Quando deuses perdem força e pais caem, alguém precisa escolher entre a vida comum e a guerra. “Fúria de Titãs 2” retoma a história de Perseus com menos solenidade e mais urgência, apostando no conflito familiar como combustível para a ação. Sam Worthington vive um herói cansado, que trocou a espada pela rede de pesca para criar o filho Hélio, interpretado por John Bell, longe das disputas do Olimpo. Só que o mundo não respeita aposentadoria de semideus. Com os humanos deixando de rezar, os deuses enfraquecem, e essa brecha permite que Hades, vivido por Ralph Fiennes, e Ares, interpretado por Édgar Ramírez, articulem a libertação de Cronos, o titã aprisionado no Tártaro. Para que o plano funcione, Zeus, papel de Liam Neeson, precisa sair de cena, e é exatamente isso que acontece.
A partir daí, Perseus não tem escolha. Ele não parte por glória nem por vaidade, mas porque Zeus é seu pai e porque a queda do rei dos deuses ameaça também o mundo dos homens. Worthington segura bem esse lado mais humano do personagem; ele parece sempre dividido entre proteger Hélio e impedir que o caos avance. Rosamund Pike, como Andrômeda, surge como aliada estratégica, mais líder do que interesse romântico, comandando tropas e encarando as consequências práticas do enfraquecimento divino. A parceria entre eles é direta, funcional, baseada em necessidade real, e isso dá ao filme um pé no chão interessante dentro de tanta fantasia.
Jonathan Liebesman conduz a narrativa com ritmo acelerado, investindo em batalhas grandiosas, criaturas gigantes e cenários que se movimentam como armadilhas vivas. O Tártaro deixa de ser apenas um conceito mitológico e vira um espaço concreto, ameaçador, que impõe prazo e risco a cada passo. Há uma sensação constante de que o tempo está contra Perseus, e essa pressão ajuda a manter a história em movimento, mesmo quando os diálogos soam protocolares. O embate entre irmãos também ganha peso: Hades não é apenas vilão por capricho, e Ares carrega uma fúria que parece mais pessoal do que estratégica.
O filme funciona melhor quando assume que está contando uma história de pais e filhos em guerra, mais do que uma simples aventura mitológica. Zeus, mesmo enfraquecido, representa autoridade e legado; Perseus precisa decidir que tipo de herança aceita carregar. Liam Neeson entrega presença mesmo com pouco espaço, enquanto Ralph Fiennes imprime a Hades uma ambiguidade que torna o conflito menos raso. Já Édgar Ramírez aposta numa energia agressiva, quase impulsiva, que cria tensão real nas cenas de confronto.
“Fúria de Titãs 2” não é um épico sofisticado, mas também não se esconde atrás de discursos grandiosos. Ele aposta na ação direta, em efeitos visuais robustos e na ideia clara de que o abandono da fé tem consequências concretas. Pode faltar profundidade em alguns momentos, mas sobra empenho em manter a escala alta e o perigo constante. É uma aventura que entende seu tamanho, coloca seus personagens diante de escolhas difíceis e mantém o foco no que realmente importa ali: impedir que uma antiga prisão se abra e que o mundo pague o preço.
★★★★★★★★★★




