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O terror romântico de 2022 que chocou meio mundo acabou de chegar ao Prime Video — e não é pra qualquer um Divulgação / Warner Bros.

O terror romântico de 2022 que chocou meio mundo acabou de chegar ao Prime Video — e não é pra qualquer um

Maren Yearly sai de casa carregando pouco e sabendo que não pode voltar; em “Até os Ossos”, Taylor Russell, Timothée Chalamet e Mark Rylance, dirigidos por Luca Guadagnino, seguem uma jovem que cruza os Estados Unidos para localizar a mãe e tentar conter a fome que a leva a devorar pessoas. O pai deixa dinheiro contado e instruções secas para ela se manter fora de vista e, ao se afastar, retira também o último suporte que ainda convertia crises em silêncio doméstico.

Sem rotina, Maren passa a viver por cálculo: escolhe terminais e ruas movimentadas para se misturar, evita conversas longas e troca de trajeto assim que percebe atenção excessiva. O plano de procurar a mãe dá um destino que soa plausível, mas exige passagens, comida e um lugar para dormir, itens que somem antes que o dia termine. Quando um desconhecido se aproxima com intimidade invasiva e tenta tratar o segredo dela como convite, Maren corta o contato, abandona o ponto de parada e segue para outra cidade, aceitando que o próximo erro vai ser público.

Carona com regras rígidas

Na estrada, Maren conhece Lee, um rapaz que se move como quem já aprendeu a não pedir licença, e a aproximação nasce de necessidade prática: ele oferece carona e cobertura, ela oferece companhia e silêncio. Lee impõe regras simples, como não repetir cidade e não deixar ninguém lembrar do rosto deles, e o casal passa a viajar como se cada parada tivesse prazo curto. A convivência cria intimidade, mas também exige vigilância constante, porque uma falha em público pode transformar desejo em pista e chamar atenção que nenhum dos dois consegue sustentar.

Com recursos curtos, os dois alternam lanchonetes, motéis e longos trechos de asfalto, tentando parecer comuns o suficiente para não chamar atenção e distantes o suficiente para não criar laços. Lee recorre a pequenos golpes e furtos para manter o carro e o caminho, mas a pressa cobra juros: uma saída feita no momento errado obriga o casal a abandonar um lugar onde poderiam se recuperar. Quando uma decisão impulsiva coloca terceiros perto demais do que eles escondem, a única correção possível é sair imediatamente e aceitar a perda de conforto para manter o que restou de anonimato.

Encontros que viram ameaça

O percurso expõe Maren e Lee a pessoas que parecem reconhecer o que eles tentam esconder, e nem todas se aproximam por solidariedade. Um homem mais velho surge oferecendo orientação e companhia, mas insiste em permanecer por perto, testa limites e trata a vida do casal como se fosse território aberto. Maren percebe que aceitar ajuda significa ceder controle, e Lee entende que recusar pode provocar retaliação, então os dois somem, mesmo sabendo que a presença indesejada agora tem motivo para reaparecer e escolher o pior momento para isso.

A tensão aumenta porque o casal precisa comer e também precisa reduzir exposição, duas tarefas que entram em choque a cada nova cidade. Quando Maren tenta manter a busca pela mãe como prioridade, Lee puxa a rota para longe de qualquer lugar onde alguém os reconheça, e o impasse desgasta o acordo que os uniu. A ameaça externa retorna quando eles relaxam e transforma qualquer gesto de intimidade em risco calculável, empurrando os dois para rotas mais longas, decisões mais frias e despedidas feitas antes do amanhecer.

Busca pela mãe estreita o cerco

A aproximação do passado obriga Maren a entrar em espaços onde perguntas simples têm peso, e a cada tentativa de contato ela escolhe entre dizer a verdade e perder acesso, ou mentir e correr o risco de ser desmascarada. Lee tenta proteger os dois com distância e ironia, mas a distância também impede apoio, e a falta de apoio transforma um contratempo mínimo em emergência de rota. Quando o caminho dela exige ficar tempo demais no mesmo lugar, a necessidade de permanecer vira o perigo mais direto e obriga o casal a cortar permanência antes que o cerco se feche.

Guadagnino mantém a história colada a escolhas de deslocamento, alternando pausas curtas e partidas rápidas que impedem qualquer sensação de estabilidade. Quando Maren e Lee encontram um intervalo para existir como casal, o intervalo cobra preço imediato: mais tempo exposto, mais olhares, mais chance de alguém ligar pontos e voltar com perguntas. A busca por origem continua, mas o custo se acumula em exaustão, desconfiança e controle precário, e os dois retomam a estrada com menos margem de erro e a urgência de sair antes que a noite termine.

Filme: Até os Ossos
Diretor: Luca Guadagnino
Ano: 2019
Gênero: Coming-of-age/Drama/horror/Road movie/Romance
Avaliação: 9/10 1 1
★★★★★★★★★