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Milhares de anos antes da jornada de Frodo, Galadriel (Morfydd Clark) percorre a Terra-média atrás de sinais de um mal que os elfos acreditam ter vencido. É desse desacordo que parte “O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder”, série criada por J. D. Payne e Patrick McKay. Enquanto seus superiores desejam deixar a guerra para trás, ela insiste que a ameaça continua viva. Sua dificuldade já não é apenas seguir pistas, mas convencer outros povos a agir antes que o perigo chegue até eles.

A história começa numa época de relativa paz. Reinos prosperam, comunidades seguem seus costumes e boa parte de seus habitantes tem motivos para desconfiar de quem anuncia outra guerra. Galadriel, por sua vez, carrega a memória do que aconteceu antes. Essa diferença explica sua pressa e também sua falta de jeito com pessoas que precisam de provas, tempo ou alguma garantia antes de oferecer ajuda. A personagem pode soar inflexível, mas Morfydd Clark lhe dá uma inquietação capaz de sustentar a busca mesmo quando ela perde apoio.

Galadriel precisa convencer Númenor

A passagem por Númenor torna o problema mais concreto. Galadriel chega a um reino insular onde sua presença desperta resistência e onde uma decisão favorável depende de autoridades com preocupações próprias. A rainha-regente Míriel (Cynthia Addai-Robinson) precisa considerar o que sua população ganhará ou perderá ao se envolver numa ameaça vinda de longe. Galadriel quer uma resposta urgente. Númenor exige razões para arriscar seus navios e seus homens.

Essa demora faz bem à história. A certeza de Galadriel, por mais sincera que seja, não basta para mobilizar um reino. Suas conversas têm atrito porque cada pessoa conhece uma parte diferente do perigo e responde por gente que ficará exposta às consequências. Ao lado dela, Halbrand (Charlie Vickers) também procura uma saída para sua situação. Os dois conseguem avançar quando passam a lidar com os interesses de quem pode lhes abrir caminho, e não apenas com a força de seus próprios argumentos.

Uma ameaça chega às Terras do Sul

Nas Terras do Sul, Arondir (Ismael Cruz Córdova) vigia uma região habitada por pessoas que não recebem os elfos com entusiasmo. Seu vínculo com Bronwyn (Nazanin Boniadi), uma curandeira local, atravessa essa desconfiança. Quando Arondir descobre sinais inquietantes, Bronwyn tenta alertar os vizinhos. O problema é convencer famílias a abandonar a rotina por uma ameaça que muitos ainda não viram.

Aqui, o perigo ganha rostos e endereços. Bronwyn precisa pensar em seu filho, Theo (Tyroe Muhafidin), enquanto procura proteger outras pessoas. Arondir sabe observar e agir, mas sua habilidade não resolve a resistência dos moradores nem lhe permite estar em todos os lugares. Ismael Cruz Córdova interpreta essa tensão com discrição. Arondir fala pouco, presta atenção ao que muda ao redor e sabe que um aviso ignorado pode custar a segurança de uma comunidade inteira.

A série por vezes deixa essa urgência em suspenso para visitar outro canto da Terra-média. Nem toda mudança de cenário ocorre na melhor hora. Ainda assim, a história de Bronwyn e Arondir permanece entre as mais fáceis de acompanhar. Eles têm pessoas a proteger, precisam decidir em quem confiar e dispõem de pouco tempo para reunir os moradores.

Elrond volta à casa de Durin

Elrond (Robert Aramayo) enfrenta uma tarefa bem diferente. Enviado para cumprir uma missão entre os anões, ele procura Durin IV (Owain Arthur), um velho amigo que não ficou nada satisfeito com seus anos de ausência. Durin o recebe com uma cobrança que qualquer amizade esquecida reconheceria. Enquanto Elrond esteve ocupado, o príncipe se casou, teve filhos e construiu uma vida da qual o amigo não participou.

O reencontro dá algum respiro à série sem afastá-la do enredo. Elrond precisa recuperar a confiança de Durin para ter acesso a Khazad-dûm, e uma visita protocolar não resolve o ressentimento. Aramayo faz de Elrond alguém hábil com palavras, embora nem sempre perceba quando elas chegam tarde. Owain Arthur, por sua vez, deixa Durin alternar afeto e irritação com uma graça muito humana. A missão só progride quando os dois voltam a conversar como amigos.

Nori ajuda um desconhecido

Entre os Pés-Peludos, Nori (Markella Kavenagh) quebra uma regra de sua comunidade ao ajudar um Estranho (Daniel Weyman). Ela não conhece sua origem nem sabe do que ele é capaz. Sabe apenas que deixá-lo sozinho parece cruel. Seus companheiros têm razões para temer essa escolha, pois vivem viajando e dependem da segurança do grupo.

Nori oferece outro ritmo à aventura. Enquanto Galadriel busca o apoio de um reino, a jovem tenta conseguir espaço para uma pessoa que ninguém convidou a seguir viagem. Kavenagh lhe dá curiosidade e teimosia na medida certa. O gesto nasce de compaixão, mas coloca sua família diante de um risco que ela não pode simplesmente descartar.

“O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder” reúne essas histórias antes que seus personagens conheçam a extensão da ameaça. A primeira temporada às vezes se demora nas passagens entre um núcleo e outro, sobretudo quando interrompe uma situação urgente para apresentar novos interesses. Seu melhor caminho está nas escolhas que têm um custo reconhecível. Galadriel precisa de aliados, Bronwyn procura abrigo para seu povo, Elrond tenta recuperar a confiança de Durin e Nori oferece ajuda apesar do medo dos seus. Em cada região, alguém precisa decidir quanto está disposto a arriscar antes que a paz deixe de ser uma opção.


Filme: Os Aneis do Poder
Diretor: Patrick McKay e John D. Payne
Ano: 2022
Gênero: Ação/Aventura/Drama/Fantasia
Avaliação: 4.5/5 1 1
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