Autor: Giancarlo Galdino

A literatura como castigo: a arte de dizer pouco com muitas palavras

A literatura como castigo: a arte de dizer pouco com muitas palavras

Não, não era sobre “Homens Elegantes” (2016) a sinopse publicada pela Bula anteontem, mas este artigo é. O romance histórico do gaúcho Samir Machado de Machado talvez seja um dos livros mais pretensiosos já publicados, ainda que, reconheço, Machado de Machado seja digno de nota pelo esforço em misturar sátira, crítica ao colonialismo e uma reflexão sobre as diversas formas de masculinidade. A suposta elegância de Machado de Machado é a desculpa perfeita para falar muito e dizer pouco, uma maneira garrida de mistificação.

Suspense com Julianne Moore vai tirar seu fôlego até a última cena Divulgação / Columbia Pictures

Suspense com Julianne Moore vai tirar seu fôlego até a última cena

“Os Esquecidos” aposta no lado ambivalente da natureza de cada um, tão cheio de luzes e sombras, de reentrâncias e saliências, subidas e declives, mantido a salvo da curiosidade quase sempre destrutiva de quem nos rodeia. O filme de Joseph Ruben, sobre uma mulher atormentada pela morte do filho num acidente de avião há catorze meses, é feito de detalhes que avançam numa direção, só para que, na iminência do desfecho, o diretor resolva interromper o fluxo e dar outra explicação ao mistério que se erigia.

Cinebiografia do maior poeta do rock nacional chega à Netflix e emociona com fórmula certeira Divulgação / 20th Century Fox

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Em “Somos Tão Jovens”, Antonio Carlos da Fontoura faz reviver a atmosfera do faroeste caboclo enunciado pelo Renatinho da Cultura (Inglesa), outro de seus apelidos, este por ter feito parte do quadro de professores da instituição entre 1978 e 1981. Até chegar ao célebre Russo, em memória do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1788) e do matemático britânico Bertrand Russell (1872-1970), passaram-se intermináveis quatro anos, longe de serem tempo perdido.

A melhor ficção científica que você verá neste fim de mês acaba de estrear na Netflix Divulgação / Paramount Pictures

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O pulo do gato em “Infinito” é fazer com que o espectador acredite que a jornada de Evan McCauley é uma sucessão de acasos, o que acontece sem nenhuma dificuldade, já que essa é, basicamente, a história de qualquer um. Partindo de suas fraquezas, esse sujeito atormentado pode tornar-se uma figura mítica ou resistir, encarniçado na dúvida de que algum mistério caviloso integre sua essência.

Escritores identitários são premiados pelo que representam, não pelo que escrevem

Escritores identitários são premiados pelo que representam, não pelo que escrevem

A piedade nunca foi boa conselheira. Nos últimos anos, um novo critério parece ter se infiltrado silenciosamente nos bastidores dos grandes prêmios literários: o autor deve receber mais importância do que o que é escrito. Em muitos casos, a indústria literária passou a funcionar obedecendo a lógica semelhante à do marketing: quem representa minorias vende, gera manchetes, dá entrevistas, encaixa-se no discurso das novas gerações e, portanto, merece o investimento. Dar visibilidade a autores fora do cânone é fundamental — o que não significa rebaixar o padrão. Premiar alguém apenas por sua identidade é, em última instância, uma forma sutil de tutela.