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Thriller psicológico com Tommy Lee Jones na Netflix vai prender seu fôlego por 105 minutos

Thriller psicológico com Tommy Lee Jones na Netflix vai prender seu fôlego por 105 minutos

Dirigido por Bruce Beresford, com Ashley Judd, Tommy Lee Jones, Bruce Greenwood e Annabeth Gish, “Risco Duplo” começa com um barco, sangue e um desaparecimento. Libby Parsons sai para velejar com o marido, acorda sozinha, com uma faca na mão e sem o corpo de Nick por perto, e acaba condenada por um assassinato que o tribunal aceita mesmo sem cadáver. A situação é improvável. Beresford entende isso desde o início e trata o exagero menos como obstáculo do que como impulso para pôr a personagem em queda livre.

A primeira metade acompanha a desmontagem da vida de Libby. Ela perde o marido, a liberdade e o filho Matty, entregue à amiga Angela enquanto cumpre pena, e é justamente na prisão que descobre, ao telefone, que Nick está vivo e vivendo com os dois. Isso muda tudo. A condenação deixa de ser apenas erro judicial e passa a ser golpe íntimo, desenhado por alguém que conhecia seus hábitos, sua confiança e o modo como ela reagiria ao medo.

A partir daí, “Risco Duplo” troca o drama carcerário por uma perseguição movida a raiva e cálculo. Libby passa a agir sustentada por uma leitura errada da cláusula de dupla incriminação, convencida de que poderia matar Nick sem nova punição pelo mesmo crime, e o roteiro usa essa ideia mais como licença emocional do que como argumento jurídico. O erro permanece. Ainda assim, o filme ganha força porque concentra tudo na imagem de uma mulher enganada pelo marido, traída pela amiga e lançada para fora da própria vida.

Libby contra Travis e Nick

Tommy Lee Jones entra nesse arranjo como Travis Lehman, oficial de condicional encarregado de vigiar Libby quando ela deixa a prisão. É um papel familiar para ele. A familiaridade ajuda, porque sua figura seca, cansada e desconfiada serve de contrapeso à fúria de Ashley Judd, que faz da personagem uma mistura convincente de desamparo e obstinação. Enquanto Libby segue pistas que a levam até San Francisco, onde Nick, Angela e Matty vivem, Travis a acompanha como quem percebe que há ali mais do que simples violação de liberdade condicional.

Ashley Judd segura quase tudo o que importa. Sua Libby não é sofisticada, mas direta, ferida e impulsiva, e por isso atravessa barco, cela, condicional e ruas desconhecidas sem perder o centro emocional da história. Há raiva ali. Beresford não perde muito tempo tentando dar plausibilidade plena a cada curva do roteiro, e talvez faça bem. O seguro de vida de US$ 2 milhões, o desfalque ligado a Nick e a vida paralela que ele monta bastam para alimentar a sordidez prática de que o longa precisa.

Caçada, fraude e vingança

“Risco Duplo” não é um thriller elegante nem particularmente rigoroso. Também não precisa ser. Ao reunir barco, faca, sangue, prisão, condicional, seguro milionário, perseguição e traição doméstica, Beresford monta um suspense de movimento rápido, feito para seguir Ashley Judd enquanto ela tenta recuperar o filho e acertar contas com o homem que a enterrou em vida. Tommy Lee Jones mantém a tensão em circulação, e Bruce Greenwood dá a Nick a frieza necessária para que a raiva de Libby nunca pareça excessiva. No fim, ficam a água batendo no casco, o brilho frio da lâmina e a cidade acesa do outro lado da baía.

Filme: Risco Duplo
Diretor: Bruce Beresford
Ano: 1999
Gênero: Crime/Drama
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★