Autor: Giancarlo Galdino

Se Castelo Rá-Tim-Bum estreasse hoje, seria cancelado

Se Castelo Rá-Tim-Bum estreasse hoje, seria cancelado

Criado por Cao Hamburger e Flavio de Souza, o “Castelo Rá-Tim-Bum” (1994-1997) até hoje é reverenciado como sinônimo de produção lúdica e educacional. Contudo, se fosse relançado agora, em plena era das redes sociais, da polarização e das suscetibilidades, a glória haveria de ser a mesma ou Nino, Doutor Victor, Morgana e companhia amargariam uma rejeição instantânea e encarniçada?

O renascimento dos sebos: por que o livro físico nunca morre

O renascimento dos sebos: por que o livro físico nunca morre

Os sebos, velhos templos do livro usado, têm resistido, e novas livrarias especializadas em volumes de segunda mão estão aparecendo em cidades do mundo inteiro. Esses estabelecimentos são uma prova incontestável do poder da memória e dos afetos, além, claro, de encarnar, ainda que de maneira simbólica, a força da tradição sobre a tecnologia e o tal progresso, atrabiliário e excludente em muitas ocasiões. Um aviso, sutil e romântico, de que o conhecimento não cai do azul.

A geração que aprendeu mais com Harry Potter do que com a escola

A geração que aprendeu mais com Harry Potter do que com a escola

Minha experiência com “Harry Potter” resume-se a, no início da tarde de um dia qualquer de 1997, passar os olhos na capa espalhafatosa do volume na estante de um shopping próximo à escola que frequentava, consultar o índice, ler umas tantas páginas e não sentir coisa alguma. Nasci velho, porém muita gente chega ao mundo com sua idade cronológica ajustada à natureza da vida como ela é, e dessa forma, a mina de ouro descoberta por J.K. Rowling têm sua razão de ser. “Harry Potter” encarrega-se de traduzir os códigos menos cartesianos da vida, e isso Rowling sabe.

5 livros que tratam o amor como Nietzsche tratava a esperança: cruelmente

5 livros que tratam o amor como Nietzsche tratava a esperança: cruelmente

Friedrich Nietzsche (1844-1900), o filósofo da suspeita, jamais caiu na armadilha, fácil e deleitosa, de idealizar o amor, ao contrário: desnudou-o de seus véus morais e desceu a seu fundo trágico, dionisíaco, de gozo imediato e violento. Para Nietzsche, o amor está eivado de um instinto de dominação, de exercer sobre o outro total controle, possuí-lo para além do corpo, por óbvio, e adonar-se de sua alma. Nesta lista, figuram cinco livros, duros cada qual a sua maneira no que toca aos ardis cruéis do amor. Ninguém deixou de amar depois deles, mas decerto o amor perdeu muito daquela inocência malévola quando de sua publicação.

Faroeste com Sharon Stone e Leonardo DiCaprio é o melhor filme que você vai ver esta semana na Netflix Divulgação / TriStar Pictures

Faroeste com Sharon Stone e Leonardo DiCaprio é o melhor filme que você vai ver esta semana na Netflix

O império da lei era ainda um cenário distante em 1880, quando se desenrola a história de “Rápida e Mortal”; homens corretos, ladrões e meretrizes encontravam uma maneira qualquer para conviver em harmonia, e desses acordos tácitos nasciam relações que, não raro, sobrepujavam a morte. Histórias como essa, sobre indivíduos que desfilam na corda bamba da existência, na qual ficariam para sempre, até que sofrem um baque ainda maior do que aqueles a que estavam habituados, nunca saem da mira do espectador, e no filme de Sam Raimi isso resta mais e mais claro à medida em que vão se amalgamando tipos em diferentes níveis de marginalidade, uns mais sedutores, outros francamente abjetos.