“O Cara da Piscina” tem o condão de equilibrar-se entre o mistério, a investigação de um crime absurdo e uma comédia que assume sua essência farsesca. Em mãos imprudentes, a audácia decerto degeneraria num arrastar sem fim de cenas pretensiosas que não empolgariam ninguém, mas Chris Pine demonstra habilidade nessa mistura, evidenciando que cada uma dessas engrenagens tem sua razão de ser. Excentricidades quase manjadas, como a alusão aos filmes policiais dos anos 1940, ganham um tom jocoso e agridoce que perdura ao longo dos cem minutos, voltado a fazer um raio-x das peças raras a orbitar Los Angeles. Num primeiro filme tão inquieto quanto original, Pine se sai bem no papel de diretor.
Detetive por acaso
O próprio Pine encarna Darren Barrenman, legítimo representante de uma LA sem o glamour do cinema. O personagem-título ganha a vida mantendo a limpeza da área comum de um conjunto de apartamentos populares, sem grandes ambições, querido pelos moradores e bem perto de casa, um trailer estacionado a poucos metros dali. Darren já se acostumou a nunca saber de nada, a ser ignorado por todos, e por isso fica atônito quando se vê metido num esquema que junta políticos venais e especuladores imobiliários dispostos a tudo, o que exige dele uma reação. O roteiro, coescrito com Ian Gotler, atesta essa força criativa de Pine, capaz de fazer de Darren um marginal-herói que inspira pena e a torcida do público, num movimento que dá à trama um quê de Jim Jarmusch ou até Roman Polanski. Embora onipresente, Pine não desperdiça DeWanda Wise e Annette Bening, em interpretações certeiras.

