Autor: Edison Veiga

Escapismos

Escapismos

A terra estava arrasada, uma estiagem sem fim e a desordem do turbilhão daquela época, reflexos sociais e financeiros dos conflitos e atritos pela unificação daquele amontado de cidades em um só país, a Itália. Na véspera, Vigilio havia se despedido da família e pedido a bênção à velha mãe Teresa Rauta — o pai, Lazzaro, já tinha falecido fazia alguns anos.

Srečno novo leto: etimologias e rabugices para começar 2026

Srečno novo leto: etimologias e rabugices para começar 2026

Atrás da porta lá da despensa, a folhinha dependurada está na última página e eu me pergunto se isso são horas para aprender alguma coisa nova. Pois foi. Descobri que, em esloveno, coração e sorte têm a mesma raiz. Pronto. Já é o suficiente, suspiro. Basta. Posso fechar o laptop, olhar para o calendário empoeirado e concluir sumariamente e com requintes de crueldade: não preciso aprender mais nada em 2025. Em português, como todos sabemos, coração é uma coisa, sorte é outra. Normalmente, não andam de mãos dadas.

É Natal no zoológico

É Natal no zoológico

Adi gosta do inverno por dois motivos muito práticos. O primeiro: há menos visitantes batendo no vidro, exigindo atenção, atrapalhando a modorra diuturna de quem vive em um recinto de zoológico. A segunda razão é justamente a escuridão expandida. Não é depressão sazonal, mas Adi é um esmerado especialista em emendar uma soneca na outra como se todo dia fosse domingo e não houvesse, er, o impaciente Oto a lhe cutucar.

Decepções

Decepções

Existe um bombom de marca famosa cujo recheio é uma suculenta gororoba chocolática, de lamber os beiços. Lançaram outro dia uma versão gigante dele. Achei que finalmente tinham entendido o consumidor: colheradas, excessos, alguma generosidade para o café da tarde. Comprei. Foi uma decepção. A casca era grande, sim. Mas, por dentro, havia apenas o velho silêncio das promessas infladas. Fiquei ali, bombom oco em uma mão, cara de ludibriado refletindo na colher empunhada pela outra.