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Em 1996, na cidade canadense de Waterloo, os inventores Mike Lazaridis (Jay Baruchel) e Doug Fregin (Matt Johnson) tentam convencer um empresário a apostar em uma ideia ambiciosa. Os amigos querem criar um telefone capaz de enviar e receber e-mails, mas precisam de dinheiro e de alguém que saiba vender o projeto.

A solução aparece na figura de Jim Balsillie (Glenn Howerton), um executivo impaciente e disposto a assumir riscos. A parceria abre portas para os inventores, mas também coloca três homens de temperamentos muito diferentes à frente da mesma empresa.

Dirigido por Matt Johnson, “BlackBerry” acompanha os bastidores da criação do aparelho que se tornaria um símbolo de prestígio e mudaria a maneira de trabalhar e se comunicar. Lançado em 2023, o longa mistura comédia e drama para contar uma história inspirada em pessoas e acontecimentos reais, com liberdade para recriar episódios e personagens.

Uma boa ideia sem dinheiro

Mike e Doug comandam a Research in Motion, conhecida pela sigla RIM. Na pequena empresa, cercada por computadores, peças eletrônicas e funcionários apaixonados por tecnologia, eles passam os dias tentando tirar suas invenções do papel.

Mike domina os aspectos técnicos do projeto. Ele sabe explicar o funcionamento das redes e acredita que pode colocar um computador e um telefone no mesmo aparelho. O problema começa quando precisa apresentar a ideia a pessoas interessadas em números, contratos e lucros.

Doug é mais expansivo e ajuda a manter o escritório unido. Usa uma faixa na cabeça, faz piadas e divide com os colegas o gosto por jogos e cinema. Enquanto Mike se concentra nos circuitos, o amigo cuida para que a empresa continue sendo um lugar onde todos gostem de estar.

A apresentação a Jim deixa evidente a distância entre o mundo dos inventores e o universo dos executivos. Mike se perde em detalhes, Doug tenta chamar atenção para o projeto, e o empresário parece ter assuntos mais urgentes para resolver. Os dois têm uma ideia promissora, mas ainda não possuem um aparelho pronto para mostrar.

O sócio que muda a rotina

Jim enxerga uma oportunidade onde outras pessoas veem apenas um grupo desorganizado de engenheiros. Ele se aproxima dos inventores com uma proposta de investimento e disposição para assumir parte do comando da RIM.

A chegada do executivo altera a rotina do escritório. Enquanto Doug valoriza a amizade entre os funcionários, Jim se preocupa com prazos, reuniões e vendas. Ele fala alto, perde a paciência e trata qualquer hesitação como um desperdício de tempo.

Glenn Howerton faz de Jim uma figura difícil de ignorar. Sua impaciência rende cenas divertidas, especialmente quando ele precisa lidar com pessoas que prefeririam desmontar um computador a participar de uma reunião. O ator também deixa transparecer a ambição de um homem que conhece as regras do mercado e quer usá-las a seu favor.

A atuação de Jay Baruchel segue por outro caminho. Seu Mike é tímido e inseguro diante de empresários, mas ganha firmeza quando o assunto é tecnologia. Há delicadeza na maneira como o ator interpreta alguém capaz de resolver um problema complicado e, minutos depois, se atrapalhar numa conversa.

Matt Johnson, que também dirige o longa, dá a Doug uma energia calorosa. O personagem ajuda a lembrar que aquela empresa nasceu entre amigos, antes de receber executivos e investidores interessados em transformá-la em um grande negócio.

Um protótipo feito às pressas

A nova parceria logo exige trabalho da equipe. Jim marca uma apresentação para possíveis compradores, mas o aparelho ainda precisa ser montado. Mike e seus colegas recebem a tarefa de preparar um protótipo em uma única noite.

A pressa rende uma das passagens mais divertidas de “BlackBerry”. Os engenheiros reúnem peças e trabalham até tarde para apresentar uma versão da invenção. Jim já assumiu o compromisso comercial, e agora cabe aos técnicos provar que a ideia pode sair da bancada.

Na reunião com representantes da Bell Atlantic, a diferença entre os sócios volta a pesar. Jim consegue acesso aos executivos, mas precisa de Mike para explicar como o telefone pode enviar mensagens usando a rede sem fio. O inventor, por sua vez, depende da habilidade comercial do parceiro para que sua criação seja levada a sério.

O filme encontra graça nesse encontro entre pessoas que falam línguas diferentes, embora trabalhem pelo mesmo objetivo. Jim quer fechar um acordo. Mike quer entregar um produto que funcione. Doug tenta preservar o ambiente em que todos começaram a trabalhar juntos.

O preço de crescer

À medida que a RIM atrai interesse, as promessas feitas nas salas de reunião chegam às mãos dos engenheiros. O grupo precisa aperfeiçoar o aparelho, atender às expectativas dos compradores e lidar com uma rotina cada vez mais exigente.

O crescimento também traz mudanças para os amigos. Mike passa a dividir o comando com Jim e precisa decidir quanto está disposto a ceder para ver sua invenção chegar ao público. Doug observa a empresa ganhar uma dimensão distante do escritório descontraído que ajudou a criar.

O longa também aproveita o contraste entre o telefone de teclas pequenas e os hábitos de quem assiste hoje. Para o público acostumado a carregar praticamente a vida inteira no celular, é curioso acompanhar uma época em que receber e-mails fora do escritório parecia uma ideia extraordinária.

Mesmo quando algumas figuras assumem características exageradas, o elenco sustenta o interesse pela disputa. Mike tem conhecimento, Doug conhece sua equipe e Jim sabe abrir portas. Para levar o aparelho aos compradores, os três precisam continuar trabalhando juntos, ainda que cada reunião deixe essa convivência um pouco mais difícil.


Filme: Blackberry
Diretor: Matt Johnson
Ano: 2023
Gênero: Biografia/Comédia/Drama
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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