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Uma das adaptações de Jane Austen mais amadas de todos os tempos, agora no Prime Video Divulgação / BBC

Uma das adaptações de Jane Austen mais amadas de todos os tempos, agora no Prime Video

Antes do enorme sucesso da versão de Joe Wright de “Orgulho e Preconceito”, Andrew Davies e Simon Langton já haviam levado o romance de Jane Austen às telas numa adaptação que se tornou um fenômeno cultural. Exibida pela BBC, a minissérie “Orgulho e Preconceito”, alcançou cerca de 10 milhões de espectadores por episódio no Reino Unido e conquistou uma geração ao dar corpo e forma a um dos casais mais icônicos da literatura: Elizabeth Bennet e Mr. Darcy.

A segunda mais velha de cinco irmãs, Elizabeth (Jennifer Ehle) vive com a família Bennet em Longbourn, propriedade rural situada em Hertfordshire, no interior da Inglaterra. Prestes a completar 21 anos, ela vê a rotina da pequena comunidade se agitar com a chegada do abastado Sr. Bingley (Crispin Bonham-Carter). Jovem, rico e solteiro, ele imediatamente se torna o centro das atenções, sobretudo para a Sra. Bennet, determinada a lhe apresentar sua filha mais velha e reconhecidamente mais bela, Jane (Susannah Harker), em um baile local.

As demais irmãs também alimentam expectativas para a noite, afinal, um bom casamento representa estabilidade e posição social. Elizabeth, porém, resiste à lógica apressada da conveniência. Não que despreze o amor, ao contrário, mas recusa a ideia de que a fragilidade financeira da família deva ditar sua escolha. Os Bennet não são pobres: possuem casa, criados e pertencem à pequena nobreza rural. Ainda assim, a segurança delas é passageira.

O chamado sistema de entail determinava que a propriedade fosse herdada exclusivamente por homens da linhagem. As filhas recebiam apenas um dote modesto, enquanto o parente masculino mais próximo assumia os bens, ainda que fosse um primo distante. No caso dos Bennet, o herdeiro é o Sr. Collins, primo do Sr. Bennet. Com o pai já envelhecido e sem filhos homens, o futuro das jovens depende diretamente das alianças matrimoniais.

Diante de um futuro incerto, a ansiedade da Sra. Bennet deixa de ser mero capricho e revela um temor real: garantir que as filhas não fiquem desamparadas após a morte do pai. Elizabeth, contudo, é a única que não permite que o medo comprometa sua dignidade. Ela recusa o pedido pragmático do Sr. Collins e também rejeita, num primeiro momento, o enigmático Sr. Darcy (Colin Firth), amigo íntimo de Bingley, cuja pouca sociabilidade e arrogância provocam imediata antipatia.

Os primeiros encontros entre Darcy e Elizabeth são marcados por impressões desfavoráveis. Ele se sente atraído por ela, mas julga sua família exagerada e socialmente inadequada. Ela o vê como arrogante, orgulhoso e pouco amável. A chegada do oficial George Wickham (Adrian Lukis) aprofunda o mal-entendido ao lançar suspeitas sobre o caráter de Darcy. Elizabeth, convicta, fecha-se ainda mais.

Colin Firth constrói um Darcy que se tornou icônico para muitos espectadores: um homem dividido entre o orgulho e a vulnerabilidade emocional, apaixonado, mas incapaz de demonstrar afeto sem tropeçar na própria altivez. Já Jennifer Ehle interpreta Elizabeth com delicadeza: tem respostas afiadas, é observadora e elegante. Sua recusa não nasce de romantização ingênua, mas de um princípio inegociável: casar-se sem respeito seria perder a si mesma.

Se comparada à Elizabeth de Keira Knightley na versão cinematográfica de 2005, a de Ehle é mais polida e estrategicamente consciente das regras sociais. Knightley aposta numa energia mais espontânea e impulsiva; Ehle privilegia o controle e a ironia refinada. A estética acompanha essa diferença. A minissérie da BBC mantém composição clássica e fotografia equilibrada, enquanto o filme de Wright adota textura mais crua, vestidos sujos de lama e atmosfera rural menos romantizada.

Embora diferentes em tom e proposta visual, ambas as versões dialogam entre si e contribuíram para consolidar o imaginário contemporâneo em torno de Austen. A minissérie de 1995 continua sendo um marco televisivo, não apenas por sua fidelidade narrativa, mas pela maneira como transformou um romance do século 19 em experiência dramática viva, intensa e culturalmente duradoura.

Filme: Orgulho e Preconceito
Diretor: Simon Langton
Ano: 1995
Gênero: Drama/Épico/Romance
Avaliação: 10/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fer Kalaoun

Fer Kalaoun é editora na Revista Bula e repórter especializada em jornalismo cultural, audiovisual e político desde 2014. Estudante de História no Instituto Federal de Goiás (IFG), traz uma perspectiva crítica e contextualizada aos seus textos. Já passou por grandes veículos de comunicação de Goiás, incluindo Rádio CBN, Jornal O Popular, Jornal Opção e Rádio Sagres, onde apresentou o quadro Cinemateca Sagres.