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Em Mercer, uma pequena cidade de Ohio, os moradores convivem com fenômenos provocados por um centro de pesquisa instalado sob seus pés. Crianças encontram estruturas abandonadas na floresta, adolescentes descobrem possibilidades de escapar da própria vida e adultos precisam lidar com situações que nem os cientistas sabem resolver. Lançada em 2020, “Contos do Loop”, criada e escrita por Nathaniel Halpern, acompanha essas experiências pelo que elas provocam nas famílias. O laboratório investiga os mistérios do universo, mas quem mora nas redondezas precisa continuar criando filhos, trabalhando e tentando preservar suas relações.

A série tem oito episódios e se inspira nas pinturas do artista sueco Simon Stålenhag. As histórias se cruzam, embora cada capítulo acompanhe personagens diferentes. Uma pessoa que surge discretamente em uma cena pode ganhar protagonismo mais adiante. Aos poucos, a cidade deixa de ser apenas um lugar estranho e passa a reunir rostos conhecidos, com problemas que persistem mesmo quando a atenção se volta para outra casa.

Uma menina em busca da mãe

O primeiro episódio, dirigido por Mark Romanek, acompanha uma menina interpretada por Abby Ryder Fortson. Sua mãe, Alma (Elektra Kilbey), trabalha no Loop e passa boa parte do tempo ocupada com pesquisas que a filha desconhece. Quando a menina se vê sem a mãe e sem a casa, sai à procura de ajuda. Pelo caminho, conhece Cole (Duncan Joiner), um garoto disposto a acompanhá-la.

Romanek apresenta esse desaparecimento pela perspectiva infantil. A menina procura uma pessoa, um endereço, alguma coisa familiar. O espectador compartilha sua desorientação porque recebe poucas informações além daquilo que ela própria consegue descobrir. A curiosidade nasce dessa busca concreta, sem exigir que alguém interrompa a história para explicar física.

Duncan Joiner dá a Cole uma combinação comovente de iniciativa e vulnerabilidade. Ele quer ajudar, faz perguntas e segue em frente, mas continua sendo uma criança diante de acontecimentos que ultrapassam sua experiência. A parceria entre os dois torna a abertura acolhedora, apesar da aflição. Existe um mistério, mas também existe alguém disposto a procurar junto.

Uma família ligada ao laboratório

Cole é filho de Loretta (Rebecca Hall) e George (Paul Schneider), que trabalham no centro de pesquisa. O casal também tem Jakob (Daniel Zolghadri), um adolescente retraído, insatisfeito com a própria vida e pouco à vontade entre os colegas. Russ (Jonathan Pryce), pai de George e fundador do Loop, completa esse núcleo familiar, no qual o conhecimento científico convive com dificuldades bastante domésticas.

Rebecca Hall interpreta Loretta com uma reserva que pede atenção. A personagem demonstra afeto sem transformar cada conversa em uma declaração, e seus silêncios deixam espaço para perceber o cansaço e a distância entre mãe e filhos. Paul Schneider também dá a George uma insegurança reconhecível. Trabalhar em um lugar extraordinário não o torna um pai capaz de solucionar qualquer problema.

A alternância entre os moradores favorece essas atuações. Quem parecia distante ganha intimidade quando recebe mais tempo em cena. Ainda assim, a lentidão pesa em algumas passagens. Há silêncios que acrescentam desconforto e outros que permanecem depois de o sentimento já ter sido comunicado. O ritmo exige disposição, sobretudo de quem chega esperando uma sucessão de descobertas sobre o laboratório.

A tentação de ter outra vida

Jakob ganha destaque quando encontra uma estrutura na floresta ao lado do amigo Danny (Tyler Barnhardt). A descoberta oferece aos dois uma possibilidade extraordinária de experimentar outra existência. Antes disso, porém, a insatisfação já estava instalada. Cada rapaz observa a vida do outro e imagina vantagens que talvez compensassem suas próprias frustrações.

Essa história tem força porque preserva a falta de perspectiva da adolescência. Para Jakob, ser outra pessoa parece uma solução tentadora. Ele enxerga o que deseja no amigo, mas conhece apenas uma parte de seus problemas. Danny também carrega ressentimentos que interferem na relação. A descoberta na mata dá aos dois uma oportunidade para a qual nenhum deles está preparado.

Zolghadri interpreta Jakob sem tornar sua timidez simpática o tempo inteiro. O rapaz pode ser fechado, desconfortável e difícil de alcançar. Isso o aproxima de adolescentes reais, que nem sempre conseguem explicar o que sentem antes de tomar uma decisão ruim. O episódio ganha tensão quando uma experiência compartilhada passa a depender de desejos que já não coincidem.

O desejo de prolongar um encontro

Em outro capítulo, May (Nicole Law) se apaixona por Ethan (Danny Kang) e encontra uma maneira de estender o tempo que passam juntos. A possibilidade combina perfeitamente com aquele começo de romance em que qualquer despedida parece uma injustiça. Afinal, ninguém quer consultar o relógio durante o melhor encontro da vida.

A convivência, porém, exige mais do que entusiasmo. Quando o casal ganha tempo, também precisa preenchê-lo. Pequenas diferenças passam a ocupar o espaço antes tomado pela novidade, e May descobre que preservar um instante envolve lidar com uma pessoa que tem vontades próprias. Nicole Law sustenta bem essa passagem entre o encantamento e a frustração, sem pedir que o público condene a jovem por querer um pouco mais de felicidade.

As estruturas espalhadas pela paisagem despertam curiosidade, mas Jakob querendo fugir de si e May tentando prolongar um encontro oferecem razões mais fortes para continuar. Nem todos os capítulos mantêm o mesmo fôlego, e algumas pausas poderiam ser menores. Os melhores, entretanto, dão tempo para conhecer alguém antes que uma descoberta complique sua vida. Quando a ciência abre uma possibilidade, são essas pessoas, com seus afetos e suas limitações, que precisam decidir o que fazer com ela.


Filme: Contos do Loop
Diretor: Nathaniel Halpern
Ano: 2020
Gênero: Drama/Ficção Científica
Avaliação: 4/5 1 1
Fernando Machado

Fernando Machado é jornalista e cinéfilo, com atuação voltada para conteúdo otimizado, Google Discover, SEO técnico e performance editorial. Na Cantuária Sites, integra a frente de projetos que cruzam linguagem de alta qualidade com alcance orgânico real.

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