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EDIVAL LOURENÇO
EM 27/12/2011 ÀS 11:31 AM
É inevitável: o ano de 2012 será marcado pelas profecias ruins do calendário maia. Como já estamos cismados, qualquer mugido do clima e já estaremos pensando nas catástrofes do fim do mundo. Mesmo que a profecia não aconteça no atacado, ela tenderá a ocorrer no varejo, no plano pessoal. Nesse clima de pânico, a palavra de ordem é ESCAPAR. Tanto no sentido de fugir quanto no sentido de sobreviver. Assim sendo, muito do que devemos fazer em 2012 será relacionado a essa máxima: fuja e sobreviva. No entanto, mesmo diante de tanta neura, não se deve é perder a ternura.
1 – comprar repelentes contra as catástrofes anunciadas
2 – escapar de zonas conflagradas pelo clima
3 – escapar da blitz da lei seca e de qualquer cerco da polícia
4 – recitar um poema à pessoa querida
5 – escapar dos assaltantes, traficantes e 171
6 – escapar dos políticos e das milícias
7 – escapar dos bancos, seguradoras, governo e do fisco
8 – casar por amor
9 – jantar com a família num ritual de boa convivência
10 – trabalhar menos e ganhar mais (ainda que em moeda existencial)...
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EDIVAL LOURENÇO
EM 15/12/2011 ÀS 07:25 PM
Posso até estar enganado, mas não há um assunto mais importante e urgente para o governo, em parceria com toda a sociedade brasileira, do que promover ações efetivas para a redução nas emissões de CO2 e estabelecer políticas econômicas baseadas em sustentabilidade ambiental. No entanto, o governo anda ocupado demais com espumas para cuidar do caldo.
Por que essa urgência e essa importância? Ocorre que qualquer outra ação do governo que venha a se frustrar, o estrago advindo será menor do que aquele provocado por uma eventual ruína de nossos biomas. Afinal, constituímos um país em que a riqueza está basicamente amparada pelos recursos climáticos e naturais. É claro que em qualquer lugar do mundo o ambiente se constitui no suporte da vida. Mas no Brasil, além de ser o suporte da vida, é também o suporte da grana.
O governo Dilma herdou do governo Lula uma proposta, ainda que meia-boca, que tenta conciliar crescimento econômico com preservação ambiental, começando com a meta de reduzir 39% das emissões de carbono até o ano de 2020. Aliás, esta foi a bandeira que a então candidata Dilma abanou aos ambientalistas. Ao que parece, a presidente Dilma até agora não acordou para o problema. Ou pelo menos não tem conseguido se desvencilhar de questões supérfluas e menores, que vêm vampirizando seu sangue administrativo e exaurindo as forças de comando. Seu governo não consegue energia extra para aplicar à governança além das questões das demissões em série de seus ministros trapalhões. Foram sete rodados em 11 meses e é possível que mais um ainda rode para fechar o ano numa conta mais cabalista e simétrica, de um ministro defenestrado a cada 45 dias.
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EDIVAL LOURENÇO
EM 28/11/2011 ÀS 11:04 AM
Parece que foi ainda agora que a gente sugeriu 101 coisas para fazer em 2011. Mas 2011 já vai se encaminhando para o encerramento. Assim se passa um ano, a juventude, a maturidade, a vida, enfim. De vez em quando é bom dar uma paradinha e conferir como vai o andamento das coisas. É claro que a lista tem propósitos mais de divertir do que de edificar. Mesmo assim, vale a pena revê-la e conferir o que você pensou em fazer e o que de fato fez. E eventualmente melhorar o desempenho no mês que ainda resta.
101 coisas para fazer em 2011
1 — colocar esta lista em ordem;
2 — fazer um checkup;
3 — fazer um exame de consciência;
4 — deixar o script alheio e viver o seu próprio;
5 — derrubar uma árvore (que ameaça cair sobre sua casa);
6 — trocar a fiação da casa (antes que ela incendeie);
7 — clarear os dentes;
8 — clarear as vistas;
9 – retirar as manchas da pele;
10 — retirar (ou assumir) as manchas da personalidade;
11 — retirar os caroços do corpo (exceto os essenciais).
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EDIVAL LOURENÇO
EM 04/11/2011 ÀS 01:39 PM
A sociedade brasileira parece decididamente inclinada ao aleijão, à monstruosidade. E não é de uma simples deformidade que, pelo viés do politicamente correto, se possa chamar de “diversamente capacitado”. Não. O poder dominante está permeado pelo “aleijão incapacitante”, sem rodeios. Aleijão, no apelido terminológico, é teratologia. O Brasil é um país teratológico que, com uma frequência muito elevada, se deixa contaminar por ideias monstruosas.
