoa, a própria irmã, a ponto de não saber como abrir mão dela em sua vida, mesmo depois da morte.

Wes, a princípio, é mais um cara com medo de relacionamentos, porque tem medo de se expor a eles. Enxergar Jill de forma tão profunda o faz se sentir mais seguro, mesmo quando vulnerável.

O filme nos permite refletir sobre o luto, a superação, a busca de um sonho mesmo quando se está despedaçado por dentro, e a procura pelo amor em tempos líquidos, tempos de redes sociais, superficialidades e medo de demonstrar o que verdadeiramente se sente. “Mensagens para Isabelle” é um filme simples, mas tocante, delicado e honesto.


Filme: Mensagens Para Isabelle
Diretor: Leah McKendrick
Ano: 2026
Gênero: Comédia/Drama/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
Fer Kalaoun

Fer Kalaoun é editora na Revista Bula e repórter especializada em jornalismo cultural, audiovisual e político desde 2014. Estudante de História no Instituto Federal de Goiás (IFG), traz uma perspectiva crítica e contextualizada aos seus textos. Já passou por grandes veículos de comunicação de Goiás, incluindo Rádio CBN, Jornal O Popular, Jornal Opção e Rádio Sagres, onde apresentou o quadro Cinemateca Sagres.

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