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Em 1933, o aventureiro Rick O’Connell (Brendan Fraser) e a egiptóloga Evelyn (Rachel Weisz) descobrem um bracelete numa escavação no Egito e acabam envolvidos em outra disputa com forças antigas. O problema ganha proporções familiares quando Alex (Freddie Boath), o filho de oito anos, coloca a peça no pulso e passa a ser perseguido por uma seita. Lançado em 2001, “O Retorno da Múmia”, de Stephen Sommers, reúne o casal numa corrida para resgatar o menino e impedir que o sacerdote Imhotep (Arnold Vosloo) conquiste o comando de um exército sobrenatural.

Rick e Evelyn estão casados, vivem em Londres e continuam interessados em descobertas arqueológicas. A presença de uma criança nas expedições sugere que os dois fizeram poucas concessões à prudência depois de formar uma família. Alex acompanha os pais com a curiosidade de quem cresceu entre histórias de tumbas e maldições. Para ele, um objeto antigo também pode ser um brinquedo interessante. O bracelete de Anúbis cobra caro por essa confusão.

Um bracelete que ninguém consegue tirar

A peça se prende ao braço de Alex e revela o caminho para o domínio do Rei Escorpião (Dwayne Johnson). Apresentado na abertura, o guerreiro fez um pacto com Anúbis para derrotar seus inimigos e ficou ligado a um poderoso exército. Imhotep pretende chegar até ele e tomar esse poder. Como o menino carrega as indicações necessárias para a viagem, os seguidores do sacerdote o sequestram.

O bracelete também estabelece um prazo que ameaça a vida de Alex. Rick e Evelyn precisam alcançar os sequestradores antes que o tempo se esgote, enquanto tentam impedir uma ameaça muito maior. Sommers acerta ao dar ao casal uma preocupação que dispensa grandes justificativas. Salvar o mundo é uma tarefa respeitável, mas recuperar o filho tem um peso particular para aqueles dois.

Freddie Boath dá ao garoto uma mistura simpática de inteligência, atrevimento e falta de noção do perigo. Alex sabe bastante sobre o assunto que colocou sua vida em risco, embora esse conhecimento não lhe garanta liberdade. Sua curiosidade faz sentido dentro daquela família. Com pais que entram em ruínas amaldiçoadas por vontade própria, seria difícil esperar uma criança excessivamente cautelosa.

Um casamento entre tumbas e perseguições

Fraser e Weisz sustentam boa parte do prazer de acompanhar “O Retorno da Múmia”. Existe familiaridade nas conversas, nas pequenas provocações e na maneira pela qual Rick e Evelyn dividem os problemas. O casamento preserva a atração entre eles e acrescenta uma preocupação compartilhada. Quando Alex desaparece, os dois precisam agir juntos, mesmo sem ter todas as informações sobre o que os espera.

Fraser interpreta Rick com a disposição física de um herói de aventura e o desconforto de quem gostaria de enfrentar uma dificuldade por vez. Ele apanha, improvisa e prossegue. Há graça no cansaço daquele homem, sobretudo porque seus adversários costumam contar com vantagens bastante injustas, a começar pela possibilidade de voltar dos mortos.

Evelyn tem participação ativa na busca. Seu conhecimento sobre o Egito ajuda a identificar os perigos, e ela também luta quando precisa. Weisz preserva o entusiasmo da pesquisadora sem deixar que a personagem pareça alheia ao risco. A preocupação com Alex dá outra gravidade às suas ações. Entrar numa tumba por interesse profissional é uma coisa. Atravessar o deserto atrás de um filho sequestrado exige outra disposição.

Londres também recebe seus monstros

Jonathan (John Hannah), irmão de Evelyn, acompanha a confusão com uma coragem que costuma chegar depois do susto. Durante a perseguição em Londres, ele assume o volante de um ônibus de dois andares enquanto criaturas atacam o grupo. Hannah aproveita bem o pânico de alguém obrigado a resolver uma emergência para a qual está pessimamente preparado.

A sequência resume uma qualidade de Sommers. O diretor mistura perigo e comédia dentro da mesma ação, sem precisar suspender a fuga para encaixar uma piada. Jonathan tenta manter os passageiros vivos, e seu esforço desajeitado rende graça porque a situação continua ameaçadora. As ruas londrinas ainda oferecem uma mudança bem-vinda depois das escavações e dos corredores antigos.

O excesso pesa quando uma perseguição mal termina e outra ameaça já exige atenção. Há pouco descanso para os personagens e para o espectador. Algumas passagens ganhariam força com mais tempo para registrar o medo, a dúvida ou o alívio. A química do elenco compensa parte dessa pressa, mas nem sempre consegue dar importância a tantos perigos sucessivos.

Imhotep quer mais do que ressuscitar

Arnold Vosloo devolve a Imhotep a segurança de quem considera a própria vitória uma questão de tempo. O sacerdote ressuscitado procura o poder do Rei Escorpião, e seus seguidores mantêm Alex sob vigilância para chegar ao destino desejado. O garoto interessa ao vilão por uma razão específica, o que mantém o sequestro ligado à disputa pelo exército.

Ardeth Bay (Oded Fehr) ajuda os O’Connell com informações sobre essa ameaça. Sua seriedade contrasta com a agitação dos companheiros, embora algumas advertências acabem soterradas por novas explicações sobre o passado. Sommers acumula lendas, vínculos antigos e regras sobrenaturais além do necessário. A busca pelo menino já oferece urgência suficiente. Quando o diretor se demora em mais uma revelação, a viagem perde parte do ritmo.

O afeto entre Rick e Evelyn dá importância às lutas e às fugas, mesmo quando o exagero ameaça ocupar todo o espaço. Há prazer em acompanhar um casal que continua apaixonado, competente e sujeito a péssimas circunstâncias. Com Alex nas mãos dos sequestradores, os dois atravessam o Egito sem poder esperar que o perigo passe.


Filme: O Retorno da Múmia
Diretor: Stephen Sommers
Ano: 2001
Gênero: Ação/Aventura/Fantasia/Suspense
Avaliação: 3.5/5 1 1
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