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Frodo Baggins (Elijah Wood) precisa deixar o Condado quando descobre que o anel herdado do tio pode devolver a Sauron o poder de dominar a Terra-Média. Esse é o ponto de partida de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, aventura de 2001 dirigida por Peter Jackson e baseada no primeiro volume da obra de J. R. R. Tolkien. A missão exige levar a peça até Mordor, onde poderá ser destruída. Para um hobbit acostumado à tranquilidade de casa, a incumbência chega sem qualquer preparo e coloca seus amigos em perigo.

Jackson começa dando bons motivos para Frodo querer ficar. O Condado tem casas aconchegantes, campos verdes, festas e moradores que levam as refeições bastante a sério. É um lugar onde a maior preocupação deveria ser descobrir quem ficou com a melhor parte do jantar. Ao apresentar esse cotidiano antes da partida, o diretor dá um peso afetivo à viagem. O rapaz deixa uma vida que conhece e ama para atravessar terras sobre as quais sabe pouco, carregando algo cujo poder nem os mais experientes conseguem controlar.

O perigo cabe na palma da mão

Bilbo Baggins (Ian Holm), tio de Frodo, possui o anel há muitos anos e demonstra uma dificuldade inquietante para se separar dele. Gandalf (Ian McKellen), amigo dos dois, investiga a origem da peça e confirma que ela pertence a Sauron. O objeto tem vontade própria, corrompe seus portadores e pode atrair aqueles que procuram recuperá-lo. Guardá-lo numa gaveta, portanto, está longe de resolver o problema. A presença dele transforma o Condado em um possível alvo.

McKellen é uma das grandes forças da adaptação. Seu Gandalf combina autoridade, afeto e uma preocupação que nem sempre consegue esconder. Há ternura na maneira como trata os hobbits, mas também firmeza quando precisa pedir a Frodo que abandone a segurança de casa. O ator torna convincente essa passagem entre o velho amigo que participa de uma festa e o mago que conhece a gravidade da ameaça. Quando ele recomenda a partida, o rapaz tem razões para escutar, mesmo sem conseguir dimensionar o que o espera.

Elijah Wood responde a essa relação com uma atuação apoiada na vulnerabilidade. Seu Frodo sente medo, hesita e procura orientação. Jackson preserva essas características em vez de apressar sua transformação em aventureiro. O interesse está em acompanhar alguém que aceita uma responsabilidade enorme porque permanecer parado colocaria outras pessoas em risco. A coragem do hobbit começa com a saída de casa, muito antes de qualquer habilidade com uma espada.

Quatro hobbits longe de casa

Sam (Sean Astin) acompanha Frodo, enquanto Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd) também se envolvem na fuga. Os quatro conhecem pouco das regiões que precisam atravessar e levam para a estrada seus hábitos domésticos. A preocupação com comida, o comportamento curioso e certas distrações rendem uma graça espontânea, sem apagar o perigo dos perseguidores. São amigos tentando sobreviver com uma experiência de mundo bastante limitada.

Astin dá a Sam uma lealdade que se manifesta em pequenos gestos e numa teimosia afetuosa. Ele permanece ao lado de Frodo porque se importa com o amigo, mesmo quando acompanhar seus passos significa abandonar qualquer possibilidade de conforto. Essa relação oferece um apoio emocional à aventura. Entre tantas informações sobre povos, reinos e guerras antigas, os dois mantêm uma proximidade fácil de reconhecer. O medo de perder alguém querido dispensa conhecimento sobre a história da Terra-Média.

A chegada a Bri acrescenta outra dificuldade. O abrigo esperado também reúne desconhecidos, e os hobbits precisam avaliar em quem podem confiar. Aragorn (Viggo Mortensen) surge nesse ambiente com uma aparência pouco tranquilizadora, embora tenha experiência para ajudá-los. Mortensen dispensa simpatia excessiva e constrói a credibilidade do personagem pelas atitudes. Sua presença muda as condições da viagem, pois oferece proteção a um grupo que até então dependia sobretudo da sorte.

Uma aliança cheia de diferenças

Em Valfenda, Frodo encontra acolhimento, mas não consegue simplesmente entregar o problema a alguém mais poderoso. Elrond (Hugo Weaving) reúne representantes de diferentes povos para discutir o destino do anel. A reunião expõe divergências sobre o que fazer com uma arma tão cobiçada. Destruí-la exige alcançar o território do inimigo, e a perspectiva dessa viagem pesa sobre todos os presentes.

Dessa discussão nasce a comitiva que dá nome a “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”. Gandalf, Aragorn e os quatro hobbits recebem a companhia de Legolas (Orlando Bloom), Gimli (John Rhys-Davies) e Boromir (Sean Bean). O elfo traz habilidade com o arco, o anão carrega seu machado e o guerreiro de Gondor chega preocupado com a defesa de seu povo. Nove viajantes assumem uma missão comum, embora isso não apague suas diferenças.

Sean Bean merece atenção por dar a Boromir uma urgência compreensível. Ele deseja proteger sua terra e considera o poder do anel uma possibilidade de enfrentar Sauron. Sua posição contrasta com a necessidade de destruir a peça e introduz uma desconfiança incômoda entre os companheiros. Frodo passa a carregar algo que desperta interesse também nas pessoas encarregadas de protegê-lo. A ameaça deixa de depender apenas da proximidade dos perseguidores.

Cada caminho cobra um preço

Jackson dá à viagem uma dimensão física. Os personagens caminham, sentem frio, se cansam e precisam escolher passagens que oferecem perigos diferentes. Nas montanhas, a neve dificulta o avanço. Em Moria, os corredores escuros limitam o que podem enxergar e tornam cada ruído motivo de apreensão. As paisagens têm beleza, mas os viajantes raramente podem se dar ao luxo de contemplá-las por muito tempo.

A quantidade de nomes e referências pode exigir atenção de quem chega à história pela primeira vez. Algumas explicações interrompem o movimento, especialmente quando é necessário apresentar a origem do anel e as disputas entre os povos. Ainda assim, Jackson mantém o objetivo de Frodo compreensível e usa as relações entre os personagens para dar interesse à caminhada. Mesmo sem decorar a geografia de Tolkien, o espectador sabe o que está em jogo a cada parada.

O melhor de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” é essa convivência entre a dimensão da missão e a fragilidade de quem a assume. Gandalf oferece conhecimento, Aragorn oferece experiência e Sam oferece companhia, mas nenhum deles pode eliminar o risco que Frodo carrega. Wood preserva no rosto do hobbit o apego à vida que ficou para trás. Cercado por guerreiros, ele continua sendo o rapaz do Condado que gostaria de voltar para casa. Por enquanto, precisa apertar o passo e manter o anel longe das mãos que o procuram.


Filme: O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel
Diretor: Peter Jackson
Ano: 2001
Gênero: Aventura/Drama/Fantasia
Avaliação: 4.5/5 1 1
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