A vida é uma sequência de incertezas, e dessas incertezas surgem questionamentos profundos acerca dos temas mais improváveis, aqueles que nos assaltam quando estamos sozinhos. Há quem enverede pelo lado sombrio da estrada com tanto gosto que até acha que o mundo lhe deve qualquer coisa e, portanto, pode fazer tudo para chegar ao seu objetivo. Essa nunca foi uma opção para Sarah Jenkins, embora ela também não pense em abaixar a cabeça e aceitar os planos dos outros para si, ideia que movimenta “Velocidade e Paixão”. Sergej Moya recicla o gênero dos falsos namoros unindo automobilismo e crises existenciais, obtendo uma história sobre resiliência e superação. Com lugar para desavenças e conquistas, por óbvio.
Mulher ao volante
Sarah, ou Savvy para os íntimos, não tem medo de marmanjo e nem de botar a mão na massa. Apaixonada por carros, motores, graxa e pistas, ela procura brechas nesse universo machista e truculento, e parece disposta a ir às últimas consequências para ter sua chance como mecânica de carros de corrida na Fórmula 1. Malina Nwabuonwor e Chris Silber adaptam a história de Tamara Lush publicada no Wattpad, a plataforma para publicação de textos online, dando atenção especial à índole belicosa da anti-heroína, detalhe que ganha importância extra na hora em que Dante Annunziata surge. Piloto hábil, mas sempre inclinado a encrencas, Dante adiciona outro arranhão a sua má fama, e dessa vez Savvy está com ele no escândalo. Moya tira de Lisa-Marie Koroll e Amin Baahmed atuações que oxigenam o clichê, sem exageros ou pretensões. Este é um filme sobre o amor que desafia a lógica. Sobre o amor comum.

