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A Inglaterra do século 16 enfrenta uma questão sucessória capaz de alterar alianças, propriedades e posições dentro da corte. Em “A Outra”, dirigido por Justin Chadwick, Ana Bolena (Natalie Portman), Maria Bolena (Scarlett Johansson) e Henrique 8 (Eric Bana) formam o centro de uma disputa na qual duas irmãs competem pela preferência do rei, pressionadas por uma família interessada em converter proximidade com a Coroa em terras, títulos e autoridade. A ausência de um herdeiro homem abre uma passagem para os Bolena, mas entrar no palácio significa aceitar regras que nenhuma das jovens escreveu.

Tomás Bolena (Mark Rylance) e o duque de Norfolk (David Morrissey) enxergam na insatisfação conjugal de Henrique 8 (Eric Bana) uma oportunidade para elevar o sobrenome da família. Catarina de Aragão (Ana Torrent), esposa do monarca, não lhe deu o filho homem desejado, e a continuidade dinástica virou preocupação política. Ana Bolena (Natalie Portman), segura e treinada para impressionar, recebe a incumbência de atrair o rei durante uma visita ao campo. O plano parece organizado com a frieza de um contrato, embora dependa do desejo de um homem acostumado a transformar interesse pessoal em ordem.

Um acidente durante a caçada altera a escolha familiar. Maria Bolena (Scarlett Johansson), recém-casada com William Carey (Benedict Cumberbatch), cuida do rei ferido e desperta nele uma atenção que deveria ter recaído sobre Ana Bolena (Natalie Portman). Henrique 8 (Eric Bana) solicita a presença da jovem na corte, o que autoriza a ascensão dos Bolena, mas também enfraquece o casamento dela. Maria conquista acesso ao palácio por uma qualidade que ninguém havia colocado no plano, sua delicadeza, ou melhor, uma sinceridade rara num ambiente em que cada conversa pode render uma propriedade e cada recusa ameaça a posição de toda a família.

Maria entra na corte

Maria Bolena (Scarlett Johansson) passa a servir Catarina de Aragão (Ana Torrent) enquanto recebe a atenção do marido dela. A situação contém uma crueldade silenciosa, pois a rainha compreende o interesse de Henrique 8 (Eric Bana), embora sua posição institucional limite qualquer reação pública. Maria tenta preservar alguma dignidade dentro do romance e se apega ao afeto que desenvolve pelo rei, mas o palácio trata sua intimidade como recurso familiar. Quanto mais o monarca se aproxima, mais terras, favores e prestígio alcançam os homens que negociaram sua presença.

Ana Bolena (Natalie Portman), ferida pela preferência real e por uma decisão amorosa frustrada, é enviada à França. A punição retira seu acesso à corte inglesa, mas também lhe oferece experiência fora da vigilância doméstica. Quando retorna, encontra Maria Bolena (Scarlett Johansson) instalada no círculo de Henrique VIII (Eric Bana) e percebe que a irmã ocupa o lugar preparado para ela. A antiga cumplicidade perde terreno para uma concorrência doméstica bastante incômoda, dessas em que todos sorriem durante o jantar enquanto calculam quem ficará mais perto do rei.

Ana muda as condições

Ana Bolena (Natalie Portman) aprende a administrar distância. Em vez de ceder prontamente aos avanços de Henrique VIII (Eric Bana), ela impõe limites e exige uma posição que ultrapasse a condição passageira de amante. O rei, habituado à obediência, encontra uma mulher capaz de retardar o encontro e transformar espera em instrumento de negociação. A recusa concede a Ana uma autoridade precária, mas poderosa o bastante para deslocar Maria Bolena (Scarlett Johansson) e colocar a própria rainha sob maior pressão.

Henrique VIII (Eric Bana) passa a perseguir aquilo que Ana Bolena (Natalie Portman) mantém fora de alcance. Ela não lhe oferece apenas romance, mas a promessa de um casamento capaz de produzir o herdeiro desejado, ainda que Catarina de Aragão (Ana Torrent) permaneça no caminho. O desejo particular ganha dimensão religiosa e política porque o monarca precisa enfrentar regras da Igreja, compromissos internacionais e a legitimidade da esposa. Ana sobe dentro do palácio, porém cada avanço aumenta a cobrança sobre sua capacidade de entregar à Coroa aquilo que Maria já não pode oferecer.

As irmãs perdem espaço

Justin Chadwick mantém o foco nas movimentações das duas irmãs e encurta muitos acontecimentos históricos para preservar o ritmo do drama. Essa escolha facilita a compreensão das mudanças de posição, embora deixe figuras políticas importantes próximas da margem. Natalie Portman dá a Ana Bolena uma energia afiada, capaz de alternar cálculo, medo e ressentimento sem transformá-la numa vilã confortável. Scarlett Johansson interpreta Maria Bolena com maior contenção, fazendo da hesitação uma forma de resistência que raramente lhe garante autoridade.

Eric Bana apresenta Henrique 8 como um rei atraente enquanto recebe obediência, mas ameaçador quando encontra limites. O romance perde qualquer suavidade quando a vontade dele passa a decidir casamentos, moradias e reputações. Maria Bolena (Scarlett Johansson) procura recuperar a possibilidade de escolher sua própria vida, enquanto Ana Bolena (Natalie Portman) aposta tudo na posição conquistada junto ao trono. Presas entre o afeto que ainda compartilham e a competição alimentada pelos parentes, as duas precisam decidir quanto estão dispostas a ceder antes que a corte decida por elas.


Filme: A Outra
Diretor: Justin Chadwick
Ano: 2008
Gênero: Biografia/Drama/Épico/Romance
Avaliação: 3.5/5 1 1
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