Autor: Fernando Machado

Assinado pelo ganhador do Oscar por “Anora“, Sean Baker, o novo filme que acaba de chegar à Netflix combina sutileza emocional e realismo contundente Divulgação / Cinema Inutile

Assinado pelo ganhador do Oscar por “Anora“, Sean Baker, o novo filme que acaba de chegar à Netflix combina sutileza emocional e realismo contundente

O ponto de partida de “A Garota Canhota“ é menos uma situação extraordinária e mais a constatação de que certas rotinas familiares carregam tensões capazes de moldar silenciosamente cada membro do núcleo. Shu-Fen, interpretada por Janel Tsai, retorna a Taipei com as duas filhas, I-Ann (Shih-Yuan Ma) e I-Jing (Nina Ye), buscando recomeçar depois do colapso financeiro que se intensifica quando o ex-marido adoece gravemente.

Um dos lançamentos mais comentados do ano: o novo terror dos Philippou aposta em violência e tensão extrema e está na HBO Max Divulgação / Causeaway Films

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A brutalidade de “Faça Ela Voltar“ não funciona como um artifício para chocar o público, mas como a espinha dorsal de uma narrativa que encara a violência com a frieza de um diagnóstico. Logo nos primeiros minutos, a rotina de Daniel, vivido por Jonah Wren Phillips, e de sua meia-irmã Ruby, interpretada por Aisha Wilkinson, é abruptamente deslocada depois da morte do pai. O deslocamento não se reduz a um luto inicial: a chegada à casa onde vão viver sob a tutela de uma nova responsável cria um ambiente em que cada gesto e cada silêncio funcionam como sinais de alerta.

Obra-prima vencedora do Oscar, de Denis Villeneuve, na HBO Max Divulgação / Paramount Pictures

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A primeira impressão que “A Chegada“ provoca é a de um deslocamento calculado: o filme não se apoia em estímulos fáceis nem tenta mascarar sua estrutura com truques formais. Ele aposta em algo mais ambicioso, ainda que discreto. O ponto de partida é simples, quase austero. Louise Banks, interpretada por Amy Adams, atravessa um campus silencioso para lecionar linguística enquanto o mundo tenta compreender o aparecimento de doze naves fixadas sobre o planeta com uma imobilidade inquietante.

Terror que acaba de chegar ao Prime Video faz do luto o gatilho para algo muito mais perturbador Divulgação / Moonlight Film

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“O Armário” se constrói a partir de uma situação familiar que, à primeira vista, poderia sugerir apenas uma reacomodação emocional após um período de perda, mas rapidamente se revela como um campo de tensão entre o luto, a racionalidade possível diante do inexplicável e a incapacidade humana de aceitar que certos espaços guardam mais do que lembranças. A mudança de Sang-won, interpretado por Ha Jung-woo, e de sua filha Yi-na, vivida por Heo Yool, para uma casa afastada não funciona como a tentativa esperada de reorganizar a vida após a morte da mãe; torna-se, ao contrário, o início de uma convivência diária com sinais que ultrapassam o alcance de qualquer explicação convencional.

Romance húngaro no Prime Video mostra que o amor chega quando se menos espera Divulgação / Film Positive Productions

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O interesse inicial por “O Pretendente“ costuma nascer da simplicidade aparente de sua premissa: um acordo conjugal limitado por prazo, costurado para satisfazer conveniências familiares e financeiras. No entanto, a narrativa conduzida por Ida, interpretada com contenção calculada por Dorka Gryllus, amplia essa moldura. A jovem retorna ao mundo exterior após anos no convento e percebe que a única estrutura que reconhecia como estável, o pai interpretado por Attila Tóth, se desfez em meio a excessos, festas improvisadas e uma noiva cuja idade confronta diretamente qualquer noção razoável de responsabilidade.