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Comédia romântica com Anna Faris na Netflix é gargalhada garantida e tediômetro no zero Divulgação / Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)

Comédia romântica com Anna Faris na Netflix é gargalhada garantida e tediômetro no zero

“Homem ao Mar” parte de uma premissa direta e eficiente: o choque entre quem sempre teve tudo e quem nunca teve escolha. Kate (Anna Faris) é uma mãe solo exausta, sustentando três filhos com trabalhos temporários e pouca margem para erro. Leonardo (Eugenio Derbez), por outro lado, é um empresário rico, arrogante e completamente alheio à realidade de quem trabalha para ele. Quando os dois se cruzam, o conflito nasce sem sutileza e se resolve, inicialmente, de forma ainda mais brusca.

Após um acidente que apaga a memória de Leonardo, Kate enxerga ali uma chance rara de virar o jogo. A decisão dela não vem de genialidade ou frieza extrema, mas de cansaço acumulado e necessidade prática. Fingir ser esposa daquele homem passa a ser menos uma vingança elaborada e mais uma solução improvisada para pagar contas e manter a casa funcionando. O filme acerta ao deixar claro que essa escolha tem prazo curto e riscos evidentes desde o início.

A comédia cresce justamente quando Leonardo é empurrado para um cotidiano que nunca precisou enfrentar. O personagem de Eugenio Derbez funciona bem porque o humor não depende apenas da perda de memória, mas da incapacidade real de lidar com tarefas básicas, horários e regras simples. Ele tenta, erra, insiste e aprende aos tropeços. O riso vem menos da humilhação e mais do contraste entre expectativa e realidade.

Anna Faris sustenta o filme com facilidade. Kate não é uma heroína idealizada nem uma trapaceira brilhante. Ela manda, corrige, se irrita e, muitas vezes, só tenta sobreviver ao dia seguinte. A química entre os dois atores ajuda a manter o ritmo leve, mesmo quando a situação começa a ficar emocionalmente confusa. O filme entende que convivência forçada cria laços, mas também desgasta.

Eva Longoria aparece como Teresa, ligada ao antigo mundo de Leonardo, e sua presença funciona como lembrete constante de que aquela farsa tem limites claros. Cada vez que esse passado ameaça reaparecer, a história ganha tensão prática: esconder, desviar, improvisar. Nada explode de forma exagerada, mas o desconforto cresce e muda o comportamento dos personagens.

“Homem ao Mar” não tenta reinventar a comédia romântica nem esconder suas referências. A inversão de papéis é conhecida, mas aqui o foco está menos no glamour da queda e mais na rotina que se impõe depois. O filme aposta no desgaste do dia a dia, na repetição de tarefas e no esforço físico como motor cômico e narrativo.

O que sustenta a história é essa convivência construída à força, com regras frágeis e sentimentos fora de controle. Sem precisar apelar para grandes reviravoltas, o filme acompanha como Kate e Leonardo lidam com o espaço que passam a ocupar um na vida do outro. A graça e o conflito estão exatamente aí: ninguém sai dessa situação exatamente do mesmo jeito que entrou.

Filme: Homem ao Mar
Diretor: Rob Greenberg
Ano: 2018
Gênero: Comédia/Romance
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★