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Tom Hanks e Meryl Streep em thriller histórico de Steven Spielberg, no Prime Video Divulgação / Dreamworks Pictures

Tom Hanks e Meryl Streep em thriller histórico de Steven Spielberg, no Prime Video

Quando publicar a verdade pode colocar um império inteiro em risco, cada palavra impressa vira um ato de coragem calculada. “The Post: A Guerra Secreta” acompanha esse momento delicado a partir de duas figuras centrais: Katharine Graham, vivida por Meryl Streep, e Ben Bradlee, interpretado por Tom Hanks, sob a direção autoconfiante de Steven Spielberg. Ela é a dona do The Washington Post e está prestes a colocar o jornal na Bolsa de Valores para garantir estabilidade financeira; ele é o editor que quer transformar o Post em referência nacional. O choque entre prudência empresarial e ousadia jornalística move a história.

Katharine não é apresentada como heroína pronta. Ela herdou o jornal, lida com conselheiros experientes e sente o peso de cada decisão, porque qualquer passo em falso pode afetar investidores e comprometer o futuro da empresa. Streep constrói essa tensão com sutileza, mostrando uma mulher inteligente que ainda mede o próprio espaço em reuniões dominadas por homens. Já Bradlee, de Tom Hanks, é direto, competitivo e inquieto. Ele enxerga nos documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã uma chance concreta de elevar o jornal ao mesmo patamar do The New York Times. Para ele, é uma questão de relevância e responsabilidade.

Quando esses documentos chegam à redação, o clima muda. Não se trata apenas de publicar uma grande reportagem, mas de enfrentar o governo dos Estados Unidos, que tenta barrar a divulgação com base na Lei de Espionagem. A ameaça é real: processo, prejuízo financeiro, possível desgaste público. Spielberg transforma salas de reunião, corredores e telefones tocando em elementos de suspense. Não há perseguições nem explosões, mas há urgência, prazos apertados e decisões que precisam ser tomadas antes que outra ordem judicial apareça.

O que mais impressiona é como o filme mostra o conflito interno de Katharine Graham. Ela precisa decidir se protege a empresa no momento da abertura de capital ou se autoriza a publicação e assume o risco. Não é uma escolha abstrata sobre liberdade de imprensa; é algo que pode custar dinheiro, reputação e estabilidade. Meryl Streep dá humanidade a cada hesitação, a cada silêncio antes de falar. Tom Hanks, por sua vez, sustenta a energia da redação, defendendo que o jornal existe para publicar o que o poder quer esconder.

Spielberg dirige com elegância clássica, sem exageros. Ele alterna a tensão da redação com as reuniões corporativas, deixando claro que a batalha acontece tanto nas páginas do jornal quanto nas salas fechadas onde se decide o futuro da empresa. O suspense nasce dessa combinação: informação explosiva de um lado, risco institucional do outro. Sarah Paulson, em papel de apoio, acrescenta uma dimensão mais íntima ao drama, lembrando que as decisões públicas têm reflexos pessoais.

“The Post: A Guerra Secreta” é, acima de tudo, um filme sobre responsabilidade. Não romantiza o jornalismo, mas também não o reduz a cálculo financeiro. Mostra pessoas reais tentando fazer a coisa certa enquanto tudo ao redor pressiona para que recuem. Sem precisar de grandes reviravoltas, a narrativa mantém o espectador atento porque cada decisão pode mudar o destino do jornal. E é justamente nessa tensão entre medo e convicção que o filme encontra sua força mais duradoura.

Filme: The Post
Diretor: Steven Spielberg
Ano: 2017
Gênero: Biografia/Drama/História/Thriller
Avaliação: 10/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.