Isso ocorre, sobretudo, em circunstâncias altamente burocráticas, em que a sensibilidade e o senso de sintonia com a condição humana deixaram de compor as determinantes da realidade. E acabam por orientar as ações de governo.
Fatos aberrantes são recorrentes em nossa história. No entanto, vamos a alguns exemplos que ainda estão frescos em nossas lembranças. Norteado por aleijões da linguística aplicada à nossa confusa e inoperante pedagogia, o Ministério da Educação chegou às raias do absurdo de praticamente proibir o ensino do vernáculo em nossas escolas. O fundamento foi a alegação de que a escola, ao proceder à correção dos “fora-da-gramática”, ou seja, ensinando a língua gramatical ao sujeito que conhece apenas a língua coloquial, estaria exercendo discriminação linguística contra ele. A alegação parece até ser lógica. Mas absolutamente não é. Trata-se apenas um aleijão da lógica. Lembre-se: o indivíduo vai à escola para “construir o saber”.
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EDIVAL LOURENÇO
EM 10/10/2011 ÀS 08:14 PM
Já imaginou o que faria se descobrisse que por alguma razão você tivesse se tornado imortal? Ter consciência de que o tempo continuará passando irremediavelmente para os outros, mas para você ele estará para sempre estancado?
O fato por certo traria grandes alterações de perspectivas em sua vida. Poderia levá-lo a percorrer novos e diversos caminhos, dependendo obviamente de seu temperamento e de suas escolhas.
Poderia, já que é imortal, cair num hedonismo aventureiro e doidivanas, curtindo cada momento de sua vida com toda intensidade, colhendo orgasmos pela vida, que nem borboleta que oscula flores.
Poderia, já que é imortal, dar início a projetos grandiosos, desses que não cabem no manequim de uma vida singela. Poderia edificar bibliotecas circulares, escadas infinitas, ou qualquer obra que pudesse trazer redenção para a humanidade. Escrever uma nova “Odisseia”, uma nova “Comédia Humana” ou um novo “Em Busca do Tempo Perdido”. Poderia até empreender viagens interestelares, dessas em que se gastam milhares de anos-luz para percorrer. Mas um dia, quando a vida na Terra já tivesse ido pro beleléu, você chegaria ao destino, são e salvo, com os genes humanos ainda intactos, pronto para multiplicá-los, num planeta distante e seguro. Afinal, você tem consciência de que jamais será alcançado pela ceifa da morte. As possibilidades são infinitas. Vão depender unicamente de sua imaginação. E você terá, não o tempo, mas a eternidade inteira para imaginar o que quiser.
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EDIVAL LOURENÇO
EM 07/10/2011 ÀS 01:58 PM
Toda atividade humana tem como função básica livrar-se das garras da morte. É para não morrer que a gente dorme, que a gente se levanta, que a gente ama, que a gente estuda, trabalha, xinga, blasfema, reza ladainhas, faz discurso na praça, arruma um ponto de mínimo conforto nas engrenagens da sociedade e acaba por constituir um diferencial, uma persona, uma identidade única no meio de tantas criaturas semelhantes. A morte é a alavanca propulsora de toda energia vital.
Para não morrer, você se converte a uma fé supostamente redentora e se dobra diante de um Deus furtivo. Passa a agir, não por si mesmo, mas pelo índex do que pode e do que não pode, segundo os dogmas de sua seita, na fervorosa ilusão de que morrendo fisicamente na fé haverá de ressurgir eternamente na graça do Deus glorificado. Em outras palavras: por medo de morrer, você acaba morrendo um pouco por antecipação.
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EDIVAL LOURENÇO
EM 29/09/2011 ÀS 07:36 PM
Com o aquecimento global, os furos na camada de ozônio e outros quizilas do planeta, a Teoria de Gaia de James Lovelock vem ganhando credibilidade junto à comunidade científica. Vamos aproveitar então admiti-la como válida.
Segundo essa corrente de ideias, a Terra seria um sistema auto-regulável de interações complexas entre organismos vivos e não-vivos. Assim como nosso corpo que tem parte orgânica e mineral, trocando figurinhas o tempo todo. É bom lembrar que a quase totalidade do planeta é constituída de material não-vivo e só uma pequena crosta, a biosfera, tem o dom especial de abrigar a vida. Para Lovelock a terra seria um bicho vivo, como um boi, um coral, um jumento ou um cupim.
Lembre-se,pesquisas asseguram que o planeta Marte já teve fartura de água e presença de vida, pelo menos microscópica. No entanto, por alguma avaria climática, cuja causa ainda não se conhece, a água evadiu-se para local incerto e não sabido e a vida desapareceu por completo. Portanto não é alarme de ecologista sem noção de que a vida na Terra possa a qualquer instante entrar em declínio, por causas naturais ou por ação e mérito de seu habitante mais interventor: o homo Sapiens (eu, você, o Bill Gates, a Gisele Bündchen, o doidinho da carrocinha). Um bicho bruto como nós, é bem provável que habitamos o centro fabril do animal planetário: o sistema digestivo. Somos uma lombriga. Uma lombriga anfíbia que oscila entre as relações cooperativas e parasitárias.
