Em 1199, após a morte do rei Ricardo na França, o arqueiro Robin Longstride volta à Inglaterra para entregar a espada de um cavaleiro à família dele. A promessa o leva a Nottingham, onde uma identidade emprestada pode salvar uma propriedade, mas também colocá-lo no caminho de um traidor.
Robin Longstride (Russell Crowe) serviu no exército de Ricardo Coração de Leão (Danny Huston) e quer deixar a guerra para trás. No retorno à Inglaterra, ele e seus companheiros encontram Robert Loxley (Douglas Hodge) gravemente ferido após uma emboscada. Antes de morrer, o cavaleiro pede que Robin leve sua espada ao pai, Sir Walter Loxley (Max von Sydow).
Robin segue para Nottingham com Little John (Kevin Durand), Will Scarlet (Scott Grimes) e Allan A’Dayle (Alan Doyle). Ele pretende cumprir a promessa e partir. Walter, porém, teme que a Coroa tome suas terras agora que Robert está morto. Por isso, pede ao arqueiro que assuma o nome do filho por algum tempo.
É uma proposta difícil de aceitar e ainda mais difícil de explicar a Marion (Cate Blanchett), viúva de Robert. Ela conhece as necessidades da propriedade, cuida de seus moradores e não recebe Robin com a confiança que Walter deposita nele. O recém-chegado tem amigos leais e sabe lutar, mas precisa aprender a viver numa casa onde todos esperavam outra pessoa.
Uma casa cercada de dívidas e desconfiança
Ridley Scott dedica boa parte de “Robin Hood” a esse convívio. Robin trabalha para proteger as terras dos Loxley enquanto Marion observa se ele está disposto a assumir as obrigações ligadas ao nome que usa. Blanchett faz dela uma mulher ocupada demais para se impressionar apenas com a habilidade de um arqueiro. Crowe, por sua vez, dá a Robin a cautela de quem sabe que uma mentira pode ser útil hoje e custar caro amanhã.
A relação dos dois cresce porque precisam lidar com problemas em comum. Nottingham sofre com impostos, falta de recursos e a autoridade do xerife (Matthew Macfadyen). Robin ajuda, mas não chega como dono da casa nem conquista o afeto de Marion por decreto de roteiro. Quando ele e seus companheiros passam a participar da defesa da propriedade, a confiança começa a ter motivos concretos.
O perigo chega em nome do rei
Fora de Nottingham, a morte de Ricardo abre uma disputa pelo poder. John (Oscar Isaac) assume o trono e precisa manter os barões ao seu lado. Godfrey (Mark Strong), ligado aos planos de invasão da França, aproveita a fraqueza do novo rei para agir dentro da Inglaterra. Seus homens atacam comunidades sob o pretexto de cobrar impostos reais, agravando a revolta contra a Coroa.
Robin percebe que a segurança dos Loxley depende de algo maior que a proteção de suas terras. Se os barões romperem com John, os franceses encontrarão um país dividido. O arqueiro tenta aproximar homens que desconfiam uns dos outros, embora sua própria presença entre eles dependa do nome de Robert. Sua experiência como soldado lhe dá argumentos sobre a ameaça, mas nenhum título que obrigue a nobreza a ouvi-lo.
Scott acompanha essa passagem de uma promessa particular para uma disputa que alcança o reino inteiro. Há batalhas e flechas, como se espera de uma aventura de Robin Hood, mas o filme se interessa primeiro pelas razões que levam esse homem a permanecer em Nottingham. A escolha favorece Marion e Walter, que têm muito a perder com cada avanço de Godfrey. Também exige paciência de quem espera encontrar o fora da lei famoso desde os primeiros minutos.
Antes da lenda, uma escolha
“Robin Hood” funciona melhor quando mantém os pés nessa vida ainda incerta. Robin pode partir e deixar que Walter, Marion e os moradores enfrentem sozinhos a perda das terras e a violência dos homens de Godfrey. Ficar significa defender pessoas que passaram a confiar nele, sabendo que Robert Loxley era outro homem.
O filme de Scott tem o peso de uma grande produção histórica, mas encontra sua parte mais interessante nessa decisão simples. Robin chegou a Nottingham para devolver uma espada. Quando precisa escolher o que fazer em seguida, já conhece pelo nome as pessoas que uma nova guerra colocará em perigo.

