O universo é vasto demais para ser governado por gente mesquinha cuja visão míope fomenta insurreições de consequências imprevisíveis, espalhando-se de galáxia em galáxia até que tudo redunde num majestoso buraco negro. Aquela ambição, inocente só à primeira vista, de estender seus domínios para muito além de suas limitadas possibilidades leva o homem a chocar-se contra a imagem de progresso — por mais frustrante que seja reconhecê-lo —, ideia que toma “Rubikon: Ponto sem Retorno”. Magdalena Lauritsch usa a ficção científica para instigar no público a urgência de pensar sobre o colapso da civilização, que, claro, começa aqui na Terra, há muito tempo. Lauritsch, a corroteirista Jessica Lind e a consultora de roteiro Elisabeth Schmied discorrem acerca das perenes injustiças do capitalismo e as mil desigualdades de um sistema tirânico que ignora a responsabilidade coletiva sob o pretexto de mirar a evolução. Dá-se o inverso.
Sobreviver ao futuro
Em 2056, a Terra está coberta por uma névoa tóxica que ameaça a sobrevivência de quem ainda é capaz de respirar. Hannah Wagner, Gavin Abbott e Dimitri Krylow parecem uma equipe afinada, unida por um interesse em comum, mas aos poucos conclui-se que persiste entre os três algum desconforto. Lauritsch urde uma distopia iluminando personalidades e desejos ocultos dos tripulantes, deparando-se com uma necessidade demasiado humana. Paralelamente a suas próprias batalhas, Hannah, Gavin e Dimitri têm de decidir se buscam por sobreviventes ou permanecem confinados na nave, alimentando-se de algas e torcendo que a produção de oxigênio não falhe, momentos a que Julia Franz Richter, George Blagden e Mark Ivanir conferem tenso lirismo.

