Autor: Marcelo Costa

No Looke: o filme mais bonito que você vai ver quando achar que nada presta Divulgação / K5 International

No Looke: o filme mais bonito que você vai ver quando achar que nada presta

Em uma cidade de New Jersey, um motorista de ônibus cumpre dias idênticos, anotando versos no intervalo das paradas. Em casa, a companheira multiplica planos: cupcakes, música, cortinas, um futuro possível. Entre a rota e a cozinha, o casal negocia o que é sonho e o que é sustento, enquanto pequenos encontros de rua insistem em mudar o humor de cada dia. Numa era de distração, o filme lembra, sem pressa, o valor narrativo do ordinário à luz do dia.

Um dos filmes mais bonitos dos últimos anos está no Prime Video e quase ninguém percebeu Gianni Fiorito / Fox Searchlight

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Num resort nos Alpes, um maestro aposentado e um cineasta na reta final da carreira dividem dias de tratamentos, visitas e cobranças. Ele recebe um convite do Reino Unido para voltar a reger; o amigo tenta concluir um roteiro antes que o elenco e os produtores desistam. Paolo Sorrentino enquadra esse impasse com humor seco, num período em que a cultura mede prestígio por produtividade contínua. A circulação do filme em plataformas reacende o debate sobre trabalho, vaidade e responsabilidade.

Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal na Netflix: um romance para ver hoje e fechar o dia em paz Divulgação / 20th Century Fox

Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal na Netflix: um romance para ver hoje e fechar o dia em paz

Ambientado no boom dos remédios de marca, o filme acompanha um vendedor ambicioso que aprende depressa a sedução corporativa e, fora do expediente, esbarra numa artista independente que administra uma doença crônica. Entre metas, prescrições e promessas que não cabem em bula, a relação tenta se sustentar sem virar contrato. Em meio ao consumo afetivo e aos diagnósticos que circulam nas redes, a história trata desejo como escolha e responsabilidade, não como slogan para adultos sem tempo.

7 anos depois, a Netflix ainda não fez um suspense tão impactante quanto este Divulgação / Netflix

7 anos depois, a Netflix ainda não fez um suspense tão impactante quanto este

Em “Calibre”, thriller britânico de Matt Palmer lançado pela Netflix, dois amigos deixam Edimburgo para caçar nas Highlands e acabam presos a uma decisão que contamina tudo. Um acidente coloca a dupla entre confissão e encenação, e a vila, com seus rituais de pub, solidariedade e desconfiança, vira pressão constante. Num catálogo saturado de suspense barulhento, o filme se destaca pela secura moral: o perigo cresce menos por mistério do que por escolhas sucessivas e más desculpas, quase sem alívio.

Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais, o filme de Christopher Nolan que faturou 2 bilhões de reais está na Netflix Divulgação / Warner Bros.

Vencedor do Oscar de Efeitos Visuais, o filme de Christopher Nolan que faturou 2 bilhões de reais está na Netflix

Entre a espionagem e a ficção científica, a trama segue um agente recrutado por uma célula internacional para impedir uma catástrofe que reorganiza a ordem do tempo. O filme importa porque insiste, contra a maré de franquias e explicações mastigadas, em apostar num blockbuster original que pede atenção ativa, num mercado treinado para o consumo distraído. Também recoloca em disputa o som nas salas e a confiança do público em narrativas complexas. Na escuridão, o espectador trabalha, de novo, sem pausa.