“Esquema de Risco” parte de uma situação clássica do cinema de espionagem: quando algo perigoso demais começa a circular fora do controle, alguém precisa agir rápido antes que o estrago seja irreversível. É nesse cenário que Orson Fortune (Jason Statham) entra em cena, convocado para impedir que uma nova tecnologia de armamento seja vendida ao maior lance, longe de qualquer supervisão oficial.
Fortune é o tipo de agente que prefere soluções diretas, mas logo percebe que força bruta não vai resolver tudo. A missão exige negociação, infiltração e muito jogo de cintura. Ao lado dele está Sarah Fidel (Aubrey Plaza), responsável por costurar contatos, controlar informações e manter a operação funcionando sem chamar atenção. O problema é que os vendedores do armamento operam cercados de contratos, eventos exclusivos e acordos informais, o que dificulta qualquer acesso direto.
A saída encontrada pelo grupo é tão arriscada quanto inusitada: usar a fama como ferramenta. Para isso, recrutam o ator Danny Francesco (Josh Hartnett), uma estrela de Hollywood cuja presença abre portas que agentes secretos não conseguem atravessar sozinhos. Danny aceita participar, mas sua falta de preparo para o mundo da espionagem cria situações desconfortáveis e, muitas vezes, engraçadas. O humor surge justamente desse choque entre vaidade, improviso e protocolos de segurança que não admitem erros.
Enquanto Danny chama atenção nos lugares certos, Sarah tenta manter tudo sob controle nos bastidores, decidindo o que pode ser dito e o que precisa ser escondido. Já Greg Simmonds (Cary Elwes) aparece como a figura que lida com recursos, autorizações e pressões políticas, lembrando o tempo todo que cada passo tem um custo. Nada ali é feito sem risco, e qualquer atraso pode colocar toda a operação a perder.
Guy Ritchie conduz a história com ritmo ágil e senso claro de diversão, sem transformar o enredo em algo excessivamente sério ou complicado. A espionagem aqui é menos sobre discursos grandiosos e mais sobre reuniões mal disfarçadas, telefonemas tensos e acordos feitos à margem. A ação existe, mas nunca substitui o jogo de negociação e aparência que sustenta a missão.
“Esquema de Risco” funciona justamente por entender seus limites. Não tenta reinventar o gênero, mas entrega personagens carismáticos, diálogos afiados e uma trama que avança sempre por decisões práticas e consequências imediatas. Jason Statham está confortável no papel do agente que observa mais do que fala, enquanto Aubrey Plaza adiciona ironia e inteligência a cada cena.
O filme se sustenta como um entretenimento esperto, que mistura ação, suspense e comédia sem perder o fio da história. É uma produção que sabe rir de si mesma, mas nunca perde de vista o perigo real que move a missão, e isso faz toda a diferença.
★★★★★★★★★★



