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Baseado em história real, drama ganhador do Oscar com Sandra Bullock e que anos depois foi parar na Justiça por causa de polêmica, na HBO Max Divulgação / Alcon Entertainment

Baseado em história real, drama ganhador do Oscar com Sandra Bullock e que anos depois foi parar na Justiça por causa de polêmica, na HBO Max

“Um Sonho Possível” acompanha Michael Oher (Quinton Aaron) a partir de um ponto muito concreto: ele não tem casa, não tem estrutura escolar e não sabe exatamente onde vai dormir na noite seguinte. O filme não perde tempo romantizando esse início. Michael circula pela cidade em silêncio, observa mais do que fala e carrega um atraso acadêmico que impede qualquer avanço imediato, dentro ou fora do esporte.

A virada acontece quando Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) cruza o caminho dele e decide agir. Não por discursos inspiradores, mas por gestos práticos: oferecer abrigo, impor regras, cobrar presença na escola. Sandra Bullock constrói Leigh Anne como alguém direta, às vezes dura, que resolve problemas do jeito que sabe. Isso dá ao filme um ritmo mais funcional do que sentimental, ainda que flerte com a emoção em vários momentos.

Sean Tuohy (Tim McGraw) entra como o contraponto mais silencioso, apoiando as decisões da esposa e ajudando a integrar Michael à rotina da família. A dinâmica entre eles evita grandes conflitos domésticos e aposta na ideia de ajuste gradual, onde cada pequeno avanço vem acompanhado de novas exigências. Nada é simples: acolher Michael significa lidar com escola, esportes e instituições que passam a observar cada passo dele.

O futebol americano surge como possibilidade, não como solução mágica. Michael tem força, mas não entende as regras nem o funcionamento do jogo, e o filme deixa claro que talento bruto não basta. Treinadores, professores e coordenadores funcionam como barreiras constantes, exigindo desempenho mínimo e disciplina. Cada oportunidade vem com condições, e qualquer deslize pode custar caro.

Quinton Aaron sustenta bem esse percurso com uma atuação contida. Michael quase não fala, mas reage com o corpo e com o olhar, o que combina com um personagem que aprende mais por observação do que por explicação. Essa escolha ajuda a evitar exageros e mantém o personagem mais humano do que idealizado.

Apesar do tom inspirador, “Um Sonho Possível” é mais eficiente quando se mantém focado em ações concretas do que quando tenta sublinhar mensagens. O filme funciona melhor ao mostrar como decisões práticas geram consequências reais, tanto para Michael quanto para a família Tuohy. Sem entrar em grandes discursos, a história se apoia na ideia de que ajudar alguém também implica assumir riscos e responsabilidades que não vêm com garantia de sucesso.

Filme: Um Sonho Possível
Diretor: John Lee Hancock
Ano: 2009
Gênero: Biografia/Drama/Esporte
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.