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Thriller de ação e suspense com Kerry Washington e Omar Sy oferece 104 minutos de pura adrenalina, no Prime Video Divulgação / Lionsgate

Thriller de ação e suspense com Kerry Washington e Omar Sy oferece 104 minutos de pura adrenalina, no Prime Video

“Sentença de morte” acompanha um casal separado que é forçado a agir como unidade novamente quando uma recompensa ativa um antigo vínculo profissional que eles preferiam manter enterrado. A ameaça é direta: alguém com poder, recursos e autorização para matar decidiu que eles não devem continuar vivos. A resposta imediata é fugir com o filho, não por heroísmo, mas por falta absoluta de alternativas. Kerry Washington e Omar Sy interpretam esses dois adultos que precisam reaprender a confiar um no outro enquanto correm contra um prazo que nunca joga a favor.

Desde o início, o filme deixa claro que não existe zona segura. Cada decisão tomada pelo casal elimina uma opção futura, e cada tentativa de ganhar tempo cobra um preço prático. Washington constrói uma personagem que pensa em termos de controle e contenção de danos, sempre calculando o risco do próximo passo. Já Omar Sy interpreta alguém mais voltado à proteção imediata do filho, vivido por Jahleel Kamara, o que cria atritos constantes quando rapidez e cautela entram em conflito. O obstáculo não é apenas quem os persegue, mas a dificuldade de alinhar prioridades sob pressão contínua.

Joe Carnahan conduz a narrativa como um jogo de desgaste. A perseguição nunca precisa se exibir para ser sentida, porque ela se manifesta em portas que se fecham, contatos que desaparecem e rotas que deixam de ser viáveis. O casal tenta negociar silêncio, esconder rastros e improvisar saídas, mas o filme faz questão de mostrar que improviso tem validade curta. Cada pequena vitória apenas empurra o problema alguns minutos adiante, e isso mantém a tensão sempre no nível do chão, nunca no exagero.

Há espaço para humor seco em tentativas frustradas de normalidade, quando os personagens percebem que gestos comuns se tornaram riscos. Essas cenas funcionam menos como alívio e mais como lembrete do absurdo da situação. O efeito é imediato: qualquer descuido custa posição e expõe o trio a uma nova rodada de pressão. Carnahan não romantiza essas falhas; ele as usa para apertar ainda mais o cerco.

No centro de tudo está a relação com o filho. Jahleel Kamara não é tratado como mero elemento de vulnerabilidade, mas como alguém que reage ao ambiente e força os adultos a se explicarem, mesmo quando não há tempo para isso. Proteger a criança significa, muitas vezes, aceitar perdas estratégicas. O filme insiste nesse custo e recusa atalhos emocionais fáceis, o que dá peso real às escolhas feitas em movimento.

“Sentença de morte” funciona melhor quando assume sua escala prática: não é sobre derrotar um sistema inteiro, mas sobre sobreviver ao próximo erro. Carnahan aposta em um thriller direto, que prefere consequências claras a discursos e mantém o foco em decisões concretas. Washington e Sy sustentam essa abordagem com atuações que valorizam reação e contenção, mais do que explosões dramáticas. O resultado é um filme tenso, eficiente e consciente de seus limites, que entende que, em uma caçada assim, ganhar tempo já é uma forma de vitória.

Filme: Sentença de Morte
Diretor: Joe Carnahan
Ano: 2025
Gênero: Ação/Drama/Suspense
Avaliação: 8/10 1 1
★★★★★★★★★★