Autor: Giancarlo Galdino

O melhor filme argentino da década, aclamado em Veneza, pode ser visto na HBO Max Divulgação / Memento Films

O melhor filme argentino da década, aclamado em Veneza, pode ser visto na HBO Max

A partir de Schopenhauer, o texto lê “O Cidadão Ilustre” como um retrato da vontade que produz ruína, mesmo sob bons propósitos. Daniel Mantovani, ao “agradecer” o Nobel, celebra a própria debacle e retorna a Salas movido por vaidade, orgulho e condescendência. O enredo avança do vexame à violência, até um ápice de confronto com as “autoridades”. No caminho, a crítica aproxima o personagem de Roger Scruton para defender uma ideia exigente de arte, avessa a usos ideológicos.

Um filme da Netflix que faz você repensar o que significa “crescer” Divulgação / Netflix

Um filme da Netflix que faz você repensar o que significa “crescer”

O texto lê “Beasts of No Nation” como manifesto sobre liberdade e inocência esmagadas por guerras internas, com um diretor que suaviza a violência para realçar seu absurdo. A narrativa acompanha Agu, menino que foge para a selva após o massacre da família, e cai nas mãos do Comandante, vivido por Idris Elba, figura moldada pela debacle da civilização. Entre manipulação, batismo de sangue e herança de trauma, a crítica aponta o desconforto de histórias africanas contadas por não africanos.

O filme da Netflix sobre solidão que transforma silêncio em amadurecimento Walter Thomson / Netflix

O filme da Netflix sobre solidão que transforma silêncio em amadurecimento

O texto acompanha como “Por Lugares Incríveis” engana o olhar: promete destinos grandiosos, mas encontra em Indiana um mapa emocional de adolescentes feridos. A crítica destaca a química improvável de Elle Fanning e Justice Smith, a fotografia que torna o banal fascinante e o melodrama que se aproxima sem pedir licença. Entre humor ácido, referências literárias e comparações com outros romances, o filme surge como história de amor com cicatrizes, risco e uma mensagem sobre o que nunca sabemos dos outros.

Um romance filosófico na Netflix que mistura ciência e Nietzsche e vira um quebra-cabeça perturbador Divulgação / Netflix

Um romance filosófico na Netflix que mistura ciência e Nietzsche e vira um quebra-cabeça perturbador

O texto analisa como “The Discovery” transforma a promessa de continuidade após a morte em combustível para desespero coletivo, exploração e conflito íntimo. Charlie McDowell cerca a narrativa com névoa noir e uma fotografia que cria distância entre espectador e cena, enquanto o doutor Thomas Harbor, vivido por Robert Redford, vira o centro de um fenômeno social incontrolável. Entre filhos em rota de colisão e um romance que não engrena, o filme investiga inteligência artificial, memória e o desejo humano de recomeço.

Um homem, uma montanha, um lobo: o filme da Netflix que transforma solidão em ferocidade e hipnotiza sem pressa Divulgação / Alfa Pictures

Um homem, uma montanha, um lobo: o filme da Netflix que transforma solidão em ferocidade e hipnotiza sem pressa

O texto acompanha como Samu Fuentes transforma o cotidiano de Martinon, isolado nas montanhas espanholas, em reflexão sobre o excesso de si e a miséria de estar só. Entre caça a lobos, idas à vila e a tentativa de comprar uma esposa, surgem Pascuala e Adela, duas presenças que deslocam o caçador entre brutalidade e afeto. A crítica destaca o trabalho físico de Mario Casas, a fotografia nevada de Aitor Mantxola e os riscos formais de “Sob a Pele do Lobo”, sem ignorar tropeços do roteiro e o eco de “O Regresso”.