Aaron Sorkin, vencedor do Oscar pelo roteiro de “A Rede Social”, escreve e dirige “Os 7 de Chicago”. Na Netflix, Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne lideram um elenco que transforma a disputa de versões dentro de um tribunal em um drama político de grande energia.
Os 7 de Chicago (2020)
Depois dos confrontos entre manifestantes e policiais durante a Convenção Democrata de 1968, em Chicago, ativistas são levados a julgamento. Eles compartilham a oposição à Guerra do Vietnã, mas divergem sobre os métodos de protesto e a maneira de enfrentar o processo. Dentro do tribunal, a defesa precisa responder à acusação enquanto lida com um juiz hostil e com as diferenças entre os próprios réus.
Aaron Sorkin organiza o filme como uma disputa pelo direito de contar o que aconteceu. Depoimentos, lembranças das manifestações e conversas entre os envolvidos alteram o sentido das informações que chegam ao espectador. Os diálogos têm velocidade, humor e capacidade de ferir. O interesse cresce quando fica claro que a palavra pode servir tanto para esclarecer um fato quanto para limitar aquilo que será ouvido.
Sacha Baron Cohen, como Abbie Hoffman, faz da provocação uma ferramenta política; Eddie Redmayne encontra em Tom Hayden uma postura mais contida e outro entendimento de como produzir mudança. Mark Rylance, no papel do advogado William Kunstler, tenta conduzir a defesa em um ambiente que continuamente restringe sua atuação. A presença de Bobby Seale, interpretado por Yahya Abdul-Mateen II, evidencia de maneira especialmente dura a desigualdade no tratamento dos acusados.
Embora parta de um processo real, o filme seleciona e reorganiza acontecimentos para construir seu drama. Vale vê-lo pela capacidade de tornar visíveis os conflitos que atravessam uma instituição: quem controla as regras, quem pode falar e quais gestos são apresentados como ameaça. Sorkin encontra ação no embate verbal e nos pequenos movimentos de poder dentro da sala. O resultado funciona muito bem para quem gosta de cinema de tribunal com personagens fortes e tensão crescente.
Seis indicações ao OscarEm 2021, o filme concorreu a melhor filme, roteiro original, ator coadjuvante para Sacha Baron Cohen, fotografia, montagem e canção original. Dez anos antes, Sorkin havia vencido o Oscar de roteiro adaptado por “A Rede Social”.