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EDIVAL LOURENÇO
EM 25/08/2011 ÀS 07:51 PM
Saiu a lista Anual da “Forbes” das mulheres mais poderosas do mundo. Não pergunte a mim nem ao editor de tal lista qual o critério para se chegar a estes nomes e a esta classificação. O negócio é muito crazy. O Samba do Crioulo Doido é uma lição de serenidade e bom senso diante dos critérios para a formação da lista. Ela mistura Beyoncé com Hillary Clinton , Lady Gaga com Dilma Rousseff, Gisele Bündchen com Ângela Merkel e assim vai. É nonsense puro.
Em que a Hillary Clinton poderia interferir no mundo e a Beyoncé pudesse competir com ela? A cantora popozuda pode com seus requebros fechar uma rua, parar uma cidade e até um país, dependendo do seu esforço de mídia e de qual país esteja se referindo. A dona Hillary com seus conselhos pode convencer Obama embargar um país, ou detonar outro. Pode até convencê-lo a soltar uma gigabomba atônica e esfarelar o planeta. Mas aí já é tanto poder cujo exercício não convém. Numa explosão dessa não escapa ninguém. Nem a dona Hillary e seu Obama. Situação comparável àquela quando a dona Hillary era primeira dama e seu marido tinha o estranho hábito de fumar charuto nas vias de regra de Monica Lewinsky. Ela tinha o poder de detonar seu marido, só que ela mesma iria de roldão. É muito poder para não ser exercido.
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EDIVAL LOURENÇO
EM 22/08/2011 ÀS 11:43 AM
Pode parecer maluquice, mas acho que pelo princípio da igualdade social, gay deveria ter licença para andar armado. Transportador de numerário não tem porte de armas para se defender da sanha dos meliantes? Pois então. Por que os gays não poderiam andar armados para se defender dos homofóbicos pitibuls neonazistas? De que adianta dizer que o gay pode casar, andar agarradinho, beijar em público, adotar criança, herdar um do outro, essas coisas que constitui o princípio da dignidade humana, se ele na prática não pode sair à rua que logo vem um bando de celerados que lhe dá nos costados até matar? Para permitir, de fato, é preciso proporcionar os meios.
Divaguemos um pouco. Um dos princípios mais estimados da democracia é que todos sejam contemplados pela igualdade. A constituição em seu artigo 5º garante que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Esta é uma das cláusulas pétreas mais paparicada e ao mesmo tempo mais desobedecida, porque para proporcioná-la, o estado de direito (aquele em que estado promulga a lei e a ela se submete, segundo a vontade da população livre e esclarecida) precisa fazer cumprir um princípio auxiliar igualmente importante: o da isonomia. Que consiste em “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades”. Isso é aristotélico, mas não perdeu a atualidade, nem alcançou sua plenitude. Estado nenhum conseguiu até hoje proporcionar essa igualdade tão plena.
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EDIVAL LOURENÇO
EM 03/08/2011 ÀS 01:47 PM
As imagens são de arrepiar. De cortar o coração. Isto é, para quem ainda tem pele que arrepia e coração para ser cortado num golpe de indignação diluída em elétrons de misericórdia. As crianças dilaceradas pela fome no Chifre da África, região nordeste que abrange os países da Somália, Etiópia, Djibouti e Eritreia, chegam a 10 milhões. 29 mil já apagaram por absoluta carência de proteína nos últimos 90 dias, só na Somália, segundo um levantamento do Centro de Controle de Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. E este número pode explodir nos próximos dias, pois a ONU afirma que pelo menos 640 mil crianças somalis se encontram no estado extremo da fome absoluta.
O grupo fundamentalista Al Shabab, que se diz aliado da rede Al Qaeda, é quem atualmente domina as partes mais afetadas da região. O grupo alega que tudo não passa de mentiras do Ocidente. Que tudo vai muito bem, obrigado, que não há surto de fome coisa nenhuma. E assim, O Al Shabab não permite a entrada dos socorristas das organizações de ações humanitárias. O Ocidente (ou comunidade Internacional?) faz corpo mole, cara de paisagem. Alega que não é possível fazer muita coisa para tirar as crianças da garra da morte, de serem usadas como combustível de uma estratégia odiosa e infernal de dominação política. Afinal, não é de bom alvitre intervir nas questões internas dos países, é preciso respeitar a autonomia e o destino das nações, o livre-arbítrio dos povos, blábláblá-blábláblá.
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