Autor: Edison Veiga

As árvores da minha vida

As árvores da minha vida

Nunca entendi por que as pessoas não gostavam da velha paineira lá da chácara. Era a minha árvore favorita quando criança: suas fortes e exuberantes raízes aparentes aconchegavam na hora do descanso e funcionavam como fortalezas imaginárias em qualquer brincadeira; seus galhos estavam sempre cheios de passarinhos; e, na época certa, seus fiapos de paina cobriam o pasto ao redor: eu pensava que isso devia ser algo parecido com a neve.

A angústia de não saber ler

A angústia de não saber ler

Foi por teimosia que eu me tornei um leitor compulsivo. Eu estava na segunda-série quando minha mãe me levou para fazer a carteirinha da biblioteca municipal de Taquarituba e me lembro perfeitamente da solenidade que me acometeu diante daquele ritual de aprontar foto 3×4, esperar a bibliotecária datilografar meu nome, data de nascimento, endereço, telefone de casa, depois sair com uma fichinha onde seriam anotados os livros retirados que, após entregues, mereceriam na linha correspondente um carimbo “devolvido” com a data e a assinatura da funcionária.

O último pedaço de terra do mundo

O último pedaço de terra do mundo

A casa onde moro era pouco mais do que um amontoado de ripas sobre um alicerce bem-fundado quando a vizinha D., que sempre olhava pela janela e de vez em quando esboçava um sorriso quando vínhamos visitar terreno, fundação e, depois, início das obras, arriscou romper o distanciamento social europeu. O protocolar cumprimento de todas as vezes acabou virando um esboço de diálogo, com as perguntas que sempremente aguçam a curiosidade dos locais: de onde são vocês, por que se mudaram para cá, já falam esloveno, com o que trabalham, quanto tempo pretendem ficar.