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Na Netflix: um pequeno diamante chegou — e você vai entender por que falam tanto dele

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Com a morte de Arthur Howitzer Jr., a redação toma uma decisão operacional: fechar a revista depois de uma última edição. Isso coloca uma obrigação imediata na rotina: reunir e publicar o número final. A equipe trabalha a partir desse fechamento, juntando matérias e lembranças sob a mesma capa de despedida.

Pedalando por Ennui-sur-Blasé, Herbsaint Sazerac conduz um tour pela cidade e aponta lugares específicos enquanto contrapõe passado e presente. O passeio segue de um ponto ao outro, e um assunto puxa o próximo. Quem acompanha precisa registrar essas mudanças de lugar e de tema enquanto o percurso ainda acontece, como material já sendo separado para entrar no número de despedida.

Em seguida, J.K.L. Berensen relata, em forma de palestra, o caso de Moses Rosenthaler, artista preso. Rosenthaler produz uma pintura ligada a Simone, guarda da prisão, e o trabalho sai do confinamento quando o negociante Julien Cadazio se envolve para comprar e colocar a obra em exibição. A obra passa a existir fora da prisão por essas ações — compra e exibição — e o caso ganha outra escala.

Compra, exibição e disputa

A compra acontece apesar dos protestos do artista, e isso amplia a disputa. A obra fica entre interesses diferentes: o de quem produziu e o de quem negocia e exibe. A mudança de posse desloca decisões para fora da prisão e põe o artista diante de um circuito que ele não controla.

No levante estudantil, Lucinda Krementz entra como repórter e encontra um impasse ligado ao que é escrito e contestado. Krementz diz buscar neutralidade, mas se envolve com Zeffirelli, um dos líderes, e ajuda a redigir um manifesto, com apêndice. Juliette rejeita o texto e expõe um conflito interno, deslocando o foco para a disputa dentro do próprio movimento; Timothée Chalamet aparece nesse ponto como estudante ligado à liderança pressionada pelo que está sendo escrito e contestado.

Xadrez, conscrição e cobertura

Do lado de fora, estudantes usam xadrez para se comunicar com a polícia, num episódio chamado de “Chessboard Revolution”, e a conscrição traumática de Mitch-Mitch acrescenta pressão ao ambiente. Esses dados empurram a cobertura para novas exigências: a rua pede relato, o manifesto pede revisão, e a discordância interna empurra escolhas de palavra e de posição. O acontecimento alterna entre confronto e texto disputado, e a cobertura muda junto.

Roebuck Wright entra pela entrevista na TV, relembrando um jantar privado com o comissário de polícia, com comida preparada por Lt. Nescaffier. A situação muda quando Gigi, filho do comissário, é sequestrado, e os criminosos fazem uma exigência específica: a libertação de Albert “the Abacus”. Wright conecta o episódio ao fato de ter sido preso anteriormente por homossexualidade e de Howitzer tê-lo tirado da cadeia e oferecido trabalho, colocando memória e trabalho editorial no mesmo relato sem apagar a urgência do sequestro.

De volta ao encerramento, a equipe enlutada retorna ao expediente para colocar a edição de despedida de pé. A tarefa se impõe: selecionar, cortar e organizar conteúdos que vêm de frentes diferentes e não se encaixam automaticamente. A despedida termina presa ao mesmo impasse operacional que a abriu — fechar a última edição com coisa demais para escolher e sem ter para onde empurrar a responsabilidade do corte.

Filme: A Crônica Francesa
Diretor: Wes Anderson
Ano: 2021
Gênero: Comédia/Drama/Romance
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★