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O terror mais pavoroso do cinema desde “O Exorcista”, no Prime Video Divulgação / Metrol Technology

O terror mais pavoroso do cinema desde “O Exorcista”, no Prime Video

Em “Fale Comigo”, dirigido por Danny Philippou e Michael Philippou, a moda entre adolescentes é simples e assustadora: segurar uma mão embalsamada, dizer duas frases e permitir que um espírito tome conta do corpo por alguns segundos. A regra é clara, o cronômetro é respeitado, os amigos filmam tudo. O que começa como espetáculo de festa rapidamente ganha outro peso quando Mia, vivida por Sophie Wilde, decide participar justamente no aniversário de morte da mãe. Ela não entra apenas pela adrenalina; entra porque quer sentir alguma coisa que a conecte de novo ao que perdeu.

Sophie Wilde carrega o filme nas costas com uma entrega intensa e muito humana. Mia é impulsiva, vulnerável e claramente à deriva dentro da própria casa. Sue, interpretada por Miranda Otto, tenta manter alguma ordem e proteger a filha, mas percebe que há algo escapando ao seu controle. Do outro lado está Jade, vivida por Alexandra Jensen, dividida entre a amizade e a responsabilidade com o irmão mais novo, Riley, interpretado por Joe Bird. Quando Riley também decide participar do ritual, a linha entre brincadeira e perigo se rompe de vez.

O roteiro é direto e não perde tempo explicando demais. A mão embalsamada circula como um objeto proibido que dá status e coragem instantânea. Os adolescentes riem, gravam vídeos, se provocam. Há uma energia quase eufórica nas primeiras sessões, e isso torna tudo mais inquietante. A sensação é de que ninguém ali acredita realmente que algo grave possa acontecer. Só que o filme não demora a mostrar que cada segundo a mais segurando a mão cobra um preço.

A partir do momento em que o limite é ultrapassado, o clima muda. O que antes era performance vira ameaça concreta. Mia, que buscava consolo, passa a lidar com consequências que não consegue controlar. Ela insiste, arrisca, testa fronteiras emocionais e físicas. E quanto mais tenta recuperar aquilo que acha ter encontrado do outro lado, mais se afasta das pessoas que ainda estão ali, tentando ajudá-la.

O terror aqui funciona menos como susto gratuito e mais como pressão constante. Os diretores mantêm a câmera próxima dos rostos, prolongam o tempo de espera, fazem cada contagem regressiva parecer uma aposta arriscada. Não há discurso moral nem explicação didática. Há escolhas. E cada escolha altera a posição de alguém dentro daquele grupo e dentro da própria casa.

Miranda Otto traz uma autoridade silenciosa à personagem de Sue, representando o mundo adulto que tenta interditar o acesso ao objeto quando percebe que a situação fugiu do controle. Já Joe Bird entrega momentos difíceis como Riley, deixando claro que a curiosidade adolescente pode custar caro demais. Alexandra Jensen equilibra firmeza e medo como Jade, alguém que percebe antes dos outros que aquilo não é apenas diversão.

“Fale Comigo” é um terror que entende o luto como porta de entrada para o perigo. Mia não está apenas brincando com espíritos; ela está negociando com a própria dor. E o filme acerta ao mostrar que o desejo de ouvir uma última vez quem já se foi pode nos empurrar para decisões cada vez mais arriscadas. Sem apelar para explicações excessivas ou reviravoltas gratuitas, a história mantém a tensão até o fim, sempre lembrando que certas portas, depois de abertas, exigem muito mais do que coragem para serem fechadas.

Filme: Fale Comigo
Diretor: Danny Philippou e Michael Philippou
Ano: 2022
Gênero: Suspense/Terror
Avaliação: 10/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.