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O filme que marcou uma geração e passou décadas esquecido: de volta na Netflix Divulgação / Highlander Productions Limited

O filme que marcou uma geração e passou décadas esquecido: de volta na Netflix

Algumas histórias partem de uma ideia simples e poderosa: e se alguém pudesse viver para sempre, mas pagando o preço de assistir o mundo inteiro desaparecer ao seu redor? É exatamente essa pergunta que move “Highlander”, aventura de fantasia dirigida por Russell Mulcahy que transforma a imortalidade em uma disputa silenciosa atravessando séculos. No centro da trama está Connor MacLeod, interpretado por Christopher Lambert, um guerreiro escocês do século 16 que descobre, de forma brutal, que não pode morrer como os outros homens. O problema não é apenas sobreviver a ferimentos fatais. O verdadeiro choque vem quando ele percebe que continuará vivo enquanto todos ao redor envelhecem, desconfiam e eventualmente desaparecem de sua vida. A descoberta o empurra para uma existência solitária e cheia de perguntas que ninguém por perto consegue responder.

A virada acontece quando Connor encontra Juan Sánchez Villa-Lobos Ramírez, personagem de Sean Connery, um imortal experiente que reconhece imediatamente o que o jovem escocês está enfrentando. Ramírez não chega como um sábio distante ou um guia misterioso; ele assume um papel direto, quase prático, explicando as regras de um jogo antigo que Connor sequer sabia que existia. Entre treinos de espada e conversas francas, ele revela o ponto central dessa condição extraordinária: imortais podem viver por séculos, mas não são invencíveis. Existe uma única forma de derrotá-los. Essa revelação muda tudo para Connor, que percebe que sua nova vida não será apenas longa, mas também perigosa.

A partir daí, “Highlander” acompanha Connor atravessando diferentes períodos da história enquanto tenta se adaptar ao mundo que muda ao seu redor. O personagem de Christopher Lambert passa por guerras, cidades modernas e identidades diferentes, sempre carregando o mesmo desafio: manter sua natureza em segredo e evitar confrontos desnecessários com outros imortais. A cada nova etapa da vida, ele tenta construir algo parecido com normalidade, mas a própria condição o empurra para longe das pessoas comuns. O tempo passa, as cidades mudam, as relações acabam, e Connor continua ali, praticamente igual, observando o século virar enquanto carrega uma experiência que ninguém ao redor consegue compartilhar.

Mas viver discretamente não é uma opção eterna. Em algum momento surge alguém disposto a transformar essa existência longa em uma verdadeira caça. É aí que entra o Kurgan, interpretado por Clancy Brown, um antagonista que parece enxergar a imortalidade de maneira completamente diferente. Enquanto Connor tenta sobreviver e seguir em frente, o Kurgan trata cada encontro com outro imortal como uma oportunidade de dominação. Ele é impulsivo, provocador e claramente interessado em eliminar adversários um a um. A presença dele altera o equilíbrio da história porque coloca Connor diante de uma ameaça que não pode ser simplesmente ignorada ou evitada.

O interessante em “Highlander” é que, por trás das lutas de espada e da fantasia, existe uma história muito humana sobre passagem do tempo. Connor MacLeod não é um herói tradicional que sai em busca de aventuras. Muitas vezes ele parece apenas um homem tentando encontrar algum sentido em uma vida que não termina. Christopher Lambert interpreta o personagem com uma mistura curiosa de melancolia e resistência silenciosa, como alguém que aprendeu a continuar seguindo em frente mesmo quando as décadas se acumulam sem aviso.

Sean Connery, por sua vez, rouba várias cenas como Ramírez, trazendo leveza e um certo humor elegante para o papel do mentor. Ele aparece com autoridade natural, mas também com uma energia quase divertida, como alguém que já viu séculos de história e decidiu aproveitar o que ainda resta do caminho. Já Clancy Brown cria um vilão memorável com o Kurgan, um personagem intenso que transforma cada aparição em um momento de tensão.

Russell Mulcahy conduz tudo com estilo visual marcante, alternando momentos históricos com cenas ambientadas no mundo contemporâneo da época. Essa mistura ajuda a reforçar a sensação de que Connor está preso entre diferentes eras, carregando experiências que pertencem a séculos distintos. O resultado é um filme que não tenta ser apenas uma aventura de espada, mas uma história sobre memória, sobrevivência e escolhas difíceis.

Mesmo décadas depois de seu lançamento, “Highlander” continua sendo lembrado justamente por essa combinação inesperada de fantasia, ação e melancolia. A ideia de imortais vivendo escondidos entre nós poderia facilmente virar apenas espetáculo, mas o filme encontra espaço para mostrar o peso emocional dessa existência. Connor MacLeod atravessa o tempo, aprende com aliados improváveis como Ramírez e precisa lidar com inimigos perigosos como o Kurgan. O que mantém a história envolvente não é apenas a promessa de batalhas épicas, mas a curiosidade constante sobre como alguém pode continuar vivendo quando o mundo inteiro muda ao redor.

Filme: Highlander
Diretor: Russell Mulcahy
Ano: 1986
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.