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Sequência de um dos maiores sucessos do cinema nos últimos 15 anos, com Mark Ruffalo e Jesse Eisenberg, no Prime Video Divulgação / Lionsgate

Sequência de um dos maiores sucessos do cinema nos últimos 15 anos, com Mark Ruffalo e Jesse Eisenberg, no Prime Video

“Truque de Mestre: O 3º Ato” marca o retorno dos Quatro Cavaleiros com uma ambição clara: provar que o truque ainda funciona quando o palco ficou maior e o risco, mais concreto. J. Daniel Atlas (Jesse Eisenberg) surge outra vez como o cérebro inquieto do grupo, sempre um passo à frente e dois à beira do erro. Merritt McKinney (Woody Harrelson) continua sendo o elo mais imprevisível, usando humor e provocação como ferramenta real de sobrevivência. Dylan Rhodes (Mark Ruffalo), agora mais contido, opera nos bastidores, tentando manter controle onde quase nada aceita controle.

O filme não perde tempo em reapresentações longas. Os personagens entram já em movimento, pressionados por um novo desafio que envolve poder econômico, vigilância constante e uma empresa que não joga limpo. O objetivo é direto, mas o caminho nunca é. Cada decisão tomada pelo grupo gera um custo imediato, seja em tempo, acesso ou confiança. A sensação é de que qualquer deslize pode fechar portas de vez, o que dá ao enredo uma urgência mais palpável do que nos filmes anteriores.

A presença de uma nova geração de ilusionistas muda a dinâmica interna. Eles trazem energia, rapidez e soluções fora do manual, mas também forçam Atlas a dividir espaço e autoridade. Essa troca não é confortável, e o filme faz questão de mostrar isso. Há negociação, tensão e pequenos atritos, tratados sem discursos explicativos, apenas por ações e reações. Quando alguém avança demais, outro precisa recuar para evitar o colapso do plano.

A joia que move a trama funciona menos como fetiche visual e mais como relógio narrativo. Ela impõe prazos, limita escolhas e transforma cada tentativa em uma aposta de alto risco. O grupo precisa decidir quando agir, quando esperar e, principalmente, quando desistir de um caminho que parecia promissor. O suspense nasce justamente desse jogo de contenção, não de grandes revelações jogadas na tela.

O humor segue presente, mas mais controlado. Merritt usa o riso como distração e alívio momentâneo, nunca como fuga. Funciona porque o filme entende que, em um ambiente hostil, até a piada tem função prática. Já Dylan atua como freio constante, cortando excessos e mantendo partes do plano fora de vista, o que ajuda a preservar a tensão sem confundir o espectador.

“Truque de Mestre: O 3º Ato” não tenta reinventar a franquia, mas também não se apoia apenas no carisma antigo. É um filme que aposta mais em consequência do que em espetáculo vazio. Cada truque cobra seu preço, cada vitória vem com desgaste, e ninguém sai exatamente do mesmo lugar onde entrou. É entretenimento afiado, consciente de seus limites, e mais interessado em manter o controle do jogo do que em apenas impressionar o público.