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Baseado em história real, suspense de Alan Parker vencedor de 2 Oscars fez história e hoje está na Netflix Divulgação / Columbia Pictures

Baseado em história real, suspense de Alan Parker vencedor de 2 Oscars fez história e hoje está na Netflix

Billy Hayes (Brad Davis) chega à Turquia acreditando que controla a situação. Jovem, confiante e apressado, ele decide esconder alguns pacotes de haxixe sob a roupa e embarcar de volta para casa. O plano é direto, quase banal, e justamente por isso soa possível. O erro acontece rápido, e o custo vem sem negociação: Billy é preso ainda no aeroporto e perde, ali mesmo, qualquer noção de tempo, proteção e previsibilidade.

A partir desse ponto, “O Expresso da Meia-Noite” acompanha o que acontece quando um estrangeiro cai em um sistema penal que não se preocupa em explicar regras nem oferecer atalhos. Alan Parker conduz a história sempre pelo gesto concreto: Billy tenta falar, pedir ajuda, entender prazos; em troca, encontra portas fechadas, adiamentos e uma violência que não precisa ser exagerada para ser devastadora. Cada tentativa de recuperar controle resulta em mais espera e menos poder.

Na prisão, Billy aprende rápido que sobreviver exige adaptação. Ele observa os outros detentos, mede palavras, escolhe com cuidado quando insistir e quando recuar. Brad Davis constrói esse aprendizado com o corpo, não com discursos. O personagem vai endurecendo aos poucos, não por heroísmo, mas por necessidade. Nada ali é gratuito: cada movimento tem consequência imediata, seja perder acesso a algo básico, seja comprar um risco maior para o dia seguinte.

Susan (Irene Miracle), do lado de fora, funciona como o fio frágil que ainda liga Billy ao mundo que ele conhecia. Suas visitas, telefonemas e tentativas de apoio não resolvem a situação, mas alteram o jogo em pequenas medidas. O filme é honesto ao mostrar que afeto não derruba muros, mas pode atrasar quedas. Irene Miracle interpreta Susan sem idealização, como alguém que insiste mesmo quando percebe que quase nada depende dela.

Dentro da prisão, Jimmy Booth (Bo Hopkins) surge como uma presença instável. Ele tanto facilita acessos quanto amplia perigos, dependendo do momento. A relação entre os dois nunca é confortável, e Parker evita transformar essa dinâmica em amizade redentora. É troca, é conveniência, é risco calculado. Bo Hopkins imprime carisma e ameaça na mesma medida, tornando impossível prever se sua proximidade vai ajudar ou custar caro.

O suspense do filme não nasce de perseguições ou reviravoltas espetaculares, mas da espera. Esperar por uma audiência, por uma resposta, por uma chance mínima de mudança. Alan Parker alonga esse tempo de forma consciente, fazendo o espectador sentir o desgaste que o personagem vive. Cada dia parece igual, mas nunca é seguro. O perigo está justamente na rotina que parece estável demais.

Sem transformar a história em discurso moral, “O Expresso da Meia-Noite” se posiciona com clareza. É um filme duro, direto, desconfortável, que não pede empatia fácil, mas a conquista aos poucos. Ao acompanhar Billy Hayes em decisões que sempre custam mais do que prometem, o longa se mantém fiel a uma lógica simples e cruel: quando a liberdade some, até a menor escolha passa a ter peso real.

Filme: O Expresso da Meia-Noite
Diretor: Alan Parker
Ano: 1978
Gênero: Crime/Drama/Suspense
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.