Autor: Revista Bula

A escritora que morreu pobre, foi esquecida numa cova rasa e, décadas depois, voltou ao centro do mundo

A escritora que morreu pobre, foi esquecida numa cova rasa e, décadas depois, voltou ao centro do mundo

Zora Neale Hurston atravessou o século com uma voz que não pedia licença: recolheu fala de varandas, elevou dialetos a arquitetura de pensamento, escreveu romances que respiram como cidades. Enterrada sem nome, foi reencontrada e devolvida ao mapa por leitoras que escutaram mais fundo. Entre Eatonville, o lago Okeechobee e Africatown, sua escrita ligou arquivo, festa e justiça. Este perfil acompanha o caminho da cova rasa ao coro público, e mostra como seus livros mudaram a língua de um país ao mudarem de quem se escuta primeiro. Depois do silêncio.

A mulher que ajudou a fundar a Academia Brasileira de Letras foi preterida por ser mulher e apagada da memória oficial

A mulher que ajudou a fundar a Academia Brasileira de Letras foi preterida por ser mulher e apagada da memória oficial

Júlia Lopes de Almeida, cronista, romancista e abolicionista, foi uma das vozes mais lidas da Primeira República. Entre 1896 e 1897, ajudou a gestar a Academia Brasileira de Letras, mas ficou fora quando o estatuto se fechou às mulheres. Em 1901, publicou “A Falência”, retrato cortante do Encilhamento. Em 2010, seu arquivo entrou no acervo da Academia. Releituras recentes recolocam seu nome no alto da página. Este perfil reconstrói a vida, a obra e o apagamento que insiste em seu retrato ausente. E convoca reparação, memória, gesto institucional claro, agora.

Os 5 livros que Stephen King daria para Dostoiévski se ele estivesse vivo

Os 5 livros que Stephen King daria para Dostoiévski se ele estivesse vivo

Stephen King nunca conhecerá Dostoiévski, mas é possível imaginar o que colocaria nas mãos do autor russo. Não seriam histórias de terror convencionais, e sim narrativas que expõem o mal sem metáfora, o silêncio como ameaça, a fé como mistério e a guerra como memória insuportável. Cinco livros, vindos de tempos e lugares distintos, que partilham uma mesma obsessão: descobrir como a consciência humana reage quando as certezas caem. Um presente improvável, construído para provocar mais perguntas do que respostas.

A última madrugada de Sylvia Plath: Londres, 1963, portas vedadas, filhos dormem, ela escreve e morre ao amanhecer Gordon Ames Lameyer / Universidade de Indiana

A última madrugada de Sylvia Plath: Londres, 1963, portas vedadas, filhos dormem, ela escreve e morre ao amanhecer

De Boston à Cambridge, da bolsa que a levou além-mar ao encontro com um poeta carismático, a trajetória dela foi ascensão e fricção. Rigorosa desde cedo, transformou rotina em disciplina: acordar antes das crianças, escrever no frio, medir cada frase. Casou, mudou-se, teve dois filhos, separou-se, subiu um sobrado em Primrose Hill quando o país congelava. Entre contas, cartas e leituras, perseguiu precisão. Aos trinta, num fevereiro implacável, a vida se interrompe. Ficou a obra, e o percurso de quem fez da linguagem um lugar para resistir, contra o frio.

Por que Flores para Algernon continua sendo um dos livros mais cruéis e humanos já escritos

Por que Flores para Algernon continua sendo um dos livros mais cruéis e humanos já escritos

A ascensão intelectual de Charlie Gordon é acompanhada por meio de relatórios de progresso que respiram. A linguagem cresce, afia, ilumina laços e crueldades ocultas, até perceber que todo ganho carrega a semente da queda. A partir daí, cada simplificação gramatical vira ferida, cada gesto de cuidado sustenta o que a memória abandona. Sem vilões de cartolina, o romance desmascara o espetáculo científico, o deboche cotidiano e o medo.